No próximo dia 10, em Londres, Brasil e Itália se enfrentarão em partida amistosa. Será o primeiro confronto entre as duas seleções desde 1997. Apesar disso, o que mais causou expectativa para esse jogo foi a espera pela convocação do atacante Amauri. O técnico Dunga só chamou o jogador após a contusão de Luís Fabiano e, como já estava fora do prazo, a Juventus optou por não liberá-lo. Então segue a dúvida sobre qual seleção Amauri defenderá: a brasileira ou a italiana? Nos anos 50 e 60 não haveria esse problema, já que a Fifa não proibia um jogador de jogar por dois países diferentes. Foi o que aconteceu com o brasileiro José Altafini, o Mazzola, que jogou duas Copas do Mundo, uma pelo Brasil e a outra pela Itália.

Início no Palmeiras e o título mundial

Filho de italianos, José João Altafini nasceu em Piracicaba, interior paulista, no dia 24 de julho de 1938. Começou a jogar no Clube Atlético Piracicabano e, em 1956, aos 17 anos, foi para o Palmeiras. Ganhou o apelido de Mazzola por conta da semelhança física com Valentino Mazzola, craque da seleção italiana nos anos 40. Centroavante goleador e ótimo nos deslocamentos, Mazzola logo ganhou espaço no time principal do Palmeiras, então comandado pelo técnico Aymoré Moreira. O clube do Palestra Itália não vivia uma grande fase e estava desde 1951 sem conquistar títulos. Mas todos viam naquele garoto potencial para levar o Alviverde de volta às conquistas. Na abertura do Campeonato Paulista de 1957, no dia 9 de junho, contra o Noroeste no Parque Antártica, o Palmeiras venceu por 5 a 2, com cinco gols de Mazzola. Sete dias depois, o centroavante fazia a sua estreia com a camisa da Seleção Brasileira, num amistoso contra Portugal, no Pacaembu. O Brasil venceu por 3 a 0. Mazzola entrou durante a partida, no lugar de Pagão, mas teve tempo para marcar o seu primeiro gol com a camisa amarela.

Ele ficou no Palmeiras até maio de 1958. Marcou 85 gols em 114 partidas pelo clube, mas não conseguiu a tão sonhada taça. O primeiro título da carreira de Mazzola, porém, foi o maior de todos: a Copa do Mundo de 1958, na Suécia. Ele começou a competição como titular do ataque brasileiro. E marcou dois gols na estreia, quando o Brasil venceu a Áustria por 3 a 0. Durante a campanha, Mazzola e o ponta-direita Joel perderam o lugar no time para dois estreantes em mundiais: Pelé e Garrincha. Do banco, eles viram o Brasil vencer a Suécia por 5 a 2 na final e conquistar pela primeira vez a Copa do Mundo.

Após a Copa, Mazzola foi vendido para o Milan por 25 milhões de cruzeiros, uma fortuna para a época. Com o dinheiro, o Palmeiras contratou craques como Djalma Santos e Julinho Botelho e montou o time que seria campeão paulista em 1959. De certa forma, Mazzola fez com que o clube voltasse a ganhar títulos.

Sucesso na Itália

Na Itália, Mazzola passou a ser chamado pelo sobrenome, Altafini. Mas o futebol continuou o mesmo: logo na sua primeira temporada com a camisa do Milan, ele sagrou-se campeão Italiano, marcando 28 gols em 32 jogos no competição. O bom desempenho fez com que ele fosse chamado para defender a seleção italiana. A estreia pela Azzurra ocorreu em 1961, nas Eliminatórias para a Copa do Mundo do ano seguinte, quando marcou um gol na vitória por 4 a 2 sobre Israel, em Tel-Aviv. A Itália se classificou e Mazzola foi convocado para disputar o Mundial no Chile. A participação italiana, porém, foi um fracasso: Após empatar com a Alemanha Ocidental, por 0 a 0, perder para o Chile, por 2 a 0, e vencer a Suiça, por 3 a 0, a Itália ficou em 3° lugar do seu grupo e acabou eliminada na primeira fase. Hoje em dia Mazzola se diz arrependido por ter jogado aquela Copa pela Itália e não pelo Brasil: “Um dos grandes arrependimentos da minha vida foi justamente ter trocado de camisa no Copa do Chile. Joguei pela Itália e vi meus ex-colegas de seleção levarem para a casa a segunda Copa”, lembra o ex-jogador.

Apesar disso, o ano de 1962 foi um dos melhores da carreira de Mazzola. O Milan voltou a ser campeão italiano e o centroavante foi o artilheiro da competição, com 22 gols. Mas o melhor ano dele no Milan provavelmente foi o de 1963. O clube venceu a sua primeira Copa dos Campeões da Europa e Mazzola foi o goleador do torneio, com impressionantes 14 gols em nove partidas. Além disso, na decisão diante do Benfica, então bicampeão europeu, no estádio de Wembley, ele marcou os dois gols da vitória do time italiano por 2 a 1.

Em 1965, Mazzola trocou o Milan pelo Napoli, onde jogou ao lado do argentino naturalizado italiano Omar Sivori, de quem já havia sido companheiro na seleção italiana. Apesar de algumas boas campanhas, como o vice-campeonato nacional na temporada 67/68, eles não conseguiram nenhum título pelo time napolitano.

Em 1972, já com 34 anos, Mazzola voltou a jogar por um time grande, quando foi para a Juventus. No clube de Turim ele não fez o mesmo sucesso dos tempos de Milan, mas ganhou mais dois títulos nacionais, em 1973 e 1975. Mazzola deixou o futebol italiano ao final da temporada 75/76. Em 456 jogos pela Série A, ele marcou 216 gols, sendo o terceiro maior artilheiro da história do Campeonato Italiano ao lado do lendário Giuseppe Meazza.

Após deixar a Juventus, Mazzola ainda jogou nos pequenos FC Chiasso e Mendrisio Stabio, da Suíça, antes de encerrar a carreira em 1980. Ele vive na Itália até hoje, onde é um dos comentaristas esportivos mais conhecidos do país.