O Athletico Paranaense precisava se reerguer. Após a derrota na decisão da Recopa Sul-Americana, quando o time bateu de frente com o River Plate, a Copa do Brasil oferecia uma oportunidade para recuperar a motivação – após a boa vitória sobre o Fluminense no Brasileirão. O Fortaleza era um adversário duro e o empate sem gols na visita ao Castelão mantinha o confronto pelas oitavas de final aberto. Pois o herói seria a principal adição ao time na temporada: Marco Ruben, impressionantemente decisivo. O argentino coleciona grandes partidas com a camisa rubro-negra, sobretudo nos torneios continentais. Desta vez, desequilibrou também nos mata-matas. Aos 42 do segundo tempo, o argentino determinou a vitória por 1 a 0 e carimbou a passagem do Furacão na Arena da Baixada.

Ruben tem virtudes conhecidas. É um atacante sempre à espreita, que se posiciona muito bem e sabe aproveitar as chances que recebe. Seu impacto no Athletico foi imediato, principalmente na fase de grupos da Libertadores, encaminhando a classificação aos mata-matas. A atuação contra o Boca Juniors é daquelas que valem a idolatria instantânea a qualquer jogador. E mesmo que a frequência dos gols tenha rareado com o início do Brasileirão, o veterano dá sua contribuição pela maneira como facilita o dinamismo do ataque rubro-negro. A parceria com Rony, principalmente, é importante.

O jogo na Arena da Baixada se alinhava a favor do Athletico, mas estava longe de ser simples. O Fortaleza veio disposto a se defender, mas não era mero espectador. Apesar do início controlado pelo Furacão, o Leão do Pici criou as primeiras chances de perigo, à medida que passava a tensão inicial. Os rubro-negros só passaram a achar os espaços nos 15 minutos anteriores ao intervalo, arriscando contra a meta de Felipe Alves. Na melhor chance, Léo Pereira soltou uma bomba que carimbou a trave.

No segundo tempo, o Fortaleza ainda teve uma chegada ou outra, mas a pressão era do Athletico. Tiago Nunes deixou o time mais ofensivo, com a entrada de Marcelo Cirino no lugar de Wellington. Orquestrado por mais uma exibição ótima de Bruno Guimarães, o time encontrava dificuldades na hora de finalizar e só viu o duelo se abrir quando Carlinhos foi expulso, aos 36. Seria necessária a perseverança dos paranaenses para a vitória. Após uma defesa milagrosa de Felipe Alves contra Cirino, as redes balançaram aos 42. Marco Ruben brilhou. O cruzamento de Madson veio na medida e o argentino fez o movimento perfeito, vindo de trás, como elemento surpresa. Emendou o peixinho letal. No fim, Santos ainda precisaria trabalhar para evitar o empate. Mas a noite na Baixada já tinha o seu protagonista.

Aos 32 anos, Marco Ruben sempre foi um nome possível e pouco considerado ao futebol brasileiro. Após a famosa recusa de Cuca, o Athletico Paranaense foi mais inteligente, ao buscar o ídolo do Rosario Central. Colhe os frutos. O argentino anotou nove gols em 14 partidas pelos rubro-negros, quase todos essenciais. Muito graças a ele, o time apresenta sua força na Libertadores e segue firme na Copa do Brasil. Em um grupo essencialmente jovem, o medalhão agregou demais. É um diferencial que permite aos paranaenses aumentarem sua competitividade.