O meio-campista Blaise Matuidi, de 31 anos, comentou sobre o caso de racismo de torcedores do Cagliari contra jogadores da Juventus e, especificamente, sobre Moise Kean, seu companheiro de clube. Para ele, o jogo deveria ter sido parado pelo árbitro. O meio-campista francês ainda contou sobre como o racismo já acontecia antes do gol de Kean. O jogador ainda disse que é preciso lutar contra o racismo e esse tipo de episódio não pode simplesmente ser ignorado.

“Em alguns momentos, quando nós estávamos com a bola, nós ouvimos barulhos de macacos na arquibancada”, afirmou o jogador da seleção francesa ao Canal Football Club. “Eu lembro especificamente duas vezes que Moise estava em frente ao goleiro deles e isso aconteceu, então é importante esclarecer. É por isso que Moise comemorou daquele jeito quando ele marcou, foi como se ele estivesse perguntando ao público o que eles queriam, para mostrar que ele não entendeu”.

“Eu penso que o gesto dele foi para dizer: ‘Isso é futebol’. Imediatamente depois do gol, as coisas se intensificaram muito, ficou cada vez pior. Tristemente, continuou aumentando até o fim do jogo”, declarou o jogador de meio-campo. Foi quando Matuidi foi falar com o técnico da Juventus, Massimiliano Allegri, para tirar o time de campo em protesto.

“Para mim, essas são pessoas estúpidas e eles não pertencem a estádios de futebol. Eles simplesmente precisam ser punidos e nunca mais serem permitidos de entrar em um estádio novamente. Esse não é o mundo que eu quero que meus filhos vejam”, afirmou o francês. “Nós não podemos apenas ignorar o racismo, nós temos que lutar contra ele. Eu não posso mais ficar lá e ouvir a isso. Nós não podemos ter medo de nos levantar e lutar”.

“Eu senti que o árbitro não tomou a decisão certa, que seria parar o jogo. Eu tive uma discussão com ele em campo, foi importante que ele ouviu, então foi bom”, disse ainda o jogador, que veste a camisa 14 da Juve.

No futebol italiano, há um protocolo que o árbitro não pode suspender o jogo por cantos racistas, é uma decisão que é tomada por quem garante a segurança e a sua primeira prioridade é garantir a segurança pública. Por isso, é improvável que um jogo seja parado, mesmo que os cantos racistas sejam claros e audíveis.