Firmino é o cérebro do ataque, o lubrificante que faz a engrenagem funcionar e melhora os companheiros. Salah, com números de grande artilheiro, empilha recordes e prêmios. Em comparação, Sadio Mané, muitas vezes, acaba ficando ofuscado, mas, nesta quarta-feira, na Allianz Arena, foi o senegalês quem decidiu a classificação do Liverpool às quartas de final da Champions League, com vitória por 3 a 1 sobre o Bayern de Munique. E não foi a primeira vez.

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Mané chegou do Southampton, em 2016, por £ 37 milhões, valor alto naquela época – a inflação do mercado europeu foi galopante. Havia certos questionamentos, que ele fez questão de afastar imediatamente com uma excelente temporada, antes de se machucar na reta final. Demorou para engrenar na campanha seguinte, já com Salah no time, mas foi importantíssimo na caminhada rumo à final europeia.

Mané fez sete gols nos sete jogos de mata-mata da última Champions League, decisivo especialmente contra a Roma, na semifinal. E na decisão contra o Real Madrid, depois que Salah saiu machucado, chamou a responsabilidade, empatou a partida e foi responsável por soprar um pouco de esperança ao time do Liverpool. Não deu para ser campeão, mas ele mostrou muita personalidade em Kiev.

A temporada de Mané, novamente, começou devagar. Ele marcou apenas uma vez na fase de grupos e anotou sete tentos nas primeiras 19 rodadas da Premier League, referentes ao primeiro turno. Mas está crescendo na hora certa. A sequência com quatro empates e quatro vitórias nas últimas oito partidas da liga inglesa, que passou a liderança às mãos do Manchester City, poderia ter sido pior não fossem os oito gols do senegalês nesse período.

E contra o Bayern de Munique, Mané foi simplesmente espetacular. Teve muita inteligência para fazer o primeiro gol. Saiu nas costas de Rafinha e dominou a bola já ciente de que Neuer estava saindo para abafá-lo. Deu um corte simples para fora e rapidamente emendou com a canhota para fazer 1 a 0. Deu um passe açucarado para Robertson, que parou em Neuer, e fez o segundo, como bom centroavante, completando o cruzamento de Salah com a cabeça.

Mané muitas vezes recebe críticas por perder gols fáceis, o que ele realmente faz de vez em quando, mas, entre os três grandes jogadores de ataque do Liverpool, tem se mostrado o que melhor consegue crescer nos momentos decisivos e assumir a responsabilidade, e isso não é menor do que a inteligência de Firmino ou os gols de Salah.

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