O Manchester City registou a entrada de recurso no Tribunal Arbitral do Esporte (TAS) contra a punição da Uefa por violações no Fair Play Financeiro. O clube teve a punição decidida depois da análise feita das contas do time de 2012 a 2016, que levou a Uefa a considerar que o clube cometeu irregularidades nos seus investimentos, disfarçando investimento do dono como patrocínio. Além de dois anos de suspensão de competições europeias, o clube foi punida com multa de € 30 milhões. A expectativa é que haja um julgamento ao final desta temporada.

No dia 14 de fevereiro, o Manchester City afirmou que iria entrar com recursos assim que fosse possível. O clube tem dito reiteradamente que não cometeu qualquer irregularidade e acusa a Uefa de um julgamento injusto. O CEO do clube inglês, Ferran Soriano, deixou isso claro quando declarou, no dia 19 de fevereiro, que a punição era “menos sobre justiça e mais sobre política”.

“Baseado na nossa percepção, isso parece menos sobre justiça e mais sobre política”, afirmou Soriano, em declaração divulgada pelo site do clube. “É claro que muitas pessoas vêm agora e dizem: ‘Bem, o que você estava esperando? Esta é a forma como funciona. Você deveria esperar um resultado negativo pelo modo como o sistema é desenhado’. Mas nós não acreditamos nisso”, disse o dirigente, ex-Barcelona.

“Nós trabalhamos muito duro. Nós demos as provas, mas no fim esta câmara investigatória do Fair Play Financeiro confiou mais em e-mails fora de contexto roubados que as outras provas que nós enviamos do que realmente aconteceu e eu acho que é normal que nós sintamos como nos sentimos”, explicou ainda Soriano.

Mais do que dizer que o julgamento foi político, ele negou veementemente todas as acusações feitas pela Uefa. “estas alegações simplesmente não são verdadeiras. O dono nunca colocou dinheiro no clube que não tenha sido apropriadamente declarado. Nós somos um clube sustentável, nós somos lucrativos, nós não temos dívida, nossas contas foram analisadas muitas vezes por auditores, por reguladores, por investidores e isto está perfeitamente claro”.

O TAS divulgou em comunicado que registrou o recurso do City, que contesta diretamente a decisão da câmera reguladora da Uefa que analisa as finanças dos clubes. O comunicado não fala em um prazo para o julgamento, que requer que os dois lados enviem argumentos escritos e as provas. Há também uma audiência antes de três advogados para apresentação dos argumentos de acusação e defesa, algo que também ainda não tem data.

A expectativa é que o julgamento seja feito ao final da temporada e antes do início da próxima. Se confirmada a punição dada pela Uefa, o Manchester City terá duas temporadas fora de competições europeias. Se o processo não for julgado até o momento do início da próxima temporada, o Manchester City deve ser mantido na disputa da próxima Champions League, na temporada 2020/21, e a punição seria para as temporadas seguintes, 2021/22 e 2022/23.

Em 2018, o processo de punição ao Milan foi julgado em três meses. A punição ao clube de Milão foi mantida e o clube foi excluído das competições europeias por uma temporada. Só que o precedente pode ser usado neste caso: a Uefa queria uma punição de dois anos e o TAS aceitou o recurso para que a entidade reconsiderasse o tempo. Milan e Uefa entraram em acordo para um ano de punição. Por isso, há a possibilidade da punição ao City ser reduzida, muito embora a animosidade do clube com a entidade não indique isso neste momento. Pode ser que o quadro mude caso a punição seja mantida pelo TAS e o City precise negociar para diminuir a punição. Isso, porém, ainda não está no horizonte.