As aspas de Mbappé seguem saindo. Durante evento de lançamento de sua instituição de caridade nesta semana, o jogador falou com alguns dos mais importantes veículos do mundo. Em entrevista à Gazzetta dello Sport, naturalmente, comentou os casos de racismo no futebol, acentuados especialmente na Itália. O atacante diz que, por ele, deixaria o gramado diante de um incidente racista, mas que todos devem fazer o mesmo. Para além disso, considera a discriminação racial um problema a se resolver primeiro na sociedade, para depois vermos mudanças dentro dos gramados.

Vítima de diversos episódios de racismo só nesta temporada, Balotelli tentou deixar o campo na partida entre Verona e Brescia, no ano passado, mas foi dissuadido por seus companheiros, antes de o sistema de som do estádio pedir que os insultos ao atacante parassem. Para Mbappé, jogadores que não se mostram dispostos a deixar o gramado em casos parecidos estão indicando leniência com o que não deveria ser tolerado.

“Concordo com deixar o gramado se todos também o fizerem, negros e brancos. Se alguém não deixa o gramado, isso significa que aquela pessoa está mostrando aceitação ao inaceitável”, opinou.

O francês acredita que é preciso parar com a relativização dos episódios de racismo, começando por políticas públicas fora do futebol: “O momento de ‘se’ e ‘mas’ acabou. Não podemos esperar o problema bater à nossa porta para resolvê-lo. Precisamos também perguntar se tudo que é preciso está sendo feito fora dos estádios, para então resolver o problema do racismo dentro dos estádios”.

O papo de Mbappé com a Gazzetta evidentemente tocou também em assuntos puramente esportivos. Já em sua segunda equipe na carreira, tendo sido revelado pelo Monaco antes de ser negociado com o Paris Saint-Germain, o atacante admira atletas como Leo Messi, que constroem toda sua trajetória no futebol em um só clube, mas diz que para ele o que resta é buscar emular o que fez Cristiano Ronaldo – ou seja, buscar conquistar os corações de torcidas de diferentes ligas, provavelmente uma indicação sobre seu futuro.

“É tarde demais para eu construir uma carreira como a do Messi, eu teria que ter permanecido no Monaco. Sem tirar nada do Messi, agora eu tenho que recorrer à carreira do Cristiano Ronaldo para me inspirar.”

Como ídolos, Mbappé naturalmente teve Zidane e, como bem se sabe, Cristiano Ronaldo. O futebol brasileiro também foi uma referência ao atleta em sua infância, e o atacante do PSG destacou alguns nomes em especial: “Amo os jogadores brasileiros, como Pelé, Ronaldinho, Ronaldo Nazário e o Kaká”.

É também com um brasileiro com quem Mbappé tem vivido uma grande parceria desde que chegou a Paris. Com Neymar, forma uma das duplas mais efetivas do futebol mundial, e a parceria vai para além dos gramados.

“Neymar é um jogador brilhante. Tenho uma boa relação com ele fora do campo. Ele teve duas temporadas muito difíceis, mas está voltando a seu melhor nível. É uma boa notícia para os torcedores do PSG e para todos que amam futebol”, falou Mbappé, em referência às duas lesões sérias que tiraram o camisa 10 do mata-mata da Champions League em suas duas últimas campanhas.

Mbappé destacou também Mauro Icardi, com quem tem feito dupla de ataque nesta temporada. Para ele, o argentino é um dos melhores atacantes do mundo, mas, ainda assim, mantém sua humildade: “É um jogador que coloca o time à frente de si mesmo”. Sua aprovação a uma possível continuidade do centroavante para além do empréstimo, que acaba ao fim desta temporada, não poderia estar mais clara: “Nossos estilos se complementam”.

O maior elogio, no entanto, ficou reservado a um italiano. Tendo jogado com Neymar, Cavani, Di María, Buffon e outros craques em sua passagem de pouco mais de dois anos e meio no Parque dos Príncipes, nenhum deles o surpreendeu mais do que Marco Verratti, cuja influência pode ser mais silenciosa no jogo do PSG devido às suas funções em campo.

“É o jogador que mais me impressionou desde que estou no PSG. Ele é muito bom, e sou incrivelmente sortudo de jogar no mesmo time que ele, é um orgulho.”