O Palmeiras não demorou a anunciar o seu novo técnico, depois da demissão de Luiz Felipe Scolari na noite de segunda-feira. No lugar do ex-treinador da seleção brasileira, um nome que também comandou o Brasil: Mano Menezes, de 57 anos, acertou contrato até o fim de 2021 e traz os seus consigo: o auxiliar Sidnei Lobo e o preparador físico Eduardo Silva (o Dudu). A escolha de Mano Menezes levanta muitas desconfianças dentro e fora do clube, e com toda razão.

A demissão de Felipão foi uma surpresa maior do que a escolha de Mano Menezes. O treinador já era pretendido pela diretoria de Maurício Galiotti há bastante tempo. Ao final de 2016, depois de conquistar o título e da saída de Cuca, o Palmeiras procurou por Mano para tirá-lo do Cruzeiro. O treinador ficou balançado, mas recebeu proposta do time mineiro, com seu contrato melhorado, para continuar na Toca da Raposa.

Uma nova consulta viria em 2018. Quando Roger Machado balançava e, enfim, acabou demitido, Mano foi novamente procurado. Preferiu sequer ouvir proposta e continuou no Cruzeiro. Por isso, não chega a ser uma surpresa esse interesse palmeirense em contar com o treinador gaúcho.

O último trabalho de Mano Menezes foi no Cruzeiro, onde há um certo sabor agridoce. Vieram dois títulos de Copa do Brasil, em 2017 e 2018, mas o futebol que o time apresentava foi ficando pior ao longo do tempo. As críticas ao seu tipo de jogo eram rebatidas com os resultados, sempre chacoalhados como estandartes de uma eficácia no fio da navalha.

Mano Menezes foi o técnico das Copas. Ou melhor, da Copa do Brasil. Na copa nacional, o Cruzeiro conseguiu dois títulos, em 2017 contra o Flamengo, nos pênaltis, e depois diante do Corinthians, em 2018, se impondo pela qualidade diante de um rival que, assim como os times de Mano, se defendia muito bem.

Na Libertadores, nos dois anos, o Cruzeiro acabou eliminado, deixando a desejar. Em 2018, diante do Boca Juniors, a eliminação acabou ofuscada em parte por um claro erro de arbitragem que prejudicou demais o clube na Bombonera, com uma injusta expulsão de Dedé. Em 2019, diante do River Plate, o Cruzeiro jogou pouco nos dois jogos e, nos pênaltis, acabou eliminado. Nos dois casos, o questionamento foi a falta de futebol dos celestes.

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Se na Libertadores, obsessão alviverde, o técnico Mano Menezes não conseguiu ter um desempenho que levasse o time a fases mais agudas, no Campeonato Brasileiro o time vai continuamente mal. Em 2016, o técnico chegou para salvar a equipe do rebaixamento, depois da péssima campanha sob o comando de Paulo Bento. Ele conseguiu, com sucesso. Terminou em 12º.

Em 2017, o time conseguiu ir melhor, terminou em quinto lugar, mas muito longe da disputa do título. Acabou classificado à fase de grupos da Libertadores pelo título da Copa do Brasil. No Brasileiro, a irregularidade tirou a chance de qualquer briga pela taça, mesmo com o Corinthians tendo caído demais no segundo turno. Em 2018, a campanha piorou, o time ficou em oitavo na tabela, e, mais uma vez, o desempenho fraco no Brasileiro foi salvo pelo título da Copa do Brasil, que veio de forma salvadora.

Na segunda-feira à noite, poucas horas depois da queda de Felipão, publicamos que a demissão do técnico deveria significar também um ponto de inflexão ao Palmeiras. Passada a madrugada, a manhã de terça-feira já teve Mano Menezes anunciado pelo site oficial do clube, às 11h. Uma tratativa rápida que pareceu indicar que os interesses dos dois lados estavam bastante alinhados, para dizer o mínimo.

“Será uma honra dirigir a Sociedade Esportiva Palmeiras. Minha trajetória vem ao encontro do que pensam o clube e sua imensa torcida. O respeito construído como adversário agora nos torna parceiros. Estilo de jogo se constrói com um grupo de jogadores qualificados, e isso certamente temos. As conquistas serão resultado do somatório dessas forças. Os adversários devem ser os outros. Para seguir conquistando, vamos em frente. Que assim seja”, disse o treinador na nota oficial divulgada pelo clube.

