Convocações dificilmente são unânimes, isso é um fato. E certamente enfrentarão diversas contestações quando trazem novidades. Assim, é natural o questionamento a algumas escolhas de Tite para os amistosos contra Argentina e Austrália. O treinador da seleção brasileira deixou de lado esteios da equipe, especialmente os mais desgastados pela temporada europeia – como Neymar, Marcelo, Daniel Alves, entre outros. Diante das ausências, preencheu as lacunas com jogadores a serem observados. Parte deles, homens de sua confiança, com quem já trabalhou anteriormente. Outros, nomes referendados pela boa fase. E sempre existirão aqueles cujas ausências são sentidas.

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Questionável ou não, a lista representa a propensão de Tite em trabalhar com novas peças, visando a Copa do Mundo de 2018. Sobretudo, de passar uma borracha sobre o passado e buscar um novo momento para a Seleção. Marcelo e Thiago Silva já tinham voltado ao time, após longo período de exílio por desavenças com Dunga. O mesmo acontece com outros nomes desta vez. Não necessariamente por algum entrevero, mas por históricos que são indissociáveis às suas trajetórias na equipe nacional.

David Luiz, por exemplo. A preferência pelo zagueiro é algo completamente subjetivo. Entretanto, é um fato que ele jogou muita bola pelo Chelsea na atual temporada. Olhando apenas pela bola, merecia uma chance? Tite avaliou que sim. E é o momento de tentar refazer as péssimas impressões que deixou com a camisa amarela, especialmente desde a fatídica semifinal da Copa do Mundo. A maneira como o defensor vai jogar na Seleção é um ponto importante, considerando que sua recuperação nos Blues se deu como líbero. Um desafio para o treinador. De qualquer maneira, a polivalência do atleta acabou elogiada na entrevista coletiva.

O mesmo vale para Rafinha. A convocação do lateral no início das Eliminatórias causou grande discussão. Ele recusou o chamado de Dunga, afirmando que não se via disputando a posição no momento – enquanto se aventava a possibilidade de atuar pela Alemanha. Na coletiva, Tite fez questão de dizer que tudo não passava de um “mal entendido”, e que conversou com o defensor antes de sua convocação. É um jogador às vésperas de completar 32 anos e que atravessou sua temporada mais modesta desde que chegou ao Bayern de Munique. O treinador, todavia, achou válida a observação.

Diego Alves, por vezes inconstante na meta do Valencia, mas gigantesco nos momentos decisivos e principalmente pênaltis, enfim retornou às listas. Acompanhará o ascendente Ederson e Weverton entre as opções ao gol. Jemerson, campeão incontestável com o Monaco, tem o merecido reconhecimento. Alex Sandro vem de uma temporada desgastante com a Juventus, mas também em uma fase excelente. Lucas Lima anda decidindo na Libertadores. E, assim, a maioria dos nomes se encaixa. Como dito acima, e repito, nem todos irão agradar. Havia outros nomes interessantes para se observar. Mas, de uma maneira geral, dá para perceber a utilidade nas escolhas de Tite.

Ao contrário de outras convocações de testes, a maior parte dos jogadores possui condições de disputar uma Copa do Mundo. Poucas serão as brechas nos próximos meses para avaliar de perto quem não faz parte do grupo. Nada melhor, então, que Tite ofereça a mostra concreta a alguns de que as possibilidades são reais. Ao contrário da Copa das Confederações de 2001, por exemplo, quase inútil no planejamento rumo ao pentacampeonato (independentemente da continuidade de Emerson Leão ou não), o gaúcho poderá tirar conclusões importantes. Especialmente de jogadores que vinham fora do radar da Seleção, mas pediam passagem. Nem que seja para descartá-los na sequência do trabalho.