A comparação é natural, e não sem motivos. N’Golo Kanté se afirma como um fenômeno na Premier League. Teve importância inegável no surpreendente sucesso do Leicester e, nesta temporada, se tornou também uma das chaves no Chelsea, rumo ao bicampeonato inglês com duas equipes diferentes. Desde que chegou a Stamford Bridge, ainda mais, as comparações com Claude Makélélé aumentaram. Dois volantes franceses, incansáveis e inteligentíssimos, que elevaram o nível do jogo dos Blues. E o veterano não nega a admiração por seu “herdeiro”. No último final de semana, Makélélé voltou a Londres, agora como assistente do Swansea, na derrota por 3 a 1 ao Chelsea. Em entrevista à SFR, comentou os predicados de Kanté.

“O que eu mais gosto em Kanté é a sua generosidade. Ele joga sempre com um sorriso no rosto, e isso é uma qualidade excepcional Eu realmente espero que ele tenha uma carreira melhor que a minha. No entanto, ele ainda precisa ter mais liderança”, avaliou o veterano. “Isso não significa ser necessariamente capitão, mas ter uma aura dentro do time quando ele olha para os companheiros e fala com eles. Quando ele tiver isso, se completará como um jogador excepcional. Isso é o que falta para ele ser titular absoluto na seleção”.

Apesar das semelhanças em campo, Kanté e Makélélé possuem diferenças notáveis em seu desenvolvimento. O camisa 7 chegou ao Chelsea aos 25 anos, depois de estourar no Caen e fazer sua temporada espetacular pelo Leicester. Makélélé, por sua vez, cumpria funções um pouco mais ofensivas quando explodiu no Nantes, em uma das campanhas mais marcantes da história da Ligue 1. Aos poucos é que começou a ser fixado como primeiro volante, defendendo Olympique de Marseille e Celta de Vigo até ser contratado pelo Real Madrid. Viveu três grandes temporadas no Santiago Bernabéu, antes de ser pinçado pelo Chelsea, aos 30 anos. Foi o vértice no bicampeonato inglês do time de José Mourinho, entre 2005 e 2006.

Em setembro, Makélélé já havia discutido as virtudes de Kanté: “É uma posição difícil de se jogar. Você precisa trabalhar com seus companheiros. Eu gosto de N’Golo. Ele é jovem e espero que ele chegue a um nível maior do que o meu. Ele ainda precisa de tempo para aprender um pouco mais sobre a função, para aprender sobre futebol”. Considerando os anos que o novato ainda têm pela frente, superar um dos melhores volantes de contenção das últimas décadas já seria um feito e tanto.