A Costa do Marfim bateu Mali por 1 a 0, nesta segunda-feira (8), pelas oitavas de final da Copa Africana de Nações, e está na próxima fase da competição, mas as perspectivas para o restante do campeonato não são boas. Se no placar o resultado foi positivo, dentro de campo o roteiro foi preocupante aos elefantes. Mali jogou significativamente melhor, criou mais, foi pouco ameaçado, mas, no fim, não evitou a eliminação.

Retrospecto a favor e contra Mali

Mali foi para o confronto contando com seu retrospecto na Copa Africana de Nações como respaldo. Em todas as seis vezes que havia alcançado a fase de mata-mata da competição, chegaram ao menos à semifinal. Por outro lado, um outro retrospecto preocupava: nunca havia derrotado a vizinha Costa do Marfim no torneio, acumulando três derrotas e um empate nos quatro encontros entre 1994 e 2015. No fim, pesou mais a invencibilidade marfinense.

Domínio malinês

O futebol pode ser cruel, e certamente é isso que sentem os malineses nesta segunda-feira. A equipe fazia campanha melhor que a Costa do Marfim, surpreendeu e se classificou em primeiro lugar em um grupo com a Tunísia, chegou ao duelo invicta na competição e dominou a partida. Criou mais que os marfinenses, trocou passes melhores, finalizou mais e foi superior em todos os números que importavam. Ainda assim, não aproveitou suas chances e viu a falta de precisão custar caro perto do fim do jogo.

Decepção marfinense

Apesar da classificação, Costa do Marfim passou longe de inspirar confiança em sua torcida. A equipe foi dominada por Mali e contou com a sorte para avançar às quartas de final. Especialmente no primeiro tempo, viu os malineses criarem diversas chances, terminando a primeira etapa com apenas uma finalização, enquanto o adversário conseguiu dez. Nicolas Pépé, por toda a conversa que gera na janela de transferências, com a possível ida ao Liverpool, e pelo desempenho pelo Lille na última temporada, é uma grande decepção até aqui. Deixou o jogo sem mostrar a que veio. A equipe melhorou na segunda etapa, mas longe de ser o suficiente para se dizer superior por tempo significativo no jogo.

Zaha cirúrgico

Se, por um lado, os marfinenses tiveram a seu lado a sorte, por outro, precisavam de algo a mais para garantir a vitória. E esse algo a mais veio por meio dos pés de, talvez, o seu mais talentoso jogador. O time teve apenas duas finalizações ao gol em todo o jogo, e, em uma delas, o ponta Wilfried Zaha, pretendido pelo Arsenal, aproveitou sua chance. Um chutão do goleiro Gbohouo para o campo de ataque pingou na frente da defesa malinesa e sobrou para o camisa 9 bater cruzado na saída de Djigui Diarra e definir o resultado aos 31 minutos do segundo tempo.

Próxima fase

Com a vitória, a Costa do Marfim enfrenta agora, nas quartas de final, a Argélia, que venceu Guiné por 3 a 0 no domingo, sem dar chances ao adversário. Se Costa do Marfim apresentar contra os argelinos o que mostrou contra Mali, terá muitos problemas para alcançar a semifinal e manter o sonho de repetir o título de 2015. Wilfried Zaha, com o protagonismo que desenvolveu no Crystal Palace, bastou por hoje, mas não deverá ser suficiente, ainda mais com a esterilidade deste duelo em Suez.

Ficha técnica

Mali 0x1 Costa do Marfim

Local: Estádio Suez, em Suez
Árbitro: Janny Sikazwe (Zâmbia)
Gols: Wilfried Zaha aos 31’/2T (Costa do Marfim)
Cartões amarelos: Lassana Coulibaly (Mali); Mamadou Bagayoko (Costa do Marfim)

Mali: Djigui Diarra; Hamary Traoré, Molla Wagué, Mamadou Fofana e Youssouf Koné; Diadie Samassékou; Abdoulay Diaby (Adama Traoré), Amadou Haidara (Adama Traoré), Lassana Coulibaly (Kalifa Coulibaly) e Moussa Djenepo; Moussa Marega. Técnico: Mohamed Magassouba

Costa do Marfim: Sylvain Gbohouo; Mamadou Bagayoko, Ismaël Traoré, Wilfried Kanon e Wonlo Coulibaly; Jean-Philippe Gbamine e Serey Dié; Nicolas Pépé (Maxwel Cornet), Franck Kessié e Wilfried Zaha; Jonathan Kodjia (Wilfried Bony). Técnico: Ibrahim Kamara