Quando Malcom fechou com o Barcelona na última temporada, houve quem defendesse a decisão do brasileiro, afirmando que é muito difícil dizer não a um clube de tal estatura. De fato, é, mas mesmo lá parecia uma escolha equivocada, um salto maior do que a perna. A transferência que acontece agora, um ano depois, ao Zenit, comprova isso, mas, mais do que isso, parece um outro grande risco.

O clube russo anunciou nesta sexta-feira (2) a contratação do ponta direito brasileiro por € 40 milhões, e o jornal Sport, da Catalunha, fala em mais € 5 milhões de bônus variáveis. Excelente negociação para os culés, que recuperam o investimento, já que haviam desembolsado € 41 milhões em 2018 ao Bordeaux. Para Malcom, nem tanto.

Em meio à disputa da segunda metade de sua segunda temporada no futebol europeu, Malcom brilhava na Ligue 1. Ao futebol rápido e de dribles, o jogador havia acrescentado chutes potentes. Despertava o interesse de clubes de maior expressão, e falou-se até em Liverpool, Tottenham e Arsenal à época como possíveis destinos para o jogador.

Os Spurs estiveram por algum tempo à frente nas negociações, mas a Roma tomou a dianteira, fechou com o Bordeaux e o atleta, e Malcom já estava prontinho para desembarcar no Aeroporto Fiumicino, onde torcedores giallorossi aguardavam seu jogador. O brasileiro se encontrava em um aeroporto na França, pronto para embarcar no voo à Itália, quando recebeu a ligação dizendo que o Barcelona havia feito uma proposta de última hora aos girondinos, que aceitaram a oferta.

Ali, Malcom decidiu mudar o destino de sua viagem, indo mais ao sul, para a Espanha, para ser o novo jogador do Barça.

Que o atleta tenha acreditado que poderia, sim, disputar lugar com tantas estrelas é mostra da confiança que tinha em seu futebol. Para o futuro, o brasileiro parecia, sim, ter o talento necessário para cavar seu lugar. Entretanto, em meio a opções como Philippe Coutinho, contratado em janeiro de 2018, e Ousmane Dembélé, que chegara em 2017, estava claro que não seria simples e exigiria paciência. Para completar, o lado preferido de Malcom era justamente também o de Lionel Messi.

Na Catalunha, o ponta não teve o espaço que seu talento e potencial lhe deveriam garantir. Jogou apenas 24 partidas em todas as competições, e, em La Liga, a soma de seus minutos em campo não dão sete jogos completos. No pouco tempo que enfim teve a oportunidade dada por Ernesto Valverde, foi relativamente bem, mas nunca teve sequência. Conseguiu gols importantes, como contra a Internazionale, na Champions League, e o tento do 1 a 1 no jogo de ida da semifinal da Copa do Rei, contra o Real Madrid.

A Roma teria sido um destino interessante ao jogador. Era um degrau acima do futebol praticado na França, mas não tantos acima como tentar lutar por vaga em um estrelado Barcelona.

Se a ida à Catalunha, ainda que já parecendo errada naquela época, guardava algum sentido, é mais difícil ter a mesma conclusão com a transferência ao Zenit. Mais uma vez, Malcom acredita no seu futebol o suficiente para julgar esse um passo correto na carreira. Ele ainda tinha mercado em clubes medianos de grandes ligas. Poderia se manter em evidência e, com uma boa temporada, se catapultar a um lugar melhor.

Em vez disso, vai jogar na Rússia, onde precisará brilhar duas vezes mais para ser notado – além de ter que aproveitar todas as chances em jogos de Champions League disputados pelo clube de São Petersburgo.

O novo passo do jogador é uma correção de curso necessária, mas a direção tomada é, no mínimo, um grande risco.