O Manchester City fez a sua estreia em casa na Premier League com uma goleada avassaladora sobre o Huddesrfield. Isso, em si, não é surpreendente de todo. O que vale destacar nos 6 a 1 aplicado pelo City é que o time usou um esquema tático diferente do primeiro jogo, criou uma enormidade de chances, em um futebol criativo e de dominação muito grande sobre o adversário. O placar foi alto, mas poderia ser muito mais. Na sua proposta de posse de bola, o time não só ficou com a bola, mas criou muitas chances, chutou incríveis 30 vezes a gol e mostrou uma capacidade e repertório que indicam a força de um time preparado para enfrentar um adversário que foi a campo para se fechar na defesa. Foi aberta na marra.

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Por mais que a vitória seja esperada, o que impressiona no Manchester City é a execução da sua proposta de maneira absolutamente eficaz. Pep Guardiola costuma dizer que ele é um pragmático: tem a ideia de manter a bola a todo custo, ter paciência e fazer o time rodar de um lado a outro até encontrar os espaços. E trabalha para que os espaços apareçam.

Neste jogo, especificamente, o técnico mudou a disposição tática, sabendo qual seria o panorama do jogo. Colocou uma linha de três jogadores na defesa, adiantou o time, atuando sem um lateral direito, deixando um jogo ofensivo por ali, e com Sergio Agüero e Gabriel Jesus formando o ataque. A ideia de sufocar o time adversário, que iria se defender com os jogadores afundados atrás para buscar o espaço no contra-ataque.

O primeiro gol saiu aos 25 minutos. O goleiro Ederson fez um lançamento espetacular para Agüero, que recebeu nas costas da defesa, fez o drible na marcação e o goleiro, que se precipitou ao sair do gol, só viu o argentino tocar por cima e a bola morrer no fundo da rede, mesmo com defensores tentando chegar à bola. Golaço.

Muito melhor no jogo, o segundo não demorou a sair. Aos 30 minutos, Mendy fez uma grande jogada, abriu a defesa e tocou para Gabriel Jesus. Ele devolveu para Mendy, que dividiu e a bola sobrou de volta para Jesus. Ele dominou de direita e encheu o pé de canhota: 2 a 0. Foi o quinto chute do brasileiro na partida. Ele vinha tentando muito e parecia precisar demais do gol para resgatar a confiança. Foi o seu primeiro na temporada.

A missão do Huddersfield já era dura, mas o goleiro Bem Hamer resolveu dificultar ainda mais. Depois de um cruzamento fechado de Mendy, o goleiro tentou segurar, soltou e Agüero então só empurrou para as redes. Com 35 minutos de jogo, o Manchester City atropelou o adversário e praticamente matou o jogo. A essa altura, a posse de bola era de 79% do Manchester City. O Huddersfield mal conseguia trocar dois passes antes de perder novamente a posse da bola.

O Huddersfield conseguiu diminuir o placar em uma bola levantada na área. Mounie tocou de cabeça e Jon Gorenc Stankovic, que completou dentro da área. Foi um gol de honra de um time que parecia totalmente dominado. E assim continuou. O segundo tempo foi um massacre e o placar se ampliou com facilidade em favor do time da casa.

No início do segundo tempo, aos três minutos, David Silva cobrou falta com maestria, no ângulo, sem chance de defesa, e ampliou o placar para 4 a 1. Com o jogo controlado, o Manchester City é um dos times que mais consegue descansar o time com a bola e acelerar até o momento de ampliar o placar. Aos 30 minutos, veio o quinto gol. Mendy, que fez grande partida, cruzou para a área e Agüero desviou com categoria para marcar mais um: 5 a 1.

Sergio Agüero, do Manchester City (Foto: Michael Regan/Getty Images)

O último gol já veio na reta final do jogo, quando o Huddersfield parecia só tentar gastar o tempo e torcer para que o jogo acabasse o quanto antes fosse possível. Leroy Sané, que tinha entrado em campo pouco antes, fez a jogada pela esquerda e finalizou. A bola tocou no goleiro, bateu no zagueiro Terence Kongolo e entrou: 6 a 1.

Ao final do jogo, o Manchester City tinha 32 chutes a gol, 14 deles no alvo. O Huddersfield chutou só cinco vezes, uma apenas no go l- justamente o lance que conseguiu marcar o seu gol de honra. O domínio da posse de bola foi impressionante. Terminou com 77,1% de pose de bola contra apenas 22,9% do adversário. Tudo isso seria só um dado se o que se visse em campo não se convertesse em chances para marcar. E foram muitas. Só Gabriel Jesus chutou seis vezes a gol ao longo da partida. Agüero chutou nove.

Ninguém tinha muita dúvida que o Manchester City era um candidato sério a repetir a temporada passada e terminar com o título. O jogo deste domingo no estádio Etihad é só mais um indício que será uma tarefa difícil vencer o City, se o time mantiver esse nível de desempenho e eficiência. Além de massacrar o adversário, o Manchester City ainda viu Jesus voltou a marcar, o que é importante para ele, pessoalmente, depois de um período muito duro na Copa, com atuações ruins pelo Brasil e, mais ainda, ficando fora da lista de convocados de Tite para a seleção.

O desafio desse time do Manchester City será ter a mesma eficácia e dominar o jogo assim contra times mais fortes. Na semana anterior, na estreia, o time fez isso contra o Arsenal. Agora, contra o Huddersfield, em um jogo bem diferente, se adaptou ao adversário e atropelou. Há muitos indícios que o time segue muito forte localmente. Terá o desafio de conseguir fazer isso em todas as competições que participa, incluindo, evidentemente, a Champions League, o grande desafio para o clube.