Na temporada em que queria dar um passo à frente, o Everton acabou dando alguns para trás. O treinador Marco Silva balançava no cargo há semanas e não aguentou a derrota por 5 a 2 para o Liverpool, na última quarta-feira, que colocou o clube na zona de rebaixamento, com 16 rodadas disputadas da Premier League. A demissão do português deixa os Toffes, mais uma vez, em busca de um novo rumo.

Ele achava que havia encontrado quando a temporada começou. O time havia passado por altos e baixos na campanha anterior, mas a terminara em alta, com bons resultados contra os grandes e com solidez defensiva. Silva foi mantido sem contestações, apenas um titular foi vendido, e reposto, e o novo poder de investimento do Everton trouxe reforços para qualificar o elenco.

A esperança ruiu rapidamente com os péssimos resultados. São apenas duas vitórias nas últimas 11 rodadas da Premier League, com oito derrotas. É um time frágil dentro de casa, derrotado por Sheffield United e Norwich, dois recém-promovidos, que leva muitos gols de bola parada, não tem poder de reação para virar as partidas e segue com sérias dificuldades no setor ofensivo.

Os reforços não corresponderam. Moise Kean foi contratado da Juventus como uma aposta para preencher o vácuo de artilheiro que perdura no Goodison Park desde a saída de Romelu Lukaku e ainda não marcou o seu primeiro gol. Iwobi segue sendo Iwobi, e as novidades no meio-campo sofreram com problemas físicos.

Contratado para o lugar de Idrissa Gueyé, Jean-Philippe Gbamin fez apenas dois jogos antes sofrer uma séria lesão. André Gomes e Fabian Delph também estão no estaleiro, e Schneiderlin nem tem sido relacionado. Nos últimos jogos, Silva foi obrigado a mudar a formação para três zagueiros, com o jovem Tom Davies como seu único meia central/volante de origem.

Sem reforços para a defesa, desfalcada por Kurt Zouma, que estava emprestado na temporada passada e retornou ao Chelsea, Marco Silva deixou o Everton na 18ª posição, com quatro vitórias, dois empates e nove derrotas, a quarta pior defesa e o quarto pior ataque da Premier League.

“O Everton confirma que o treinador Marco Silva deixou o clube. O acionista majoritário Farhad Moshiri, o presidente Bill Kenwright e o conselho de diretores gostariam de agradecer Marco pelo seu serviço durante os últimos 18 meses e lhe desejam o melhor no futuro”, comunicou o clube, que apontou Duncan Ferguson como treinador interino para o jogo contra o Chelsea, no sábado, e disse que buscará uma solução permanente o mais rápido possível.

O problema é que o nome mais forte para assumir o Everton no momento vem direto da máquina do tempo: David Moyes. Desde que saiu do Goodison Park como o sucessor de Alex Ferguson, Moyes teve péssimas passagens por Real Sociedad, Sunderland e West Ham. Seria uma loucura contratar Moyes como uma “solução permanente”, e não um bombeiro para terminar a temporada, como foi Sam Allardyce depois da demissão de Ronald Koeman, antes de procurar um nome que desse um pouco mais de esperança a uma torcida que está cansada de se decepcionar.