Lothar Matthäus permanece como um grande símbolo da seleção alemã. Presente em cinco Copas do Mundo, o craque atravessou longos processos no Nationalelf. Sobretudo, viveu a transformação de uma geração frustrada na década de 1980, rumo à conquista do Mundial em 1990 como capitão. E bem sabe que a renovação de um elenco campeão não é simples. Apesar de toda a sua liderança e de sua qualidade técnica, o veterano naufragou em outras Copas no final de sua carreira. Compartilhava os vestiários com uma geração talentosa, mas de gênios fortes e que não conseguiu atingir o mesmo nível competitivo visto na Itália.

Quase duas décadas depois de sua aposentadoria, Matthäus ainda é uma voz importante no futebol alemão. Vez por outra, suas costumeiras declarações contundentes aparecem no noticiário do país. E, em entrevista exclusiva à Trivela, o veterano avaliou o presente da equipe nacional. Fez suas ponderações a Joachim Löw, assim como expressou sua visão após o que ocorreu na Copa de 2018. Além do mais, trouxe à tona algumas de suas lembranças como jogador. Confira:

O que você acha da atual fase da seleção alemã? Como você vê a eliminação do Nationalelf na primeira fase da Copa do Mundo de 2018?
Lothar Matthäus: Em 1994 também tivemos a mesma questão. O nosso time na Copa do Mundo nos Estados Unidos era, no papel, muito mais forte que a seleção de 1990. Mas nós não éramos um grupo de verdade e tivemos muitas questões fora de campo. A Alemanha tem muitos jogadores bons e novos, mas o importante é que o espírito de equipe prevaleça e a estrutura de um time seja equilibrada.

O que você achou da decisão de Joachim Löw de não convocar mais Thomas Müller, Mats Hummels e Jérôme Boateng?
Lothar Matthäus: Eu entendo a decisão dele e seu direito de convocar os jogadores que realmente confia. A forma e timing como os jogadores foram informados é que foi um pouco infeliz.

Você acha que Joachim Löw deveria continuar como técnico da seleção alemã?
Lothar Matthäus: Joachim é um técnico fantástico e tenho certeza que ele, melhor que ninguém, sabe o que não deu certo e o que precisa ser melhorado.

Qual foi o momento mais importante da sua carreira?
Lothar Matthäus: Levantar o troféu da Copa do Mundo de 1990 em Roma foi muito especial, porque este foi o fim de uma longa jornada de sucesso, que começou na final da Copa do Mundo de 1986 na Cidade do México, quatro anos antes.

Você ganhou a Copa do Mundo de 1990 e levantou o troféu como o capitão da seleção. E, em 1991, recebeu o prêmio da Fifa de melhor jogador do mundo. Como você se sente por ter conquistado estes dois feitos que todo jogador sonha?

Lothar Matthäus: Os anos de 1990 e 1991 foram com certeza os melhores da minha carreira. Óbvio, é difícil pensar em algo maior do que ganhar uma Copa do Mundo e o prêmio de melhor do mundo.