Os primeiros Jogos Olímpicos no hemisfério sul trouxeram um desafio financeiro muito grande às delegações. Afinal, na década de 1956 era uma operação complicada levar vários atletas até a Austrália. Por isso, a competição de futebol – como, em geral, de quase todos os esportes – ficou esvaziada. Por exemplo, não houve representantes da América do Sul.

Além da distância, um fato político influiu muito na disputa do futebol em Melbourne. Menos de um mês antes do início das competições, tropas da União Soviética invadiram Budapeste para reprimir uma manifestação popular que pedia uma maior autonomia da Hungria em relação ao governo de Moscou. Justamente nessa época, os jogadores da seleção húngara, ainda a melhor do mundo, estavam fora de seu país em compromissos de seus clubes (basicamente o Honvéd e o MTK). Não voltaram mais. Pediram asilo político e alguns até mudaram sua nacionalidade. Era o fim dos Magiares Mágicos. Claro, a Hungria acabou não enviando representante algum ao futebol.

Mesmo assim, o favoritismo dos países do Leste Europeu ficou ainda mais enfatizado. Porém, na fase preliminar, a União Soviética sofreu para ganhar da Alemanha Ocidental (com uma equipe de garotos) por 2 a 1. A Grã-Bretanha humilhou a inexpressiva Tailândia (9 a 0) e a Austrália passou pelo Japão (2 a 0).

Nas quartas-de-final, o sorteio permitiu uma grande surpresa. Ao colocarem indianos e australiano na mesma chave, permitiu que um país sem a menor tradição no esporte chegasse às semifinais. Melhor para a Índia, que ganhou por 4 a 2. A União Soviética voltava a mostrar um futebol fraco tecnicamente, mesmo com a base da seleção que teve um bom papel na Copa de 1958, com Yashin, Kuznetsov , Netto e Ivanov. Empatou sem gols com a Indonésia e teve de usar a partida-extra para conseguir um lugar nas semifinais. Sem dificuldades foram as classificações de Iugoslávia (9 a 1 nos Estados Unidos) e Bulgária (6 a 1 na Grã-Bretanha).

O futebol a União Soviética só apareceu um pouco nas semifinais, com uma vitória sobre a Bulgária por 2 a 1. Enquanto isso, a Iugoslávia passava sem problemas pela Índia (4 a 1) e garantia sua terceira final olímpica consecutiva. E, também pela terceira vez, ficou com a prata. A União Soviética conseguiu seu gol no início do segundo tempo e segurou ao taque balcânico até o fim da partida.

FICHA TÉCNICA
União Soviética 1×0 Iugoslávia
Local: estádio Melbourne Olympic Park (Melbourne-AUS)
Público: 120 mil
Árbitro: R. Wright (Austrália)
União Soviética: Yashin; Baschaschkin, Ogognikov  e Kuznetsov; Netto e Maslenkin; Tatushin, Isaev, Simonian, Salinikov e Ilyin
Iugoslávia: Radenkovic; Koscak e Radovic; Santek, Spajic e Krstic; Sekularac, Antic, Papek, Veselinovic e Mujic
Gol: Ilyin (3/2º)

Classificação final: 1º União Soviética, 2º Iugoslávia, 3º Bulgária, 4º Índia, 5º Grã-bretanha, 6º Austrália, 7º Indonésia, 8º Estados Unidos, 9º Alemanha Ocidental, 10º Japão, 11º Tailândia.

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