O inconformismo de grande parte da torcida com o que o Palmeiras apresenta em campo vinha do time ter investido, ter um bom elenco e, mesmo assim, parecer incapaz de competir contra o Flamengo, que se tornou o principal rival potencial. Em campo, os dois times pareceram de níveis completamente diferentes, e não são. A crítica a Felipão passava pelo seu estilo de jogo, mas também pela eficiência da ideia que o time apresentava. Nem mesmo dentro do que o técnico se propunha o alviverde conseguia executar bem. Isso já estava claro.

A dúvida era se Felipão conseguiria retomar o acerto defensivo e a eficiência que o time teve em 2018, sendo um time seguro na defesa e explorando bem os seus bons jogadores de ataque, especialmente Dudu. Felipão, que tinha história, sempre se defendeu de forma parecida com Mano: com os resultados que trazia.

Felipão ainda tinha a história e a idolatria da torcida. Mesmo assim, o desgaste foi aumentando, e a diretoria não segurou a marimba e sucumbiu. Entregou a cabeça do seu treinador, mesmo sendo uma figura histórica, e agora traz um treinador que chega de forma muito diferente do próprio Felipão. Em 2018, Roger Machado sofria com muitas críticas, boa parte delas justas, por um time que parecia não conseguir render bem em campo. Felipão não vinha de grandes trabalhos, mas tinha o carinho da torcida, a idolatria, o passado e conseguiu resultados imediatos que ajudaram os desconfiados a abraçar de vez o scolarismo.

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Alexandre Mattos tem sido questionado como poucas vezes desde que chegou ao clube, em 2015. Terá que lidar com a pressão por montagem de elencos recheados de jogadores bons, sim, mas desequilibrados. E suas negociações, olhadas sob uma lupa, são bastante questionáveis. Muitos grandes jogadores chegam, mas saídas de atletas da base incomodam parte da torcida. E a sua permanência, diante da saída de um ídolo como Felipão, coloca ainda mais pressão nas suas costas.

Mano Menezes não tem idolatria, não tem história e também não tem um trabalho recente que  ajude a referendar a escolha da diretoria do Palmeiras. O treinador tem capacidade para fazer mais do que fazia com o Cruzeiro, só que, mesmo com esse apoio de uma torcida que confiava nele, como a do time celeste, o desgaste se tornou grande demais para aguentar. O treinador precisará mostrar mais no Palmeiras do que mostrou na Toca da Raposa – e em menos tempo.

Em 2016, Mano chegou para salvar um time que era bom do rebaixamento. Desta vez, chega em um clube forte, com elenco recheado, mas cheio de problemas. A pressão externa será grande, e, pelo que mostrou a diretoria do Palmeiras, a interna também será, porque, se nem Felipão era grande o bastante para a direção segurar o rojão, que dirá Mano. O treinador tem a sua capacidade questionada desde o anúncio. Será assim na sua apresentação e também desde o primeiro jogo.

Mano Menezes terá estes últimos três meses do ano para conquistar a confiança dos palmeirenses. Precisará mostrar que não faz jus ao rótulo de retranqueiro que ganhou  – e que não dá para dizer que é injusto. O seu passado no Corinthians também é uma sombra. Parece uma grande oportunidade para Mano mostrar o técnico que é, se livrar dos rótulos que o cercam e aproveitar um elenco cheio de bons jogadores, ainda que desequilibrado em alguns setores. Mano caiu para cima, não porque o Cruzeiro seja menos que o Palmeiras, mas porque o Cruzeiro brigava contra o rebaixamento com o treinador lá, e o Palmeiras briga pelo título, apesar do momento ruim.

A contratação de Mano Menezes sugere uma defesa que ninguém passa, mas o sonho de todo torcedor palmeirense é ver o alviverde imponente. O novo treinador precisa fazer do Palmeiras um time que sabe sempre levar de vencida e mostrar que, de fato, é campeão.

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