O que era para ser um duelo entre dois times fortes e favoritos foi um massacre. O Manchester City foi implacável diante do Chelsea e seus erros defensivos, empilhou gols e produziu uma goleada histórica no estádio Etihad: 6 a 0, que poderia ter sido ainda pior. Em um jogo que os visitantes não conseguiram acertar nada na defesa, o City foi preciso, aproveitou a oportunidade e demoliu o adversário. Maurizio Sarri já tinha criticado publicamente o seu time antes e ganhou ainda mais motivos para isso nessa partida.

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O Chelsea teve algumas jogadas trabalhadas no jogo, mas foi impressionante como o time estava mal posicionado, como errou na marcação, como sofreu sem a bola o tempo todo. O jogo que Maurizio Sarri pratica envolve alguns riscos, mas parece que o time estava sem defesa. E nem foi uma questão apenas individual. Os dois zagueiros, por exemplo, não foram desastrosos. David Luiz e Antonio Rüdiger estiveram vendidos a maior parte do jogo. O meio-campo do Chelsea não marcou ninguém e deu todos os espaços para que o Manchester City finalizasse de setores chave do campo. Foi como encontrar o calcanhar de Aquiles e golpear seguidamente por ali.

O início de jogo foi do Chelsea, mas bastou uma bobeira para o Manchester City abrir o placar na primeira chance. De Bruyne cobrou com rapidez uma falta na direção de um livríssimo Bernardo Silva. O ponta cruzou rasteiro da direita, a bola desviou no caminho e sobrou, na segunda trave, para Raheem Sterling, que chutou para marcar 1 a 0. Uma bobeira que custa caro.

Pouco depois, aos sete minutos, um lance inacreditável: Bernardo Silva cruzou da esquerda para a segunda trave e Sergio Agüero, livre, leve, solto, só com o trabalho de empurrar para o gol vazio, mas ele tocou displicente, para fora. Só que o argentino se redimiria pouco tempo depois. Aos 12 minutos, recebeu fora da área, cercado por marcadores. Não se importou, ajeitou para o pé direito e soltou o pé: golaço no Etihad.

O massacre continuava. Aos 19 minutos, um erro individual complicou a situação ainda mais. Em um cruzamento de Zinchenko para a área, David Luiz cortou, a bola sobrou pelo alto para Barkley, que inexplicavelmente tocou para trás. Agüero aproveitou e finalizou, sem pegar em cheio, mas acertando o canto: 3 a 0. Barkley levou as mãos à cabeça, mas era tarde. A bobagem já estava feita.

O Chelsea ainda não parecia ter entendido como tudo aquilo aconteceu quando, aos 25 minutos, falhou novamente na marcação, viu Agüero receber livre dentro da área, mas a zaga conseguiu recuperar e cortar. Só que sobrou na entrada da área para Gündogan, que bateu sem nem pensar, rápido, de primeira. Acertou o canto, sem defesa para Kepa: 4 a 0. Praticamente cada ataque do City era gol àquela altura – e um deles só não foi porque Agüero realmente desperdiçou uma chance com gol aberto.

Demorou, mas o Chelsea voltou ao jogo. O Manchester City, a essa altura, também diminui o ritmo, algo totalmente compreensível considerando a circunstância do jogo. Aos 27 minutos, uma grande chance do Chelsea: bola pelo meio que Higuaín ajeitou, de calcanhar, para Pedro. O espanhol finalizou, mas não foi preciso: defesa de Ederson e desperdício da oportunidade. Pouco depois, ele teria uma nova chance de finalização e, mais uma vez, foi mal: chutou fraco e em cima do goleiro brasileiro do Manchester City. Enquanto o City era letal nos seus ataques, o Chelsea não conseguia fazer o mesmo do outro lado.

