Megan Rapinoe é um dos grandes nomes do esporte de 2019. Não só pelo que fez em campo, sendo artilheira e melhor jogadora da conquista dos Estados Unidos na Copa do Mundo, mas também por sua ação fora dos gramados: discursos contundentes contra a discriminação no futebol, seja por racismo, homofobia ou machismo, marcam suas falas, além da luta ativa por igualdade salarial entre homens e mulheres.

Em entrevista à BBC, foi categórica ao falar sobre o mais latente no futebol mundial nestas últimas semanas: “Se há um exemplo de racismo e os jogadores em campo não ficam indignados, então, para mim, eles são parte do problema”.

Questionada sobre a punição recebida pela Federação Búlgara de £ 65 mil pelos insultos racistas aos jogadores da seleção inglesa, no último mês, Rapinoe classificou a multa como “uma piada completa”.

“Para mim, (a punição) tem que ser super extrema, de forma que seja prejudicial ao time, à federação, para que seja financeiramente prejudicial”, cobrou. A jogadora, eleita a melhor do mundo na última premiação The Best, da Fifa, fez ainda um chamado para que os atletas não deixem apenas aos negros o papel de porta-voz contra o racismo.

“Todos os jogadores precisam estar do lado do Raheem (Sterling), todos jogadores na Premier League e nas ligas estrangeiras precisam tornar disso um problema deles também, porque é, de fato, um problema de todos.”

Em março deste ano, ao lado de suas companheiras de seleção, Rapinoe entrou com um processo contra a Federação Norte-Americana por discriminação de gênero na compensação entre atletas homens e mulheres. A luta por pagamento igual segue e ganhou tração durante o Mundial na França, quando a seleção foi apoiada pela torcida presente no Estádio Groupama, palco da final, que cantava “igualdade de pagamento”.

Na última semana, as jogadoras obtiveram uma pequena vitória, com um juiz federal concedendo o status de “ação coletiva” ao processo das atletas contra a federação. À BBC, Rapinoe reforça sua bandeira.

“Não se contentem com nada menos, busquem igualdade, busquem mais, não aceitem nenhuma dessas respostas antiquadas ou falsas. Especialmente quando se trata de esporte, existe uma grande falta de investimento há muito tempo, então qualquer comparação direta com os esportes e ligas masculinas é completamente injusta”, afirmou.

“Até que tenhamos investimento igual, e até mesmo superinvestimento, já que fomos tão mal servidas por tanto tempo, não teremos nenhum tipo de conversa significativa sobre compensação, receitas e audiência de TV.”

Símbolo também da luta contra a homofobia no esporte desde que se revelou homossexual em 2012, Rapinoe quer construir um ambiente no futebol que permita a outros homossexuais se sentirem à vontade para também saírem do armário. Ela respeita o ritmo de cada indivíduo e defende que cada um escolha o momento certo, mas vê a necessidade de um trabalho por parte ligas e times para que o ambiente seguro necessário seja criado.

“Estamos tentando melhorar o ambiente para que, quando você esteja pronto para se revelar, o ambiente esteja pronto para você.”