Marseille ruma ao vexame histórico na Liga dos Campeões

Olympique de Marselha perde seu quinto jogo consecutivo na LC, acumula exibições sem vontade alguma e assume papel de mero figurante

O Olympique de Marselha caminha a passos largos para um feito histórico na Liga dos Campeões. Longe de cravar uma campanha digna no principal torneio interclubes do continente, a equipe está prestes a estabelecer um recorde negativo. Os marselheses completaram seu quinto jogo consecutivo sem vencer na Champions League. O revés por 2 a 0 para o Arsenal coroa o risível aproveitamento de 0% do time no torneio.

Steve Mandanda foi direto ao ponto após a derrota no estádio Emirates. Categórico, o goleiro fez a constatação mais realista possível: “Estamos muito longe do nível das equipes europeias. É necessário questionar se queremos, um dia, atingir este nível”.  Diante do desempenho passivo contra os Gunners, ele deve esperar por um bom tempo para que os marselheses possam, enfim, criar algum incômodo a rivais de maior peso na LC.

As péssimas apresentações do Olympique de Marselha na Champions pioram ainda mais as condições do futebol francês em nível continental. Para começar, a atual temporada já começou mal para as equipes da Ligue 1 no torneio: apenas duas delas se classificaram para a fase de grupos – o Lyon foi eliminado de forma inquestionável pela Real Sociedad nos playoffs. Nas últimas cinco edições, todos os três representantes franceses participaram da fase de grupos.

A pífia participação do OM em 2013/14 apenas fortalece a tese de que, tirando o Paris Saint-Germain (e possivelmente o Monaco), nenhum clube francês tem condições de brilhar na Champions. Em 2012/13, Lille e Montpellier deram vexame e conquistaram somente três e dois pontos, respectivamente, sendo sumariamente eliminados como lanternas de suas respectivas chaves. O Olympique de Marselha corre grande risco de superar o vexatório desempenho do campeão nacional de 2012 e se tornar o pior francês da história da fase de grupos da Liga dos Campeões.

Há quem relativize a derrota para o Arsenal ao afirmar que o Olympique de Marselha já estava eliminado, não tinha nada para jogar e, por isso mesmo, entrou em campo com um time misto. Também há aqueles que justifiquem as péssimas atuações com o fato de o time ter caído no “grupo da morte”. Contudo, os problemas técnicos do OM fariam a equipe ter problemas mesmo se caísse em uma chave mais acessível. As falhas não sumiriam se os marselheses enfrentassem um Austria Viena ou um Viktoria Plzen.

Elie Baup optou pela escalação de um time misto e resolveu poupar Valbuena e Thauvin para a partida contra o Montpellier pela Ligue 1. Pela primeira vez, Lemina foi escalado entre os titulares. Na frente, o trio Khalifa, Gignac e Jordan Ayew teria a responsabilidade de incomodar a defesa dos Gunners. Este último, especialmente, perdeu completamente o bonde da partida e estava em outra frequência, tal sua participação inexistente.

Enquanto Mandanda salvava a pátria com suas defesas providenciais, o restante da defesa pecava pela falta de solidariedade – defeito que contaminou toda a equipe. O gol marcado por Wilshere logo nos primeiros segundos desmontou o OM, mas o Arsenal nem precisou forçar o ritmo para se impor sobre o rival. Os próprios marselheses se encarregaram de enterrar qualquer chance de reação.

Seja com um time misto ou sua formação principal, o OM apresenta uma falta de espírito vencedor inquietante. O time assumiu a condição de figurante e se apequenou, entregando-se à eliminação antes mesmo de a bola rolar. Mesmo com a nítida superioridade de seus adversários, o mínimo que se esperava desta equipe era algum espírito de luta, o que não se verificou em grande parte de suas exibições até aqui.

De novo

O Saint-Étienne cumpre uma boa campanha na Ligue 1, mas o comportamento de uma parte de sua torcida tem manchado as exibições da equipe. Mais uma vez, os Green Angels apareceram com destaque, mas não pelo apoio aos Verdes na vitória por 1 a 0 sobre o Nice fora de casa. A torcida organizada protagonizou outro episódio de violência e está mais do que na hora de haver um basta.

Cerca de uma hora antes do pontapé inicial, os Green Angels protagonizaram mais cenas lamentáveis. Eles arrancaram diversas cadeiras do Allianz Riviera e as arremessaram na direção dos torcedores do Nice, dando início a uma violenta briga. O saldo da selvageria: 200 cadeiras arrancadas, oito feridos (dois deles funcionários do estádio) e a necessidade de uma ação dura dos seguranças para evacuar o local para garantir condições mínimas para o início do jogo.

Para refrescar a memória, os Green Angels já haviam causado confusão no dérbi contra o Lyon no Geoffroy-Guichard. Joël Bats, preparador de goleiros do OL, teve uma ideia de jerico e resolveu pendurar um cachecol da equipe bem nas redes do gol localizado na frente da torcida organizada do ASSE, como uma forma de homenagear os torcedores lioneses – cuja presença foi vetada exatamente por questões de segurança. Foi o suficiente para incitar os ânimos já exaltados e quase provocar uma tragédia.

Frédéric Thiriez, presidente da Ligue de Football Professionel, pediu uma reunião no ministério do Interior para cuidar exatamente do deslocamento de torcedores para jogos fora de casa. De nada adianta aparecer depois dos tristes episódios e vomitar palavras de ordem, clamando por punições rigorosas e todo aquele velho discurso reciclado pelos dirigentes e políticos nestas ocasiões. É preciso tomar medidas enérgicas, e não ficar apenas na retórica.

Os ultras do Saint-Étienne têm repetido frequentemente as ações violentas dentro e fora dos estádios, seja no Geoffroy-Guichard ou nas casas dos adversários. Que sejam postas em prática medidas rígidas para conter a proliferação destes atos, como proibir a presença dos Green Angels em partidas dos Verdes como visitante, ou interditar o setor do estádio no qual eles costumam ficar e impedir a presença deles em outras áreas.

Em casos mais drásticos, o Saint-Étienne deve ser punido, sim, por conta do comportamento de parte de seus torcedores. Perda de mando de campo, multas pesadas e, mais radical ainda, perda de pontos parecem medidas apropriadas para frear o ímpeto destes marginais travestidos de torcedores que infestam as arquibancadas. O que as autoridades não devem fazer é vir a público, repetir um discurso pronto e vazio, prometer meia dúzia de ações e torcer para que tudo caia no esquecimento.