Diego Maradona e Lionel Messi possuem uma relação particular. Em 2010, juntaram forças para conquistar a Copa do Mundo, em experiência que acabou como decepção. A velha lenda, entretanto, prefere tirar das costas do gênio atual o peso da responsabilidade. Para Diego, Messi não precisa de uma Copa do Mundo para ser equiparado aos melhores da história. Indica como cada um escreve sua própria trajetória, evitando comparações com sua eterna conquista na Copa de 1986.

“Eu aconselharia Messi a seguir em frente, desfrutando seu jogo. Ele precisa ignorar as críticas – se ele pode ganhar ou não a Copa do Mundo, a Liga dos Campeões, a Copa do Rei. Ele não precisa demonstrar nada. Tem que curtir o jogo dentro de campo”, analisou Maradona, que também preferiu negar qualquer paralelo entre si e o artilheiro. “Ele é canhoto, gosta de jogar. Eu tenho 57 anos e acabei de jogar futebol. Olhem para mim, estou morto! Mas ainda quero continuar chutando uma bola. E acho que somos muito parecidos neste sentido”.

Além disso, Maradona demonstrou sua crença sobre uma boa campanha da Albiceleste na Rússia, especialmente por aquilo que os jogadores poderão oferecer individualmente a partir de junho. “Eu não conheço Sampaoli, eu não sei como ele trabalha. Mas conheço muitos dos nossos jogadores e tenho certeza que eles darão seu máximo. Acho que será uma boa oportunidade de vencer. Mas eu não escolheria a Argentina como favorita, porque o grande favorito nunca é campeão”, brincou.

Jorge Sampaoli, por sua vez, também exaltou Messi em entrevista coletiva antes do amistoso contra a Itália, em Manchester. O comandante declarou a importância vital do camisa 10 em seu esquema de jogo e na maneira como se faz o planejamento da equipe, pensando no craque.

“Se Leo está bem, vai terminar sendo uma equipe mais dele do que minha, relacionada pela maneira como se move dentro de campo. Ele joga cada vez melhor. Leo está em um momento de maturidade, de muita responsabilidade sobre o que pode outorgar ao resto. Nestes treinamentos, jogou de maneira incrível e potencializou a todos. Está nos ajudando muito. Isso vai converter a equipe em sua”, analisou.

“Penso mais no arco adversário do que no nosso. Temos que ver o formato em que vamos jogar, quais jogadores estarão em campo, a formação, quais se saem melhor com isso. Está tudo dentro do planejamento e a ele damos uma importância decisiva. Esse magnetismo que tem Leo é um plus, gera que alguém esteja obrigado a conduzir e acompanhar de outro lugar”, complementou.

Por fim, o treinador indicou que o caminho de Mauro Icardi e Paulo Dybala, ausentes nesta convocação, é mais longo rumo à Copa do Mundo: “Quando assumi, Icardi foi o escolhido, mas com o passar do tempo entendemos que havia bastante diferença entre o que acontecia no clube e o que se passava aqui. É um caso parecido ao de Dybala. Na seleção, o tempo de adaptação é curto. Não descarto Mauro, mas temos que decidir nossa lista com base na maneira como os jogadores se relacionam. Já Dybala ganhou muitos pontos pela anarquia em seu clube, mas o ideal é que se potencialize com estes jogadores. Pensamos que ele era top, mas depois ou não soubemos transmitir ou ele não entendeu o que pretendíamos. Veremos nestes amistosos se alguém funciona melhor. O ideal seria colocar um jogador onde não precise de adaptação. Prejudicamos eles quando não os colocamos nas posições habituais”.