O atacante Kazuoshi Miura, ou Kazu, renovou contrato com o Yokohama FC por mais uma temporada. Prestes a completar 53 anos no dia 26 de fevereiro, o jogador estará com o time que subiu para a primeira divisão do Japão, a J-League. Isso apesar de ter jogado apenas três partidas ao longo da temporada 2019. Mais que um jogador, Kazu se tornou um símbolo do futebol japonês. Vê-lo voltar a atuar na J-League, depois de anos atuando apenas na segunda divisão, será uma atração, mesmo que ele jogue muito pouco, como tem sido comum.

Kazu é um jogador que simboliza o que é o futebol japonês e a evolução que teve ao longo dos anos. Foi um dos que se arriscou a atravessar o mundo para tentar a carreira fora do país, que não tinha uma liga profissional nos anos 1980. De 1986 até 1990, rodou por times brasileiros: Santos, Palmeiras, Matsubara, CRB, XV de Jaú, Coritiba e novamente Santos.

Só depois foi ter uma carreira no Japão, no início da J-League, pelo Verdy Kawasaki, clube pelo qual fez mais de 100 gols. Kazu foi parte importante do início da J-League, como contamos quando a liga completou 25 anos, em 2018. Mais do que isso: foi artilheiro três vezes da J-League, inclusive na temporada inaugural.

Ainda conquistou vários prêmios depois na carreira, como melhor jogador asiático, em 1992, além de ser eleito duas vezes melhor jogador do ano na J-League, em 1992 e 1993. Em 1992, aliás, o Japão foi campeão asiático e ele teve papel fundamental – e ainda teve tempero brasileiro.

Chegou a jogar no Genoa, na temporada 1994/95, e foi o primeiro japonês a marcar um gol na Serie A. Passou também rapidamente pelo Dinamo Zagreb, da croácia, antes de voltar ao Japão para atuar por Kyoto Purple Sanga, Vissel Kobe e, enfim, o Yokohama, clube que defende desde 2005.

Chegou a jogar rapidamente pelo Sydney FC, emprestado, ainda em 2005. Foi jogador da seleção japonesa por uma década, de 1990 a 2000, e ainda jogou pela seleção japonesa de futsal em 2012. Contamos um pouco dessa experiência de Kazu no futsal por aqui, em 2012.

Kazu foi motivo de reportagem do sempre alegre márcio Canuto, como lembramos por aqui em 2014. Contamos também sobre os traumas que impediram o craque de disputar uma Copa do Mundo. Quando o lendário jogador completou 50 anos, em 2017, contamos a história deste ícone nas palavras de Leandro Stein.

Em 2018, Kazu foi reconhecido como o jogador mais velho a marcar um gol em uma liga oficial pelo Guiness Book. No fim de 2019, o Yokohama, de Kazu e Shunsuke Nakamura, outro veterano renomado de 41 anos, garantiu o acesso à J-League depois de 12 anos fora da primeira divisão.

A temporada 2020 da J-League, então, terá esse elemento a mais de atração. Kazu Miura deve jogar pouco, como tem sido nos últimos anos. Isso é o de menos. O mais importante é que o atacante segue como o maior símbolo da paixão japonesa pelo futebol. Uma atração tão grande quanto os estrangeiros que estrelam a liga japonesa, como Andrés Iniesta. Bem-vindo de volta à J-League, Kazu!