A Copa do Mundo não terá a Itália pela primeira vez desde 1958. O resultado da repescagem foi terrível para os italianos. Diante de um estádio de San Siro lotado, com mais de 72 mil pessoas, a Itália não saiu de um 0 a 0 com a Suécia, no jogo de volta da repescagem. Com isso, está fora da Copa do Mundo da Rússia, em 2018. A tetracampeã italiana, uma das camisas de maior peso no futebol mundial, fica fora do mundial. Será a única campeã do mundo ausente. A Suécia, por sua vez, comemora a volta ao torneio, depois de se defender com unhas e dentes.

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A história já tinha todo o enredo de drama. A seleção italiana vem jogando mal há muito tempo e sabia que corria o risco de enfrentar uma seleção forte na repescagem, como aconteceu. O fraco jogo de ida contra a Suécia deixou a situação complicadíssima. Seria preciso vencer, mesmo jogando uma bola que não parecia suficiente no jogo de ida.

A péssima partida em Estocolmo criou um clima de pessimismo, mas o estádio se encheu de esperança, com um mosaico com a bandeira italiana. Uma esperança no místico, mais do que no trabalho do técnico, que mais uma vez escolheu uma escalação contestável para a partida.

Nesta segunda-feira, a Itália teve uma postura diferente do jogo de ida. Buscou, pressionou e, mesmo de forma desorganizada, foi para cima da Suécia. Faltou um técnico com escolhas melhores. Faltou uma ideia de jogo melhor. Cesare Prandelli foi demitido após o mau resultado no Brasil, mas a sua Itália tinha uma ideia de jogo. Antonio Conte tirou muito da Itália, colocando-a em condições de disputar com a Alemanha. Desta vez, não conseguiu a mesma competitividade.

Mesmo pessimistas, mais de 72 mil pessoas estiveram em San Siro (Photo by Dino Panato/Getty Images)

Mudanças na escalação

Pressionado, o técnico Giampiero Ventura fez mudanças no time. A principal delas foi a entrada de Jorginho, muito pedida pelos torcedores. O jogador foi ignorado por Ventura durante as Eliminatórias, mas acabou convocado nesta repescagem, depois de muita pressão da torcida e da imprensa. Sem Marco Verratti, suspenso, o técnico colocou o brasileiro naturalizado italiano – vive na Itália desde a adolescência e foi formado na base do Verona.

Além de Jorginho, o técnico também tirou o veterano Daniele De Rossi e entrou um companheiro de Roma: Antonio Florenzi. No ataque, saiu Andrea Belotti e entrou Manolo Gabbiadini, tentando dar mais força ofensiva, já que a atuação do primeiro ficou bem aquém do que se esperava.

Jorginho foi titular da Itália pela primeira vez (Photo by Claudio Villa/Getty Images)

Pressão desde o início

Como esperado, o jogo começou nervoso. Primeiro, com pedidos de pênalti em um lance de Parolo dentro da área, em dividida com Augustinsson, mas o árbitro mandou seguir – e realmente não foi nada de mais. Logo depois, Jorginho fez um recuo perigoso para Buffon e quase Berg alcançou a bola. O goleiro italiano teve que ser ágil para chutar para frente antes do atacante sueco.

Pouco depois, Berg tocou a bola, que bateu na mão de Darmian dentro da área. Os nórdicos pediram pênalti, mas o árbitro mandou seguir. No replay, ficou claro que a bola bateu no braço do ala italiano, que estava com os braços abertos.

A Itália seguiu tentando pressionar no ataque e teve uma grande chance nos pés de Candreva, que pegou rebote dentro da área e chutou forte por cima do gol. Logo depois, outra reclamação de pênalti da Suécia: Forsberg tentou o drible e a bola tocou na mão de Barzagli. O árbitro mandou seguir, o camisa 10 sueco se enfureceu e tomou cartão amarelo do árbitro por reclamação.

A Itália criou uma nova grande chance aos 39 minutos. Novamente Jorginho achou Immobile dentro da área e ele chutou cruzado, mas a bola foi tirada pela zaga quase em cima da linha. A finalização acabou desviando no goleiro e Granqvist conseguiu tirar antes da bola entrar.

