Matheus Cunha chegou da Suíça para a Alemanha por meio do RB Leipzig, em 2018, e chegou a atuar bastante sob o comando de Ralf Rangnick. Com a chegada de Julian Nagelsmann, seu espaço diminuiu e, no último mês de janeiro, ele aproveitou o poder de investimento adquirido pelo Hertha Berlim para trocar de clube porque sentia que poderia “dar mais”, como contou em entrevista à Bundesliga enviada à Trivela.

E estava dando mais. Teve oportunidade de atuar apenas quatro vezes seguidas antes da paralisação da Bundesliga por causa da pandemia de coronavírus, com dois gols. Em todo o primeiro semestre da temporada, havia entrado em campo apenas 13 vezes pelo RB Leipzig, sem marcar e dando apenas uma assistência.

Cunha também falou sobre sua participação na equipe brasileira sub-23 que conquistou vaga para as Olimpíadas de Tóquio no começo do ano, as diferenças entre o futebol brasileiro, no qual sonha jogar profissionalmente um dia, e o europeu e até quem é seu melhor amigo no elenco do Hertha.

Você ajudou o Brasil a se classificar para os Jogos Olímpicos de Tóquio. O que isso significa para você?

Muita coisa. Falando profissionalmente, é tudo. É um momento de alegria imensa. Quando eu era criança meu sonho era usar a camisa da seleção. Como eu disse na época, é um momento em que um sonho foi realizado. Estou muito feliz por isso estar acontecendo.

Era seu sonho jogar as Olimpíadas?

Sem dúvida. Eu acompanhei as Olimpíadas em Londres e, depois, quando o Brasil, enfim, ganhou o ouro no Rio. Eu quero estar lá um dia. É um sonho que cresceu ainda mais com a classificação para Tóquio. Não sabemos quem será convocado, mas estou satisfeito de ter ajudado o Brasil a estar nas próximas Olimpíadas.

Você pode garantir que vai ganhar um ouro?

Eu, primeiro, quero ser convocado. Não vou apressar as coisas. Estando lá, vou brigar pelo ouro. Vou dar meu máximo para trazer a segunda medalha de ouro consecutiva. 

Você está curtindo atuar na Bundesliga?

Sem dúvidas. É uma liga sensacional, uma das maiores do mundo. Um jogador sempre deseja estar nas melhores ligas e estar aqui é a realização de uma meta profissional. A competitividade dela é ótima também. Se ganhar dois jogos, o seu time alcança a parte alta da tabela e se perde outros dois, desce bastante. É muito disputada. Tem muitos times bons.

Você sonha em atuar no Brasil? E em qual clube seria?

“Eu realmente não sei por qual clube eu gostaria de atuar no Brasil, mas com certeza quero jogar lá. Quando eu era criança, eu gostava de muitos times. Minha mãe é de Pernambuco e meu pai da Paraíba. Mas, mesmo sem escolher um clube em específico, vai ser outro sonho a ser realizado jogar no meu país já que eu não tive essa oportunidade ainda.

Quais as diferenças entre o futebol europeu e o que é praticado no Brasil? Você, que foi tão cedo para a Europa, teve dificuldade de se adaptar?

Eu acredito que a dificuldade de atuar na Europa seja maior. Uma das principais dificuldades é o frio. Treinar, jogar ou viver no frio é muito sacrificante e bem diferente das condições que vivemos no Brasil. Eu, quando morava no Brasil, até vivia numa cidade relativamente fria, o que ajudou a adaptar um pouco mais rápido aqui nesse quesito. Agora, falando de futebol, o estilo europeu é bem diferente no quesito tático com diferentes formas de trabalho em relação ao Brasil. Na Europa, você precisa se adaptar o mais rápido possível aos quesitos táticos.

Quais são suas metas atuando pelo Hertha?

Eu vim aqui para ajudar da melhor forma possível. Eu acredito que todos os jogadores aqui são chaves para a equipe e espero que minha importância só aumente para que eu possa mostrar que posso ser muito efetivo dentro de campo para ajudar a equipe a alcançar altos feitos. 

Como o Hertha lhe convenceu a deixar o RB Leipzig?

Como jogador, assim como seria em qualquer outra profissão, devemos estar de olho nas melhores oportunidades. No futebol, um jogador só é feliz verdadeiramente quando se está a jogar. Na temporada passada, atuei em diversas partidas pelo Leipzig, mas eu sabia que podia dar mais e que isso seria melhor para mim. Sou muito grato ao RB Leipzig, mas estou muito satisfeito no Hertha. 

Como é trabalhar com Alexander Nouri (técnico do Hertha)?

Ele é um treinador que está implementando um modelo bem interessante. O nosso grupo está gradativamente se adaptando aos conceitos dele. Sempre é necessário tempo para adaptação e ele está demonstrando para todos que tem capacidade suficiente para comandar um time da Bundesliga e aprimorá-lo. Eu espero sinceramente que tanto ele, como nós, jogadores, possamos levar o Hertha ao local que ele pertence.”

Você tem superstições?

Quando eu vou para o gramado, sempre toco na grama e faço o sinal da cruz para que Deus me abençoe. Eu também beijo minha tatuagem de Maria, mãe de Jesus. Essas coisas são traços da minha cultura e da minha religião e que eu carregarei sempre comigo. 

Quem é seu melhor amigo no Hertha?

Ah, isso é bem difícil de responder. Tenho vários bons amigos. Eu adoro o Santi (Ascacibar). Eu também me dou muito bem com o Piatek. Tem o Karim (Rekik), o Vedad (Ibisevic). Sei lá, não tenho somente um amigo. Tenho vários. 

Qual foi seu melhor momento na vida?

O melhor está por vir: o nascimento do meu bebê. Espero que tudo ocorra com a benção de Deus. 

Qual foi seu momento de mais dificuldade no futebol?

Acho que quando quebrei a perna com 14 anos. Deixei minha casa para tentar a sorte de ser jogador profissional e fui jogar pelo Coritiba. Lá, sofri uma lesão séria e fiquei fora por seis meses. Esse período foi muito difícil, pois me questionei bastante. Mas acabou sendo um período de muito aprendizado.