Um time que tem Lionel Messi nem precisa fazer grandes jogos o tempo todo. A capacidade do craque em decidir jogos se mostrou mais uma vez impressionante no jogo de volta do Barcelona contra o Manchester United, pelas quartas de final da Champions League. O argentino foi o grande artífice dos 3 a 0 do Barcelona, com dois gols e participação no terceiro. Nem foi uma grande atuação do Barcelona. Foi até um tanto burocrática. O Manchester United foi bem decente em campo, não fez um jogo ruim, ao contrário. Só que se Messi é pelo Barcelona, quem pode ser contra? E não se trata aqui de capaz de ser contra no sentido de torcida. É no sentido de ser capaz de impedir que Messi seja tão decisivo quanto foi, mais uma vez, nesta terça.

O Barcelona trouxe a escalação esperada, sem novidades. Philippe Coutinho pela esquerda do ataque, com Arthur no meio-campo e Sergi Roberto desta vez na lateral, em vez de Nelson Semedo. No Manchester United, quem apareceu no time foram os atacantes Anthony Martial e Jesse Lingard, formando um trio com Marcus Rashford. O atacante Lukaku foi para o banco. No meio-campo, Fred ficou mais recuado, com Paul Pogba pela esquerda e Scott McTominay pela direita. A postura foi de marcação agressiva no campo de ataque.

No primeiro lance do jogo, o United mostrou a que veio: bola para Rashford em velocidade atrás da defesa do time catalão e o camisa 10 inglês chutou de bico de pé direito. A bola triscou no travessão e saiu. Primeiro lance, primeira chance de gol. Assustou o Barcelona. E o time visitante continuou pressionando no campo de ataque para tentar um lance de perigo. Só que não demorou para o Barcelona começar a aparecer mais no ataque e as coisas mudaram muito rapidamente.

Aos 10 minutos, um lance polêmico. Ivan Rakitic, dentro da área, caiu em uma dividida com Fred. O árbitro alemão Felix Brych marcou pênalti para o Barcelona. Foi chamado pelo VAR, foi até a cabine, reviu o lance e voltou atrás: nada de penal. Bola ao chão e segue o jogo.

É, só que o gol sairia pouco depois. Aos 16 minutos, Messi deu uma linda caneta no brasileiro Fred, nas imediações da área, e chutou colocado, no canto, fora do alcance do goleiro David De Gea. Um gol típico de Messi.

Mal deu tempo de se recuperar. Aos 20 minutos, Messi, de pé direito, chutou de fora da área. O chute nem foi tão bom, mas o goleiro David De Gea falhou e a bola passou por baixo do seu corpo. Gol do argentino e 2 a 0 no placar. Um placar muito melhor que a atuação do Barcelona até ali.

Lionel Messi, do Barcelona, comemora gol contra o Manchester United (Foto: Getty Images)

O segundo tempo não mostrou mudanças nos dois times. O United, porém, não teve aquele ímpeto inicial. E o Barcelona acabou chegando ao terceiro gol, aos 17 minutos. Messi fez lançamento longo do círculo central para Jordi Alba na ponta esquerda, que ajeitou de primeira para o meio, na direção de Coutinho. O brasileiro dominou, ajeitou e acertou um chute bastante típico: no ângulo, sem defesa. Golaço. Barcelona 3 a 0.

A essa altura, não havia muito mais o que fazer para o time inglês. Com os 3 a 0 no placar, seriam precisos quatro gols para ficar com a classificação. Improvável e beirando o impossível. Ole Gunnar Solskjaer percebeu e achou melhor trancar a casinha. Tirou o atacante Martial e colocou Diogo Dalot, lateral, e remontou a linha de cinco defensores que funcionou tão bem no jogo de ida. Parecia mais uma medida para evitar uma goleada do que para tentar reagir.

Depois disso, o jogo perdeu a intensidade e pareceu que os dois times estavam gastando tempo. O United ainda faria mais duas mudanças. Colocou em campo Romelu Lukaku no lugar de Marcus Rashford, aos 28 minutos, depois levou a campo Alexis Sánchez no lugar de Jesse Lingard, aos 35 minutos. O Barcelona levou a campo Nelson Semedo no lugar de Sergi Roberto, Arturo Vidal no lugar de Arthur e Ousmane Dembélé no lugar de Coutinho. E o jogo correu até o fim sem grandes mudanças, com alguma tranquilidade para os mandantes.

O Barcelona volta à semifinal da Champions League depois de quatro anos de ausência nesta fase da competição. Não tem um time coletivamente incrível, nem que tenha um futebol dos mais atraentes. Mas tem Messi. E ter Messi já é o bastante para tornar o time favorito, sempre. Então, vale repetir. Se Messi é pelo Barcelona, quem será contra ele?