Para surpresa de absolutamente ninguém, o Brasil receberá a próxima decisão única da Copa Libertadores. Nesta semana, a Conmebol havia anunciado os estádios que se prontificaram a sediar o “evento”, e parecia um pouco óbvio que o Maracanã era o principal candidato a vencer a concorrência. Dito e feito: nesta quinta-feira, a confederação sul-americana confirmou que o Maraca receberá a finalíssima de 2020.

Entre os debates mais do que pertinentes sobre a final única, o principal entrave está sobre a maneira como as torcidas perderam o direito de fazer a festa em seu próprio estádio. Seja quais forem os vencedores das semifinais desta edição, o clima em Santiago não será o mesmo que se viveria em Buenos Aires, no Rio de Janeiro ou em Porto Alegre. A chance de decidir em casa pode até servir de motivação a mais para os cariocas em 2020. Todavia, mesmo que os preços sejam restritivos de qualquer maneira, a festa tende a ser bem diferente na final única.

Outra questão sobre a América do Sul está no número de países do subcontinente. Se a Champions League permite uma rotatividade maior na Europa, o mesmo não acontece por aqui. Antes que a Conmebol mande os sul-americanos às favas e comece a fazer a decisão anualmente em Miami, a partida tende a ser repetidas vezes organizada no Brasil ou na Argentina. São os dois países que possuem mais estádios aptos, até pela arenização recente de ambos. São os dois países com maior poderio econômico para gastar com ingressos. Assim, perde também um pouco da força o discurso sobre o tal “campo neutro”.

A candidatura à final de 2020 foi um exemplo. De oito estádios, apenas dois não eram brasileiros: o Nacional de Lima e o Mario Kempes, em Córdoba. Mineirão, Arena do Grêmio, Beira-Rio, Morumbi e Arena Corinthians também estavam no páreo. Sobrou à mística do Maracanã, tão modificado em relação ao que já foi. Como prêmio de consolação, a Argentina ficará com a final da Copa Sul-Americana, no próprio Estádio Mario Kempes – que, entre outros, disputava também com o Mané Garrincha.

Não há dúvidas que uma final de Libertadores em jogo único pode ter seu “charme próprio” – assim como será no Estádio Nacional de Santiago. Porém, perde-se um tanto de sua essência. Entre muita gente que estará lá de gaiato e uma minoria de torcedores que poderá fazer a viagem, a final desperdiça aquele que era justamente o seu maior encanto: as arquibancadas cheias e pulsantes com as cores da torcida mandante e as características de cada canto do continente. Não era festa para todos, mas era festa para bem mais. Agora, o espetáculo nas cidades tende a ficar restrito às despedidas e, taça em mãos, à recepção do campeão. É a fresta que resta para abrir os portões da própria casa.