Alejandro Martinuccio foi uma esperança de talento que se perdeu no tempo. O meia habilidoso que estourou no Peñarol vice-campeão da Libertadores nunca se confirmou. Jogou por Fluminense, Villarreal, Coritiba e Cruzeiro, sem deslanchar. Tentava um recomeço na Chapecoense, quando viveu de perto o pesadelo gerado pelo desastre aéreo de 2016. Voltando de lesão, o argentino não voou à Colômbia, mas sentiu intensamente a dor que tomou o clube e os familiares de seus antigos colegas. Até jogou pelo Verdão em 2017, mas logo voltaria ao Nueva Chicago que o lançou, antes de uma passagem pelo Avaí em 2018. E nesta temporada, o armador retornou à Europa. Longe da badalação, tenta a sorte no modesto Mósteles, da quarta divisão do Campeonato Espanhol.

Martinuccio chegou ao clube nanico em agosto. Faz parte de um ambicioso projeto da equipe madrilena, que busca o acesso à terceira divisão. O treinador é Salva Ballesta, atacante que defendeu o Valencia no início da década passada e também foi convocado à seleção espanhola. Na região metropolitana de Madri, Martinuccio busca um pouco mais de qualidade de vida à família, assim como pretende deixar para trás as memórias relacionadas à Chapecoense. Uma mudança de ares completa.

Fundado em 1996, o Móstoles disputa a quarta divisão de La Liga desde 2014/15, quase sempre como figurante. A equipe atua no Estádio El Soto, com capacidade para 14 mil habitantes. A grande marca do futebol na cidade de 200 mil habitantes é Iker Casillas, considerado o “filho preferido de Móstoles”. Todavia, falta representatividade aos times locais para se imporem nas divisões nacionais.

Atualmente, o Móstoles ocupa a nona colocação no Grupo VII da quarta divisão do Campeonato Espanhol. Os quatro primeiros de cada um dos 18 grupos avançam aos playoffs. Apenas quatro equipes conseguem subir à terceirona. Missão dificílima para que Martinuccio faça a diferença. Apesar da realidade modesta, o meia tem sido um personagem recorrente na imprensa espanhola. Por toda a sua história, ele participou nesta semana do programa El Día Después, falando sobretudo da ligação com a Chapecoense. Vale conferir: