O corte de um jogador da seleção brasileira é sempre um momento triste. Chegar até lá é difícil e já vimos grandes craques darem entrevistas emocionadas anunciando que deixaram a equipe. Romário, em 1998, chorou em frente às câmeras na França, quando o Brasil se preparava para a disputa da Copa do Mundo de 1998. Em 2016, dias antes da estreia na Olimpíada do Rio de Janeiro, Fernando Prass foi cortado por uma lesão no cotovelo. Uma perda que é muito maior do que a de um goleiro.

LEIA TAMBÉM: Seleção brasileira olímpica mostrou bons primeiros sinais no amistoso contra o Japão

Prass não é Romário, não representa para a Seleção o que o baixinho representava em 1998. Mas é, provavelmente, o melhor goleiro melhor em atuação no Brasil no momento. Vive aos 38 anos o melhor momento da carreira, em um time que tem conseguido sucesso recente, como o título da Copa do Brasil em 2015 e a liderança no Campeonato Brasileiro de 2016. Só por isso, ele fará falta. Mas fará falta também em outros aspectos. Perde um jogador que todo mundo gostaria de ver jogar pela Seleção. Um líder e um exemplo, que pode desde arrumar a defesa em campo até ajudar fora de campo, como ele faz no seu clube.

Assim como Romário em 1998, Prass sabe que perdeu uma chance única. Ele não sabe se estará na ativa ainda quando chegar a Copa do Mundo, em 2018. A Olimpíada era a chance de participar de uma competição importante, tentar um título inédito. Não será possível. E, aos 38 anos, não se sabe quando haverá uma nova chance.

Os Jogos Olímpicos eram uma grande oportunidade para Prass também começar a sua caminhada na Seleção principal. Não seria uma surpresa o goleiro ser chamado por Tite, em sua primeira convocação, para as Eliminatórias da Copa. Um goleiro confiável, que vai bem, talvez com uma medalha olímpica. Sem ele, Tite terá um outro goleiro como titular, que pode se firmar na posição. Claro que, assim que ele voltar, deve novamente mostrar o grande goleiro que é e pode ir para a Seleção. Mas assim como acontece em qualquer lugar, a posição ocupada por outro pode ser preenchida. E é sempre um risco que se corre.

Prass se tornou um ídolo no Palmeiras e este é um feito que ele terá por toda a carreira. Não só por ser ídolo em um grande clube como o alviverde, mas também porque a Academia é um lugar tradicional de formação de goleiros. Marcos, um dos maiores, se não o maior ídolo palmeirense, foi formado em casa. Velloso, antes dele, também. Dois nomes marcantes que, só ali, ficaram duas décadas defendendo a meta do clube. Ele chegou sob a desconfiança de muitos, ganhou a posição, a confiança e o coração de cada um dos palmeirenses. Se eternizou. Terá seu nome cantado por palmeirenses mesmo quando pendurar as luvas.

Conseguiu chegar à Seleção aos 38 anos, um feito que é raro. Um jogador que é visto como referência por todos, incluindo aí os que estão na seleção olímpica, alguns deles ainda no caminho de tentarem ser ídolos em seus clubes. Ajudaria uma defesa jovem, formada por jogadores tecnicamente bons, mas ainda longe de serem consagrados. Agora, a tarefa será de outro. E por mais que o Brasil tenha ótimos goleiros para convocar, será difícil substituir quem Prass representa neste momento.

A comissão técnica ainda não anunciou o seu substituto. Prass volta a São Paulo neste domingo e deve ser operado na terça-feira. Que volte brevemente aos gramados para mostrar a força que o fez ser tão grande no futebol brasileiro. Que seu substituto se inspire nele para vestir a camisa 1. A Prass, resta que ele se recupere bem e volte a ser o grande goleiro que é no Palmeiras. A Seleção estará de olho para, quem sabe, continuar essa história. E que venha a medalha de ouro, tão esperada pela Seleção, e que Prass seja lembrado por jogadores que conviveram com ele.

TRIVELA FC: Conheça nosso clube de relacionamento, ganhe benefícios e marque um gol pelo jornalismo independente!