Durante a maior parte da Premier League, parecia haver apenas uma vaga na Champions League em disputa. Liverpool, Manchester City e Leicester dispararam e até o próprio Chelsea chegou a abrir uma boa vantagem. As Raposas, no entanto, não conseguiram manter o ritmo, os Blues oscilaram, abrindo espaço para quem fosse o mais regular do segundo pelotão. O Leicester chegou à última rodada ainda com chances, mas precisava vencer o confronto direto contra o United. Simbolizando a maneira como ele elevou o time treinado por Solskjaer, foi um gol de Bruno Fernandes que abriu o placar, antes de Jesse Lingard fazer 2 a 0 e carimbar a vaga dos Red Devils, quando já não havia mais esperanças para o Leicester.

É curioso como essa briga foi cíclica. Em novembro, os quatro primeiros colocados pareciam bem definidos, mas o Chelsea conseguiu apenas três vitórias em 14 rodadas e, de repente, todo mundo tinha chance. Até o Everton chegou a sonhar na arrancada inicial com Carlo Ancelotti. O Arsenal teve suas chances, recuperado por Arteta. O Sheffield United bateu à porta diversas vezes, mas sempre lhe faltou um pouco na hora de dar o salto.

O Wolverhampton chegou a aparecer com força, mas apenas duas vitórias nas últimas seis rodadas o derrubaram para sétimo lugar. Segue na Liga Europa, e o título lhe colocaria na Champions League, mas a vaga europeia por meio do sétimo lugar depende de uma vitória do Chelsea sobre o Arsenal na final da Copa da Inglaterra. O Tottenham aproveitou essa queda e assumiu a sexta posição no saldo de gols.

Os Blues conseguiram se recuperar e, no fim, foi o Leicester quem abriu espaço entre os quatro primeiros. Foram meio estranhas as declarações de Brendan Rodgers nas últimas semanas. Havia um certo tom de dever cumprido, mesmo antes de ele ter sido de fato cumprido. Pontuou que, pelos orçamentos, o Leicester não deveria estar onde estava, o que é verdade. Na reta final, por exemplo, pesaram os desfalques dos laterais titulares Ben Chilwell e Ricardo Pereira e do zagueiro Söyüncü.

Mas também pode ser interpretado como uma resignação de que ele havia percebido que não tinha mais de onde tirar do seu time. Foram 33 rodadas entre os quatro primeiros, 31 delas de maneira consecutiva, para sair da zona de classificação à Champions League na penúltima e não conseguir mais voltar. Ganhou apenas seis jogos no segundo turno, três desde a 25ª rodada.

Ainda assim, não estava em situação ruim. Graças ao tropeço do Manchester United contra o West Ham, precisava apenas vencer, em casa, o último jogo, para jogar a Champions League. Acontece que fez muito pouco para merecer os três pontos. Pareceu meio conformado no primeiro tempo, em que chegou apenas algumas vezes com chutes sem grande perigo de fora da área e teve que contar com uma boa defesa de Kasper Schmeichel nos minutos finais.

Rodgers provavelmente soltou os cachorros no intervalo porque a postura do Leicester nos primeiros 20 minutos da etapa final foi diferente. Chegou a acertar a trave com uma cabeçada de Jamie Vardy, mas o gol de Bruno Fernandes foi um balde de água fria. Greenwood bateu a carteira de Choudhoury, Fernandes acionou Martial, pressionado por Wes Morgan e Jonny Evans. Fernandes cobrou o pênalti e fez 1 a 0.

O português se candidata à melhor contratação de inverno da história da Premier League. O impacto inicial havia sido impressionante o suficiente, mas a parada contribuiu para elevar o patamar do Manchester United porque recuperou Paul Pogba e Marcus Rashford. Solskjaer, como dizem, encontrou o time: Matic na contenção, Fernandes e Pogba na criação, Rashford, Martial e Greenwood na frente. Os resultados foram devastadores. São sete vitórias e três empates pela Premier League na retomada, apenas uma derrota por todas as competições desde janeiro e 14 rodadas de invencibilidade pela liga inglesa.

Os números de Fernandes são estupendos para quem jogou apenas 14 rodadas da Premier League. Fez oito gols e deu cinco assistências. É parecido com o que havia feito pelo Sporting na primeira metade da temporada, mas em uma liga muito mais difícil. A sua forma física também chamou a atenção, titular em todos os jogos desde retomada.

Isso, porém, cobrou um preço. Solskjaer rodou muito pouco seu time titular durante a maratona de jogos, e o United chegou um pouco sem fôlego para a reta final. Foi facilmente batido pelo Chelsea na Copa da Inglaterra, não teve pernas para carimbar a vaga contra o West Ham, sem ambições, e mesmo contra o Leicester não fez uma grande exibição. Sorte que estava enfrentando um adversário cujo gás havia acabado há muito mais tempo.

O Leicester até teve uma boa chance de empatar, quando a bola sobrou para Harvey Barnes na pequena área, mas o chute fraco facilitou a defesa de De Gea, e o desespero por ver a vaga escapar sem forças para segurá-la foi exposto pela expulsão de Evans. Ainda deu tempo de o United marcar o segundo gol. Lingaard pressionou a saída de bola de Schmeichel, desarmou-o e tocou para o gol vazio.

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