Javier Tebas subiu o tom de seus ataques à ideia de criação de uma Superliga Europeia, estendendo a ofensiva aos novos ricos PSG e Manchester City. Para o presidente de La Liga, os dois clubes são brinquedos de estados e deveriam ser expulsos de competições europeias por violar as regras do Fair Play Financeiro.

Presidente de La Liga há seis anos, Tebas se tornou um dos mais proeminentes porta-vozes contra a criação de uma Superliga Europeia. A ideia de sua formulação foi revelada meses atrás graças a um vazamento do Football Leaks, e a discussão atualmente está bastante aberta. Ainda que clubes poderosos tenham negado seu projeto particular voltado à Superliga, o atual esforço é para modificar a Liga dos Campeões e deixá-la em moldes que privilegiem potências. Duas semanas atrás, mais de 200 clubes e 38 ligas nacionais europeias se reuniram para articular sua resistência contra a mudança da Champions e a criação de uma superliga. Para Tebas, o problema da Superliga nasceu com o que fizeram PSG e Manchester City no mercado.

“De fato, a origem de todo esse problema com a Superliga é o efeito inflacionário que Manchester City e PSG criaram em toda a Europa, porque o restante dos clubes do continente querem dinheiro para competir com esses caras”, disse o dirigente, em declaração publicada pelo jornal inglês Guardian.

Javier Tebas chamou os clubes administrados por Abu Dhabi e Catar de brinquedos desses estados e afirmou que eles não se importam nem um pouco com quais são suas verdadeiras receitas ao ir atrás de jogadores, já que são esses estados que bancam tudo.

“Isso força outros clubes a uma situação econômica que é realmente viver no limite. Distorce o equilíbrio de toda a estrutura do futebol europeu. Isso não é mais esporte. Isso não é mais uma indústria. Torna-se mais como um brinquedo, o brinquedinho de um estado. E quando é um brinquedo, crianças começam a brincar com outras crianças. Você acaba arruinando todo o sistema”, condenou.

Tebas faz um alerta para os torcedores ingleses, cobrando transparência sobre as conversas e dizendo que a história do futebol inglês está em risco. “Minha mensagem para os grandes clubes ingleses é que eles estão cometendo um grande erro. Porque não será mais dinheiro para eles. É mais dinheiro para os grandes jogadores, talvez. Em vez de sete Ferraris, eles terão dez”, afirmou.

Para o presidente de La Liga, o novo modelo de Champions que a Associação de Clubes Europeus e a Uefa estão propondo agora “irá fracassar depois de 10 a 15 anos”. “As ligas nacionais têm uma cultura de dezenas de anos de rivalidades entre os clubes, então isso irá criar uma desconexão com os torcedores.”

Tebas dirige tanto seu discurso aos ingleses porque a Premier League é o maior aliado para impedir a transformação da Champions e a criação da tal Superliga Europeia. As equipes da elite inglesa já se pronunciaram publicamente contra a competição, o que faz sentido, considerando que contam com a liga mais valorizada do mundo.

Os planos para a criação de uma Superliga vieram à tona em novembro de 2018, graças ao Football Leaks. As informações davam conta de que os clubes mais ricos do planeta estavam discutindo a criação de um torneio exclusivo. Em seguida, mais de 900 equipes se manifestaram contra a ideia, e a Fifa também se movimentou, ameaçando impedir que jogadores que atuassem em tal Superliga pudessem representar suas seleções em Copas do Mundo.

“Essa é a primeira vez que houve uma resposta forte das ligas e das federações na Europa. Porque é a primeira vez que foi descoberto o que foi negociado por debaixo da mesa, então podemos colocar isso sobre a mesa – e é a primeira vez que nos organizamos para estar prontos para essa luta”, cravou Javier Tebas.

Essa disputa está longe de acabar. A pressão pela criação de uma Superliga irá continuar. Os vazamentos colocaram os holofotes e as críticas sobre seus articuladores. Porém, eles deverão tentar modificar o que já existe. Se depender de Tebas, isso não virá sem uma luta feroz.