Megan Rapinoe é a única americana indicada na lista de 10 jogadoras que concorrem ao prêmio The Best, da Fifa, que elege a melhor jogadora do ano. Aos 33 anos, ela é a jogadora mais velha entre as indicadas e recebeu com uma certa surpresa, mas ao mesmo tempo com um enorme orgulho.

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Sobre a indicação

“Fiquei um pouco surpresa, para ser honesta, não porque eu não acho que sou uma boa jogadora, mas surpreendente. Eu obviamente estou muito honrada e humilde em relação a isso. Sim, me fez sorrir. Eu acho que para qualquer jogador que trabalhe muito e sempre esteja buscando melhorar, se você é a melhor ou quase isso, não importa, isso realmente não deveria mudar a forma como você olha as coisas. Eu acho que todo mundo deveria tentar ser tão bom quanto eles podem. Um pequeno reconhecimento sempre é bom”.

Jogo em alto nível aos 33 anos

“Isso é muito especial. É especial ser capaz de estar jogando o melhor futebol da minha carreira, ser um pouco mais velha e estar no meu décimo ano de carreira ou algo assim. Eu acho que especialmente porque eu estava tendo um 2015 incrível e sentindo que eu estava jogando melhor do que jamais tinha jogado, e ter uma lesão de ligamento cruzado anterior naquele estágio da minha carreira, naquela idade e naquele momento em particular, tendo Olimpíadas, voltar nas Olimpíadas, mas sendo uma espécie de sombra de mim mesma e o time não indo tão bem”, afirmou a jogadora.

“Eu nunca tive o sentimento de dúvida sobre se voltaria a jogar, mas eu acho que é normal pensar isso e normal imaginar em que nível eu iria voltar, então ver todo o trabalho duro e como os momentos particulares valeram a pena, não apenas para mim, mas para todas as pessoas que estiveram envolvidas, minha família, meus técnicos, meus amigos mais próximos, minha namorada, para eles serem parte disso também e sabem o que eu passei e sabem o quanto trabalhei duro para chegar onde estou. Essa parte é muito especial para mim”.

Por que está vivendo o melhor momento da carreira

“Quando você vai ficando mais velha como jogadora, há um ponto quando isso muda; você não pode fazer o que fazia com 22 a 26 anos. Às vezes vem rapidamente e às vezes você não consegue ver isso ou você começa a se machucar mais. Eu nunca diria que eu tive sorte de romper o ligamento cruzado anterior, mas eu acho que veio no momento que meu corpo estava mudando também, então foi como uma oportunidade para eu completamente recomeçar. Enquanto eu estava voltando da minha lesão de ligamentos e durante o meu primeiro ano de recuperação, eu podia perceber que o meu corpo estava diferente. Mesmo quando eu voltei, eu estava tentando fazer as mesmas coisas e não estava tendo exatamente os mesmos resultados. Eu acho que eu percebi naquele momento que eu deveria mudar, eu tinha que fazer mais”, afirmou a jogadora.

“Eu também foquei muito mais na minha preparação, minha nutrição, meu treinamento de força e fazer todas as pequenas coisas fora de campo que poderiam potencialmente ter um impacto no campo e eu acho que essas coisas que fizeram a maior diferença para mim”.

Evolução tática e técnica

“Eu tento fazer zero corridas negativas durante o jogo, mas eu tenho que fazer algumas (risos). O estilo muda em ambos os times; tradicionalmente na maior parte da minha carreira nós jogamos em um 4-4-2 e apenas nos últimos anos nós mudamos para um 4-3-3. Então eu sou uma atacante, uma ponta, uma finalizadora, basicamente. Eu acho que me colocar mais à frente no campo e me aliviar de algumas tarefas defensivas me coloca mais perto do gol e eu acho que quanto mais perto do gol, melhor, mais perigosa eu posso ser, mais eu posso trazer jogadoras e mais eu posso criar problemas para a defesa”.

Ser um exemplo

“Olha, é muito legal, para ser honesta. Olhando para minha vida toda e ir para a Copa do Mundo de 1999 e encontrar algumas daquelas jogadoras como estrelas, e então chegando ao final da minha carreira e vendo onde o jogo chegou e como esse time fez parte disso e como eu pude ser parte disso, indo para jogos com ingressos esgotados, o jogo é tão enorme e nossa liga é tão boa… Eu dou um passo para trás e estou vivendo meu sonho”, disse Rapinoe.

“Parece um clichê, mas eu me sinto muito grata e muito sortuda de ser capaz de fazer isso e ser parte de uma seleção tão incrível com todas as coisas que fizemos dentro e fora de campo, e o sucesso que tivemos e as coisas pelas quais passamos e a forma que isso impactou o jogo e continuamos a ter impacto no jogo. Essas são algumas das coisas mais recompensadoras da minha carreira. É claro que as medalhas, vitórias e Copas do Mundo são incríveis, mas eu acho que quando você olha para trás nas coisas que são tão significativas para sempre, que também será parte do impacto que nós fomos capazes de fazer também fora de campo”, declarou ainda a atacante americana.

Seu legado

“Eu me sinto muito jovem para ser perguntada sobre o meu legado! Mas eu acho que eu estou ficando velha, então eu tenho que aceitar isso. Eu quero que as pessoas lembrem de mim em campo como elas lembram fora de campo, alguém que é apaixonada e viveu com alegria e felicidade, que deu tudo, que era uma boa companheira, que amou o jogo e tentou jogar do modo certo e realmente aproveitou cada minuto que foi capaz de jogar”, disse.

“Eu quero ser lembrada como alguém que estava disposta a defender o que é certo e defender coisas importantes e usou a plataforma que nós temos a sorte de ter e a popularidade que nós tivemos sorte de ter para tentar não apenas fazer o jogo melhor e o deixar em uma posição melhor, mas também de forma geral fazer o mundo um lugar melhor e tentar usar essa vantagem e essa plataforma que nós temos para fazer isso”, contou ainda a jogadora.

Rapinoe tem 130 jogos e 34 gols pela seleção americana, pela qual conquistou títulos importantes: foi campeã olímpica em 2012 e da Copa do Mundo em 2015. Ela espera repetir o feito em 2019, com a Copa do Mundo disputada na França.