O clássico de Manchester teve todos os ingredientes de um autêntico dérbi. Os dois times da cidade do norte da Inglaterra fizeram uma partida nervosa, com mais faltas do que a média, cartões amarelos, tensão, expulsão e uma disputa também entre os técnicos, tática, com as mudanças durantes a partida. Jogando em casa, o Manchester City arrancou uma vitória por 1 a 0, suada, mesmo tendo mais de 50 minutos com um jogador a mais em campo. Isso porque o Manchester United, mesmo remendado defensivamente, lutou muito, marcou, correu e deu trabalho aos rivais locais.

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O Manchester City tentou se impor jogando no seu campo. O time foi ofensivo, pressionou e teve em Agüero uma figura essencial. Apesar de muita marcação pelo lado vermelho, o City conseguiu criar muitas chances e poderia ter aberto o placar ainda no primeiro tempo. O time teve grandes chances com Milner, Agüero, Jesus Navas e até Kompany, em cruzamento. O time azul foi melhor no primeiro tempo e tentou demais chegar ao gol, o que poderia ter acontecido.

Milner, atuando pelo lado esquerdo, foi um destaque. É um jogador que se caracteriza por sua dedicação, mais do que pelo seu talento ou visão de jogo. Ele apareceu muitas vezes pelo lado e foi protagonista de um lance que acabou sendo capital: o segundo cartão amarelo recebido por Smalling, em uma falta justamente sobre Milner.

Dali em diante, o Manchester United ficou em uma situação crítica. Não tinha nenhum zagueiro no banco de reservas, então Fellaini foi para o centro da zaga por alguns minutos.  Foi ali que disputou uma bola com Agüero e o argentino reclamou pênalti, não dado pelo árbitro. Van Gaal, então, resolveu cobrir o buraco: tirou Januzaj de campo e colocou Michael Carrick, volante, que foi atuar na zaga. Fellaini voltou ao meio-campo. Depois, já no último lance do jogo no primeiro tempo, Yayá Touré recebeu a bola dentro da área e Rojo cortou, em um carrinho perigoso. O marfinense reclamou pênalti, mas o árbitro ignorou e não marcou.

Já no segundo tempo, novamente Agüero reclamou pênalti em uma entrada de Carrick dentro da área, outra vez o árbitro ignorou. Os três lances são discutíveis e poderiam ter resultado em penalidade. Como não foram lances claros, o árbitro Michael Oliver não marcou. O Manchester United, que já tinha muitos problemas, ficou em situação ainda mais difícil quando Rojo caiu, deslocou o ombro e teve que sair. Entrou em campo, então, o garoto McNair, de 19 anos.

O gol que decidiu o jogo veio aos 18 minutos. Yayá Touré, muito marcado, conseguiu um bom passe do lado esquerdo para o lateral esquerdo Clichy, que cruzou para o meio da área. Agüero, desmarcado, bateu de primeira de pé esquerdo para marcar o gol e sair para o abraço. Se imaginava, então, que o Manchester United poderia ser mais pressionado ainda. Com um a menos, sendo pressionado, o time não parecia ter forças para reagir. Mas teve.

Comandado por Rooney, o Manchester United tentou, foi ao ataque e criou alguns lances de perigo. Van Persie pegava pouco na bola, mas Rooney e Di María levavam o time a frente. Os dois se dedicavam demais, voltando antes do meio-campo para recompor na marcação e depois correr com a bola. Talvez por isso, o time teve dificuldades em fazer a transição ofensiva. Mesmo assim, teve algumas boas chances e acreditou, até o final, que poderia empatar. Não conseguiu. O Manchester City fez força, correu e se dedicou também para segurar o resultado.

Assim, o Manchester City estabelece uma sequência rara: quatro vitórias seguidas sobre o seu rival local, contando os jogos pela Premier League. A última vez que isso aconteceu foi em dezembro de 1970. O Manchester City chega a 20 pontos em 10 jogos, seis a menos que o Chelsea, que tem 26. Southampton, com 22, é o segundo colocado. O Manchester United, por sua vez, está longe do primeiro grupo. Em nono lugar, tem apenas 13 pontos, exatamente a metade do líder. Mas pensando em vaga na Champions League, a distância ainda não é assustadora. O Arsenal, quarto colocado, tem 17 pontos, cinco a mais que os Diabos Vermelhos. De qualquer forma, Van Gaal ainda tem muito trabalho pela frente. O time está longe de ser consistente e evidentemente tem problemas de elenco, com falta de zagueiros. O Manchester City, por sua vez, é sólido e um time que deve perder poucos jogos na Premier League. Se mantiver esse bom nível de atuação, será o principal rival do Chelsea na disputa pelo título.

Destaque do jogo

Agüero foi o autor do gol da vitória, mas muito além disso, foi o ponto focal no ataque dos Citizens. Jovetic não estava em grande tarde e o time focou em tocar a bola para o argentino, que parecia especialmente motivado. Foi quem mais chutou a gol, cinco vezes,

Momento-chave

A expulsão de Smalling, aos 38 minutos do primeiro tempo, acabou por ditar o ritmo da partida. Com um a menos, contra um time melhor e com a defesa remendada, o Manchester United teve sua capacidade bastante limitada. O Manchester City, aproveitando todos esses fatores, tentou se fazer valer da sua qualidade técnica, de jogar em casa e da fragilidade defensiva do adversário.

Formações iniciais

Manchester City

Manchester United

O gol

18’/2T: GOL DO MANCHESTER CITY!
Bola de Yayá Touré para Clichy no lado esquerdo e ele cruzou rasteiro para o meio da área, onde Agüero estava livre para finalizar de pé esquerdo e marcar.

Curiosidade

Contando jogos de Premier League, o Manchester United teve seis expulsões contra o Manchester City. Só contra o Liverpool o Manchester United teve mais jogadores expulsos, nove. Um dado que mostra que a rivalidade entre os dois times está acirrada e com o Manchester City se tornando uma potência, a rivalidade fica duríssima entre os dois times. E rivalidade acirrada significa ânimos por vezes exaltados também.

Ficha técnica

MANCHESTER CITY 1X0 MANCHESTER UNITED

Manchester City

Joe Hart; Pablo Zabaleta, Vincent Kompany, Martín Demichelis e Gäel Clichy; Jesus Navas, Yayá touré, Fernando e James Milner (Samir Nasri, 25’/2T); Sergio Kun Agüero e Stevan Jovetic (Edin Dzeko, 26’/2T). Técnico: Manuel Pellegrini

Manchester United

David De Gea; Antonio Valencia, Chris Smalling, Marcos Rojo (Patrick McNair, 11’/2T) e Luke Shaw; Daley Blind e Marouane Fellaini; Adnam Januzaj (Michael Carrick, 43’/1T), Wayne Rooney e Ángel Di María; Robin van Persie (James Wilson, 37’/2T. Técnico: Louis van Gaal

Local: Estádio Etihad, em Manchester (ING)
Árbitro: Michael Oliver (ING)
Gol: Sergio Agüero, 18’/2T
Cartões amarelos: Zabaleta, Demichelis, Fernando, Blind
Cartão vermelho: Smalling