A pressão dos mandantes aumentou. Aos 44, Florenzi,e m uma linda jogada individual, conseguiu passar pela marcação e, quase sem ângulo, chutou forte, mas o goleiro Olsen salvou.

Insistência de Ventura com quem estava mal

Como era de se esperar, a Itália voltou novamente na pressão no ataque. Em um cruzamento de Candreva, Darmian tentou o domínio e acabou atingido pelo seu marcador. O árbitro, porém, marcou toque de mão do ala italiano – que não houve. Pouco depois, Florenzi teve nova chance de gol para a Itália. Em um chute cruzado, de pé esquerdo, ele procurou o canto, mas a bola saiu.

A Suécia vivia de perigosos contra-ataques, aproveitando que a Itália estava toda posicionada no campo de ataque. Levou perigo em alguns lances, mas os italianos sempre conseguiram se recuperar. A Itália seguia errando muito com os jogadores que estavam em campo. Pelas duas alas, nem Candreva, pela direita, muito menos Darmian, pela esquerda, conseguiam ser perigosos ou mesmo acertar cruzamentos para a área.

A pressão italiana era forte e os cruzamentos aumentavam. Ainda mais quando o técnico Ventura tirou Darmian e Gabbiadini e colocou em campo El Shaarawy e Belotti. Candreva, fazendo uma partida muito ruim, continuava em campo, apesar de errar quase tudo que fazia. Só deixou o campo aos 27 minutos, quando entrou Bernardeschi no seu lugar.

Era um jogo de ataque contra defesa nos minutos finais. A Suécia se defendia como podia. Os italianos rondavam a área, tentando encontrar um espaço. Fechada na defesa, a Suécia deixava os italianos cruzarem, sempre conseguindo tirar. Os espaços foram se tornando cada vez mais escassos.

A pressão foi enorme nos minutos finais, com direito a dois escanteios com Buffon na área. Não adiantou nada. Mesmo com muitas bolas na área, o time italiano não conseguiu o gol. El Shaarawy teve uma grande chance, defendida pelo goleiro Olsen. Os levantamentos na área ainda tiveram Parolo cabeceando para fora.

O apito final foi seguido por muita comemoração dos suecos. A Suécia vai à Copa do Mundo pela primeira vez desde 2006. Justamente o ano que a Itália conquistou o seu quarto título mundial. Desde então, vem protagonizando vexames. Em 2010 e 2014, eliminada na primeira fase. Em 2018, nem para a Copa irá.

Giampiero Ventura, técnico da Itália (Photo by Claudio Villa/Getty Images)

Faltou técnico, não jogadores

A saída de Giampiero Ventura, que era especulada antes do jogo, independente do resultado em campo, deve se concretizar. Até porque não faltavam jogadores para armar um bom time. O treinador caiu diante da Suécia, que não tem jogadores melhores. E não só por Ibrahimovic, já aposentado da seleção nórdica. Por tudo isso, o próximo passo é que é fundamental. Quem será o técnico para montar um bom time para a Itália pensando, agora, na Eurocopa de 2020 e, depois, Copa 2022?

Não faltaram jogadores. A Itália tinha um centroavante que vem voando na sua liga local, Ciro Immobile; tem zagueiros de nível mundial, como Giorgio Chiellini, Leonardo Bonucci e Andrea Baqrzagli; tinha De Rossi no banco, que sequer entrou, assim como Roberto Gagliardini. Tinha Insigne no banco, outro que sequer foi acionado. Jorginho foi titular pela primeira vez neste jogo derradeiro e foi um dos melhores em campo. Faltou é ter um técnico que soubesse como armar o time para buscar algo além.

Já diria Fernando Vanucci: chegou a hora de mudar ou mudar de vez. É preciso colocar o castelo de areia abaixo e começar uma construção sólida para 2022, Copa 2022. Catar, afinal, não é tão longe, é logo ali.

Jogadores italianos lamentam ao fim do jogo com a Suécia (Photo by Marco Luzzani/Getty Images)


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