“Ainda é possível negar as alterações climáticas? Secas prolongadas, inundações violentas, tempestades e furacões cada vez mais intensos e cada vez mais violentos, ondas de calor estão na ordem do dia. Afetam as nações e as populações mais fracas, mas também cada um de nós”. Esse discurso, ou variações dele, poderia ser facilmente encontrado em alguma conferência sobre aquecimento global, com líderes mundiais e ativistas, mas foi publicado no Facebook de Claudio Marchisio, meia da Juventus.

LEIA MAIS: Nos 20 anos da estreia de Buffon pela seleção, 20 defesas lendárias com a camisa azzurra

Curioso, o site Lifegate entrevistou Marchisio para descobrir mais sobre suas posições em relação às mudanças climáticas, assunto em pauta na agenda mundial. Em 2015, 195 países aprovaram o Acordo de Paris para reduzir a emissão de gases do efeito estufa. A meta é manter o aquecimento global abaixo dos dois graus celsius. Uma nova conferência sobre o clima será realizada a partir de 6 de novembro, em Bonn, na Alemanha.

“Trata-se simplesmente de uma questão de consciência”, afirma Marchisio. “A mudança climática é um fenômeno concreto que se manifesta com violência no nosso cotidiano em todas as partes do mundo. Não temos mais tempo. Os furacões Harvey, Irma, a seca, o fenômeno migratório, colheitas precoces, mares ascendentes, desertificação e empobrecimento progressivo dos solos são parte das consequências das mudanças climáticas. Não são eventos recordes para serem registrados nos anais, são a normalidade que vivemos. Para imaginar uma mudança de curso, acredito que cada um de nós precisa desempenhar um papel fundamental, mas também espero que essa questão seja abordada com a devida atenção pelas instituições”.

O principal foco das ações contra as mudanças climáticas costuma ser a substituição de combustíveis fósseis por fontes de energia mais limpas. Marchisio adota outra linha: apoia a organização Slow Food e a campanha Menu for Change, que busca conscientizar as pessoas sobre a importância de consumir comidas “boas, limpas e justas”. Porque a alimentação também é responsável por significativas emissões de gases do efeito estufa.

“Vamos pensar sobre o que está acontecendo todos os dias em nossas casas. A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura estima que os europeus desperdiçam 179 quilos de comida por ano. Os alimentos que são eliminados são responsáveis pela produção de uma grande quantidade de gases de efeito estufa. A nutrição é, portanto, decisivamente responsável por essa situação, e cada pessoa pode desempenhar um papel decisivo adotando comportamentos virtuosos. Como? Ao preferir produtos próximos, comendo menos carne e evitando o que provém da criação intensiva. E depois colocando algumas perguntas mais simples: como foi produzida a comida que consumimos? Da onde vem? Quanta energia e quanta água são necessárias para produzi-la?” explicou.

Marchisio não tem medo de receber críticas pelas opiniões que expõe. Acredita que os jogadores de futebol podem fazer mais do que estão fazendo, e talvez não estejam porque mudanças climáticas ainda são vistas como algo distante, contra as quais ações pessoais não fazem efeito. Mas, para ele, o mundo do futebol pode desempenhar um papel educativo e de conscientização.

“Quando discuto ou tomo posições sobre questões relacionadas à atualidade, nunca penso no problema de qual seria a reação da opinião pública. Na minha vida cotidiana, sou apenas Claudio, um rapaz com uma bela família que, como todos, tem opiniões sobre os problemas e os desafios do mundo. Sempre tento expressar meu ponto de vista de uma maneira categórica, mas educada, embora isso não me isente de críticas. E se a minha exposição na mídia pode ajudar a aumentar a conscientização das pessoas sobre o questões que considero importantes, então só posso ficar feliz (mesmo ao custo de receber críticas)”, finalizou.

Marchisio, 31 anos, foi formado e criado na Juventus. Retornou de lesão semana passada, disputando 14 minutos contra a Spal, apenas sua segunda partida na temporada.


Os comentários estão desativados.