Há exatos 25 anos, a Alemanha voltava a se tornar uma só. O Muro de Berlim já havia sido derrubado meses antes, em novembro de 1989. No entanto, a integração entre o lado Ocidental e Oriental só se oficializou em 3 de outubro de 1990. Momento em que, particularmente, os alemães viviam a euforia com o futebol. Os ocidentais conquistaram o tricampeonato mundial em 1990, um título comemorado também pelos orientais. No entanto, a seleção do leste ainda fez a sua última partida em setembro, em amistoso contra a Bélgica. Despediu-se de maneira gloriosa, batendo os belgas por 2 a 0, com gols daquele que seria o craque da primeira conquista do país reunificado: Matthias Sammer, protagonista do Nationalelf no título da Eurocopa de 1996.

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Duas décadas e meia depois, o lado oriental da Alemanha ainda tenta acompanhar o ritmo dos ocidentais. A transição entre comunismo e capitalismo não foi um processo simples, e a defasagem econômica permanece evidente. As maiores taxas de desemprego no país estão no leste (entre 9% e 13%), enquanto o Produto Interno Bruto só corresponde a 15% do total da maior economia da Europa. Questões que impactam sobre toda a sociedade, inclusive sobre o futebol.

Logo de cara, a maioria dos clubes que faziam sucesso na Alemanha Oriental perdeu os privilégios estatais que tinham e sofreu com a debandada de seus melhores jogadores para o oeste. Além disso, o Campeonato Alemão-Oriental acabou tratado como uma segundona na unificação com a Bundesliga, já que apenas os dois primeiros colocados ganharam o direito de disputar a elite ocidental. E a transformação da economia no oeste levou os clubes a um ciclo de desgraças: problemas financeiros crônicos diminuíram a competitividade das equipes, assim como a baixa oferta de patrocínios. Sem dinheiro, era mais difícil segurar os melhores jogadores ou investir na base, com a perda de promessas, a exemplo do que aconteceu com Toni Kroos ou Michael Ballack. Isso acabava esvaziando estádios e fazendo as novas gerações de torcedores abraçarem times do oeste.

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Não à toa, apenas quatro times alemães-orientais disputaram a elite da Bundesliga: Dynamo Dresden, Lokomotiv Leipzig, Hansa Rostock e Energie Cottbus. Os problemas financeiro se tornaram rotina, e muitos clubes tradicionais declararam falência, como o Magdeburgo, o Dynamo Berlim, o Erzgebirge Aue e o Sachsen Leipzig – este, ainda hoje permanece extinto. E, nesta gangorra, começaram a se fortalecer no leste os times que não tinham presença tão forte do governo e sequer figuravam na primeira divisão da antiga Oberliga.

Atualmente, apenas dois times alemães-orientais figuram na segundona da Bundesliga. O RB Leipzig, um caso à parte, que surgiu para evitar um elefante branco da Copa de 2006 e possui um projeto comercial ambicioso; além do Union Berlim, mantido graças à força de sua torcida. Na terceirona, são oito equipes, com destaque para o Dynamo Dresden, que lidera a atual temporada com nove pontos de vantagem e vive momento de alta, após superar a crise financeira. Abaixo, algumas das camisas mais pesadas surgem na quarta e na quinta divisão, já regionalizadas. E outros tantos participantes da Oberliga aparecem nos níveis amadores.

Abaixo, preparamos um mapa para identificar onde estão os 43 clubes que disputaram o Campeonato Alemão-Oriental. Estes são destacados pelo asterisco à frente do nome. Além disso, também apontamos os outros times do leste nas quatro primeiras divisões. Confira:

Tabela com os nomes e as cidades de clubes da Alemanha Oriental

Tabela com os nomes e as cidades de clubes da Alemanha Oriental

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