A seleção belga sobreviveu às oitavas de final, depois de estar perdendo por 2 a 0 para o Japão. A jogada do gol da vitória, marcado por Nacer Chadli, começou com Kevin de Bruyne puxando contra-ataque, raro momento nesta Copa do Mundo em que o jogador do Manchester City mostrou as armas que o tornaram um dos melhores jogadores da última temporada da Premier League. Mas o técnico Roberto Martínez, em entrevista antes das quartas de final contra o Brasil, afirmou que o papel do meia na Bélgica é mais importante do que se imagina. 

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Tirando a assistência para Lukaku, na estreia contra o Panamá, foi uma das poucas vezes que De Bruyne influenciou no setor mais decisivo do campo. Isso acontece porque ele está atuando em uma função mais recuada na seleção. Ao contrário do Manchester City, quando dá a maioria dos seus toques na bola na intermediária adversária, na Copa do Mundo sua área de ação majoritária está atrás da linha de meio-campo. Em vez de dar a assistência ou chutar de fora da área, De Bruyne contribui com a saída de bola e com a construção recuada de jogo, posicionado ao lado do volante Alex Witsel. 

“Seu papel no nosso time tem sido subestimado”, afirmou. “Talvez porque no clube ele esteja sempre dando uma assistência ou fazendo um gol, seja mais fácil achar um grande momento de Kevin De Bruyne. Eu acho que a sua influência para o nosso time tem sido mais profunda, um pouco antes, permitindo que seu time tenha a influência que tem no campo de ataque e sendo um verdadeiro armador para nós. E, além disso, ele se tornou um líder”. 

Martínez disse que ficou impressionado com a maneira que De Bruyne motivou os companheiros depois do segundo gol japonês. “Eu acho que foi a primeira vez que eu vejo Kevin crescendo e sendo um jogador muito importante para o grupo no gramado, nos momentos importantes. Sempre vou me lembrar do momento, quando perdíamos por 2 a 0 para o Japão, em que era ele mantendo a compostura, dando confiança para o grupo e lembrando a todos que ainda tínhamos tempo de voltar à partida. E acho que este é um papel que nos permite ser um time”, disse. 

“E, então, você vê o terceiro gol e apenas Kevin De Bruyne pode fazer o que ele fez. Não apenas o jeito como ele fez a transição rápida de uma área à outra, mas a qualidade do passe, colocando no caminho de Thomas Meunier de um modo que ele não teve que diminuir o passo para dar a assistência a Nacer Chadli”, acrescentou. “Eu estou contente com o papel de Kevin De Bruyne, a compreensão que ele tem da sua importância para o grupo e com a maneira com que queremos jogar. Ele é essencial para nós”.