Passou por um, dois, três, quatro. E, de frente para o gol, não titubeou: encheu o pé para estufar as redes. Golaço de Marinho, que comemorou entre a explosão da corrida desvairada e a malemolência de sua irreverente dancinha. Durante o segundo tempo, o camisa 7 deixou o campo, substituído. Mesmo assim, ao apito final, recebeu os abraços dos companheiros e se estirou no chão, por puro alívio. Aquela pintura valeu muito além de sua beleza. Foi uma obra-prima que praticamente livra o Vitória do risco de rebaixamento, com o triunfo por 1 a 0 sobre o Coritiba dentro do Couto Pereira.

Diria um amigo jornalista e torcedor do Vitória, com o bom humor peculiar ao povo baiano, “a torcida do Barcelona ‘tá chamando um jogador deles de Messirinho pra fazer alusão a Marinho”. E o gol desta segunda só deu mais motivos para a galhofa. O futebol que o atacante vem exibindo é para o rubro-negro rir à toa. Afinal, se o Vitória escapa do rebaixamento, boa parte dos méritos vai para a fase espetacular de ‘Di Marinho’. Não foram poucos os momentos em que ele carregou o time nas costas. Sem qualquer exagero, dá para apontá-lo como o melhor jogador do Brasileirão nesta reta final. Desde a vitória sobre o São Paulo, no fim de setembro, o alagoano fez sete gols e deu seis assistências em oito jogos. Participou diretamente de 72,2% dos tentos anotados pelos baianos neste intervalo.

Nesta segunda, Marinho mais uma vez serviu de referência ao ataque do Vitória. Jogando pelo lado direito, incomodou com suas arrancadas e foi quem mais arriscou a gol. O triunfo rubro-negro, de qualquer maneira, também dependeu da capacidade defensiva. E, neste sentido, preponderou a grande atuação de Fernando Miguel. O goleiro é outro que merece estar entre os melhores do campeonato, independente da situação do Vitória. O camisa 1 segurou o Coritiba principalmente no segundo tempo. Os dois protagonistas de três pontos fundamentais.

Com o resultado, o Vitória chega aos 45 pontos, três a mais que o Internacional. Na última rodada, para os baianos caírem, precisam: perder para o Palmeiras no Barradão; ver o Inter bater o Fluminense no Maracanã; e os colorados ainda tirarem cinco gols de diferença no saldo. Ou seja, uma combinação que se sugere muito difícil. O empate já será suficiente para romper a festa dos rubro-negros.

Marinho, por sua vez, desponta para ser carregado nos braços por seus torcedores. O que o camisa 7 vem fazendo é muito acima da média. E deve abrir portas rumo ao próximo ano. Que ainda seja lembrado pela clássica entrevista quando defendia o Ceará, o atacante vale muito mais do que isso. Por suas entrevistas sinceras e bem colocadas também. Mas muito mais pela bola que joga neste momento, de qualidade e de importância imensa ao Vitória. A idolatria que recebe no Barradão representa demais a sua fase.