A Uefa confirmou nesta quinta-feira que seus investigadores das finanças dos clubes enviaram os arquivos relativos às possíveis irregularidades do Manchester City para as mãos de um painel independente de juízes para verificação. A entidade não informou nada sobre a punição recomendada no documento e nem o prazo para julgamento e nem prazo para o veredicto. O Manchester City reagiu com palavras fortes diante das acusações e criticou todo o processo feito pela Uefa.

O painel de finanças dos clubes da Uefa abriu uma investigação relativa ao Manchester City em março “por potenciais irregularidades nas regulações do Fair Play Financeiro que foram tornados públicas por diversos veículos de imprensa”. Como mostramos aqui na Trivela, os investigadores, liderados pelo investigador-chefe Yves Leterme, ex-primeiro ministro da Bélgica, considera que houve irregularidades e o relatório, escrito por ele, recomendará punição ao clube inglês. Ainda não se sabe qual será a punição, mas dentro do regulamento, a punição pode chegar à exclusão do clube de competições europeias por uma temporada.

O Manchester City acusou o processo da Uefa de ser “reduzido” e “hostil”. O clube alega ainda que a câmara investigadora está enganada e confusa, e não considerou totalmente a resposta dos clubes a alegações que eles relataram erroneamente patrocínios milionários nos seus envios de documentos relativos ao Fair Play Financeiro, há mais de cinco anos.

Os sete membros da câmara de investigação relataram a Lateme que o City não respondeu de forma satisfatória as dúvidas sobre a independência dos seus patrocínios do dono do clube, xeque Mandour bin Zayed al Nahyan, que faz parte da família real dos Emirados Árabes Unidos. O Manchester City acusa que o órgão de investigação falhou ao não dar ao clube uma audiência justa e argumentam que a investigação não levou em conta “um corpo abrangente de provas irrefutáveis”.

“O Manchester City Football Club está decepcionado, mas infelizmente não surpreso, pelo repentino anúncio feito pela pelo chefe de investigações da CFCB IC [órgão da Uefa que investiga as finanças dos clubes], Yves Leterme”, diz comunicado do clube.

“Os vazamentos para a imprensa na última semana são indicativos do processo que foi vistoriado pelo senhor Leterme. O Manchester City está inteiramente confiante de um resultado positivo quando a questão for considerada por um órgão judicial independente”, diz ainda o comunicado.

“A acusação de irregularidades financeiras permanece inteiramente falsa e a CFCB IC ignora um conjunto abrangente de provas irrefutáveis fornecidas pelo Manchester City FC à câmara”, diz o clube. “A decisão contém erros, erros e interpretações e confusões fundamentalmente de uma falta básica do devido processo e continuam a existir questões importantes não resolvidas levantadas pelo Manchester City como parte do que o clube considerou ser um processo totalmente insatisfatório, reduzido e hostil”.

Um comunicado da Uefa relatou o envio do caso para julgamento. “O investigador-chefe do Órgão de Controle Financeiro dos Clubes [CFCB], depois de ter consultado os membros da câmara independente de investigação da CFCB, decidiu hoje enviar o caso do Manchester City à câmara adjudicante da CDCB após a conclusão da sua investigação”, diz o comunicado da Uefa.

“A câmara de investigação da CFCB abriu uma investigação sobre o Manchester City no dia 7 de março de 2019 por potenciais irregularidades do Fair Play Financeiro que se tornaram públicas em diversos veículos de imprensa. A Uefa não fará qualquer comentário adicional sobre a questão até a decisão ser anunciada pela câmara adjudicante da CFCB”, continua a Uefa.

Segundo Simon Stone, da BBC, o Manchester City enviou um documento detalhado que tinha mais de 100 páginas sobre a questão em sua defesa à Uefa. Segundo regras da própria CFCB, não se pode fazer acusações sobre eventos que aconteceram há mais de cinco anos – a punição dada pela Uefa ao Manchester City aconteceu exatamente há cinco anos, em 2014. Foi paga, na época, uma multa de 49 milhões de libras, mas o clube recebeu de volta 33 milhões de libras três anos depois, por terem cumprido as regulações.

Resta saber se a Uefa tratará o caso com o rigor que se espera. Aparentemente, o processo está seguindo. Há muito em jogo quando se fala em Fair Play Financeiro, especialmente a credibilidade da Uefa para manter essa regulamentação.