Um dos maiores jogadores da história do Milan, Paolo Maldini tem sua história também entrelaçada com uma das principais competições do mundo, a Champions League. Além das 118 partidas na competição, levou para casa a Orelhuda em cinco oportunidades. E ainda assim não conseguiu evitar que a derrota em 2005 para o Liverpool, em Istambul, seja a primeira lembrança que tenham ao associá-lo com o torneio, o que encara com bom humor.

Em entrevista ao site da Uefa, Maldini relembra que esteve em finais da Liga dos Campeões em oito oportunidades, vencendo boa parte dos jogos, mas que isso acabou ficando em segundo plano para o Milagre de Istambul protagonizado pelos Reds. “Dou risada quando vejo que joguei oito finais da Champions League, venci cinco delas, mas as pessoas só parecem se lembrar daquela. Ela deixou uma marca importante”, comentou.

Aquela partida maluca no Atatürk começou com um gol marcante de Maldini, o mais rápido da história das finais de Liga dos Campeões, e os rossoneri abriram 3 a 0 ainda no primeiro tempo, antes de sofrerem o empate na segunda etapa e, por fim, perderem nos pênaltis. Motivo para lamentação de Maldini? Não necessariamente, pelo menos 14 anos depois. Pelo contrário, é, para ele, um reforço ao argumento do futebol como esporte que encanta.

“Meu gol na final de 2005 foi o mais rápido já marcado em uma final de Champions League, o (exemplo) mais dramático para provar que não se deve tomar as coisas como garantidas, e é essa imprevisibilidade que torna esse esporte maravilhoso.”

Como lembra Maldini, o Milan foi muito melhor que o Liverpool em parte significativa do duelo, mas os ingleses buscaram o empate em um intervalo de seis minutos entre seu primeiro e seu terceiro gols. “Éramos os favoritos, jogamos muito melhores do que o Liverpool, e o momento do jogo nunca trocou de lado, exceto por aqueles seis minutos. Fomos consistentemente perigosos no ataque. Porém, quando você aceita essas situações dolorosas, fica mais fácil ter outras chances de compensá-las.”

Tal chance não demorou, e dois anos depois o Milan conquistava a Champions League em cima do próprio Liverpool. O quinto e último triunfo de Maldini na competição – do qual a lenda do Milan não se recorda muito bem.

“Lembro-me muito pouco do jogo, tinha tomado tantos analgésicos para aguentar. Lembro dos gols do Pippo Inzaghi, do apito final e um pouco das comemorações. Quando fiz cirurgia três dias depois da final, sempre que acordava, ficava perguntando se tínhamos vencido ou perdido, só para garantir.”

Hoje diretor técnico do Milan, Maldini olha com orgulho para a carreira construída no clube e à continuidade do legado de sua família, hoje representada por Daniel Maldini, de 18 anos, da equipe sub-19 rossonera: “O fato de que pelo menos um membro da família Maldini esteve no Milan desde os anos 1950 diz tudo”.