No mesmo dia, entraram em campos os dois times que subiram à Premier  League nesta temporada e fizeram barulho com investimentos bem acima do normal para recém-promovidos: £ 100 milhões cada. E, enquanto o Fulham teve o seu rebaixamento à Championship confirmado pela goleada do Watford, o Wolverhampton mais uma vez derrotou um grande, ao bater o Manchester United por 2 a 1, sublinhando como o caminho entre ambos se dividiu desde a primeira rodada do Campeonato Inglês.

O Wolverhampton tem sido exatamente o que o Fulham e outros integrantes da metade da tabela para baixo gostariam de ser. Está no patamar máximo que os clubes fora do top 6 podem almejar em curto prazo: sétimo lugar, na semifinal da Copa da Inglaterra e respeitado pelos grandes como uma dolorosa pedra no sapato.

O Wolverhampton ainda recebe o Arsenal e visita o Liverpool pela Premier League. Nos outros dez jogos contra os grandes, perdeu apenas três, para Tottenham, Liverpool e City. Ganhou de Chelsea, Spurs e agora do United, com outros quatro empates. Além disso, eliminou o Liverpool e o United na trajetória às semifinais da FA Cup.

Como o Fulham demonstrou didaticamente nesta temporada, apenas investimento não basta para alcançar esses resultados. Também exige organização, o que Nuno Espírito Santo fornece, e a consciência de uma identidade muito bem definida. O Wolverhampton é um time direto, de transições rápidas e contra-ataque, o que particularmente encaixa, quando bem executado, com os confrontos contra os melhores times do país.

O jogo começou com domínio do United. Logo aos cinco minutos, Rui Patrício teve que trabalhar para barrar o forte cabeceio de Lukaku. Pouco depois, McTominay arriscou um chute cruzado de fora da área e abriu o placar. Completamente livre na entrada da pequena área, Lingard quase ampliou, com uma cabeçada colocada no canto, que Patrício espalmou.

O domínio vermelho esfriou, aos 25 minutos, quando o Wolverhampton empatou, em boa trama de seus dois atacantes. Jota recebeu de Jiménez por trás da defesa e não deu chances para De Gea. Dendoncker quase virou para os donos da casa e Lukaku teve grande chance ainda antes do intervalo.

Rui Patrício defendeu uma cabeçada à queima-roupa de McTominay, no começo do segundo tempo, quando o Manchester United tentava retomar o controle. A expulsão de Ashley Young por um carrinho imprudente no meio-campo atrapalhou a situação. Com um a mais, o Wolverhampton buscou o gol de mais uma grande vitória nesta temporada, com uma bola lançada na área que Smalling mandou contra o próprio patrimônio, e complicou a vida do United, que pode ser ultrapassado pelo Chelsea e ver Tottenham e Arsenal se distanciarem.