Bastou a definição da final da Copa América para começar o debate sobre as animosidades entre Argentina e Chile. Os países vizinhos não fazem exatamente um clássico dentro de campo, mas carregam a rivalidade da política e da disputa de territórios no sul do continente. Durante a Guerra das Malvinas, o apoio da ditadura chilena de Augusto Pinochet ao Império Britânico nunca foi aceito pelos argentinos. A ponto de criarem uma versão um tanto quanto rancorosa para a canção “Decime que se siente”.

Pois, se depender dos jogadores, este ranço não entra dentro de campo. Javier Mascherano não é o capitão argentino de fato, mas é de direito. E sua postura de líder vai além das broncas no gramado, mas também nas palavras fora dele. Após a goleada sobre o Paraguai, o volante do Barcelona foi questionado sobre o clima explosivo que a decisão poderia ter. E o jogador fez questão de afastar qualquer possibilidade de motivações políticas, com um belo discurso do papel do futebol em unir as pessoas. Que vai muito além de tratar apenas da decisão:

“Tomara que as pessoas possam entender que isto é futebol, que isto é um esporte. O futebol hoje em dia, embora seja um negócio, também continua sendo algo para as pessoas se divertirem. Não uma guerra. Não há guerra, não existe nada disso. O que se passou é passado. Não é para se meter o esporte no meio da política, e de muitas situações que nós tivemos que viver ou eles. Temos que ter em conta que isto é esporte, um esporte saudável, para dar exemplo às crianças. Porque elas têm que crescer sem esse sentimento de violência. Somos países irmãos, temos que nos respeitar e nos ajudar”, declarou.

Sabemos que nem sempre a política se afasta do futebol, e isso já foi usado de argumento pelos próprios argentinos em uma das vitórias mais emblemáticas de sua história, quando Maradona destroçou a Inglaterra. Ainda assim, Mascherano dá exemplo. Por mais que o passado deva ser relembrado, ele não precisa ser revivido. E passando por cima de todas as mágoas é que o futebol pode tornar os dois países “irmãos” mais fortes.