Qual a maior defesa de todos os tempos? Bem, ninguém sabe. Simplesmente porque ninguém assistiu a todos os jogos de futebol do mundo e porque avaliar qual a melhor entre um grupo de centenas de defesaças é muito subjetivo. Mas, quando você leu à pergunta, deve ter pensado em na imagem de Banks espalmando para escanteio uma cabeçada perfeita de Pelé na Copa de 1970. Convencionou-se considerar essa a maior de todos os tempos, e ela realmente é digna postulante ao título.

Então, lembre bem a intervenção de Banks. Uma jogada genial, feita por um goleiro já consagrado, no auge de sua forma e defendendo uma seleção de país europeu bastante influente. Ainda mais numa época em que a Fifa era presidida por um britânico. Bem, mesmo com aquela defesa no currículo, Banks não foi eleito o melhor goleiro da Copa de 1970. Esse título foi para Ladislao Mazukiewicz.

O uruguaio foi um gigante. Na época do Mundial do México, ele já tinha no currículo um título da Libertadores e um Mundial Interclubes, ambos pelo Peñarol em 1966, e uma Copa América, em 1967. Em 1971, participou do jogo de despedida de Lev Yashin e foi escolhido para receber as luvas do soviético, talvez o maior goleiro da história. No ano seguinte, o uruguaio foi para o Atlético Mineiro. Ficou apenas três anos em BH, sofreu 67 gols em 89 jogos, e cavou um lugar como um dos grandes goleiros da história do clube.

Em 1974, foi defender o Granada, um dos melhores times entre os pequenos da Espanha na época. O clube vivia um dos melhores momentos de sua história e recebeu o apelido de “matagigantes” por vencer constantemente Real Madrid, Barcelona e Athletic Bilbao. Mazurkiewicz ficou lá e viu essa fase passar, culminando com o rebaixamento. Saiu e, já veterano, passou por Cobreloa, América de Cali e Peñarol.

Então, é importante lembrar de Ladislao Mazurkiewicz por tudo o que ele fez. Para os brasileiros, também é momento de resgatar a passagem dele pelo Atlético Mineiro. Muito mais justo do que meter um “o goleiro que tomou o drible de corpo de Pelé em 1970” ao lado de seu nome. Como se fosse a única coisa importante que ele tivesse feito.