Os visitantes continuaram tentando um golzinho. Aos 38 minutos, Higuaín dominou uma bola no peito e, antes da bola cair no chão, chutou forte, no alto. Ederson precisou fazer uma grande defesa para impedir o primeiro gol do time de Londres. Higuaín era um dos melhores do Chelsea em campo, mas o time seguia marcando muito mal.

O intervalo talvez tenha sido um alívio para o Chelsea. Só que o sufoco seguiu.  Aos cinco minutos do segundo tempo, De Bruyne fez boa jogada pela esquerda, cruzou e Agüero cabeceou bem, mas a bola explodiu no travessão. O Chelsea passou a tocar a bola no campo de ataque, ainda tentando se recuperar. Maurizio Sarri logo em seguida tirou Ross Barkley e colocou Mateo Kovacic.

As coisas ficaram mais complicadas ainda para o Chelsea aos nove minutos. Sterling fez a jogada pela esquerda, no mano a mano contra Azpilicueta, e o espanhol deu o bote atrasado no atacante inglês. Pênalti marcado pelo árbitro. Com tranquilidade, Sergio Agüero cobrou, sem nem precisar colocar força, e fez 5 a 0.

Agüero foi o grande nome da goleada do Manchester City sobre o Chelsea (Foto: Premier League)

O desânimo ficou claro nos jogadores do Chelsea. O Manchester City teria outra chance, aos 13 minutos, em uma cobrança de falta de De Bruyne. O goleiro Kepa fez uma boa defesa no chute do belga, eu não foi tão no canto. O Chelsea só queria passar o tempo. Não tinha mais forças para brigar pelas bolas, nas divididas.

O Manchester City, então, também gastava o tempo e se poupava em campo. Saíram de campo Agüero e De Bruyne para a entrada de Gabriel Jesus e Riyad Mahrez. O Chelsea tirou primeiro Pedro, mal no jogo, para a entrada de Rúben Loftus-Cheek, e depois Marcos Alonso para a entrada de Emerson Palmieri. Depois, Fernandinho deixou o campo e entrou David Silva no Manchester City.

Em uma jogada pelo lado esquerdo que começou com Gabriel Jesus, a bola sobrou para Bernardo Silva, que achou Zinchenko pela esquerda. Ele cruzou rasteiro, em uma bola que encontrou os pés de Sterling, desmarcado na área: 6 a 0, aos 35 minutos. Não havia mais jogo. Era a vã tentativa dos visitantes em gastarem o campo enquanto viam o time adversário dominar completamente a bola.

Torcedores do Chelsea que foram até o Etihad cantavam para o treinador “Você não sabe o que está fazendo”. Derrotas podem acontecer, a forma como tem acontecido, como foi contra o Bournemouth, por exemplo, já tinha sido um alerta. O Chelsea está devastado. Foi um arremedo em campo. Marcou mal o tempo todo, dando espaços em setores cruciais do campo. O City, normalmente um time letal, sentiu o cheiro de sangue e devorou o adversário vorazmente. Foi a primeira vez na história da Premier League (desde 1992) que o Chelsea sofreu seis gols em um jogo da liga. A última vez na primeira divisão inglesa que o Chelsea tomou tantos gols em um jogo foi em 20 de abril de 1991, quando tomou 7 a 0 do Nottingham Forest.

É difícil imaginar qual será a consequência de um resultado como esse, ainda mais com Sarri tendo sido tão crítico em relação aos seus jogadores nas últimas semanas. O time azul de Londres vive uma crise, é inegável. O que aconteceu nessa partida foi daqueles episódios que serão lembrados para sempre pelos dois lados. Pelo City, como um símbolo da sua força; pelo Chelsea, como uma das maiores vergonhas que o time já passou.

O Manchester City é líder da Premier League, com um jogo a mais que o Liverpool, mas com o mesmo número de pontos (65) e maior saldo de gols (54 a 44). O Manchester City está voraz. A disputa com o Liverpool será acirrada, aparentemente, até o fim.