Mais ofensiva, Itália renasceu com Roberto Mancini para ser um time competitivo na Europa

Classificada para a semifinal da Liga das Nações, a Itália parece recuperada do vexame vivido em 2017, quando não se classificou para a Copa do Mundo

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Em novembro de 2017, a Itália estava no escuro. Giampiero Ventura, então técnico, viu o time comandado por ele ficar fora da Copa do Mundo de 2018. Era a primeira vez que os italianos ficavam fora do torneio desde 1958. De lá para cá, muita coisa mudou. Roberto Mancini assumiu o comando da Azzurra, houve uma profunda renovação dos jogadores, mantendo alguns veteranos, mas trabalhando com muitos jovens. Depois de chegar à Eurocopa com tranquilidade, vai à semifinal da segunda edição da Liga das Nações mostrando bons sinais. Já se projeta uma seleção italiana que seja competitiva no mais alto nível do futebol europeu e mundial.

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“No começo da minha jornada, havia uma sensação de tristeza e decepção por não ter chegado à Copa do Mundo”, contou Mancini, durante o Social Football Summit. “Nós decidimos mudar, focar em jogador jovens com grande qualidade técnica e tentar um modo diferente de jogar. Em um curto espaço de tempo, isso se tornou um grande time. Os rapazes fizeram algo maravilhoso em fazer os torcedores se apaixonarem novamente com a Nazionale e confirmaram ser um grupo sólido”.

A trajetória até aqui é boa. São dois anos de invencibilidade, com 22 jogos sem derrotas, contando todas as competições. Venceu todos os seus jogos nas Eliminatórias da Eurocopa. Na Liga das Nações, foram três vitórias e três empates. Em termos de resultado, tem sido muito consistente.

O time mudou o seu estilo e passa longe de ser a Azzurra do catenaccio, como em outros momentos. A formação tática é básica, com um 4-3-3, mas que é muito funcional, usando bem os jogadores que a seleção tem. Há bons atacantes pelos lados do campo e uma boa leva de meio-campistas para ocupar as três posições no centro do campo. Um dos méritos de Mancini tem sido o uso dos jovens, mas além disso, recuperar jogadores que nem nos seus clubes têm jogado bem, mas rendem com a camisa da seleção.

Alguns jogadores têm naturalmente ganhado espaço, por tudo que fazem em seus clubes. Jogadores como Nicolò Barella, que tem jogado muito bem na Internazionale e mantém a ótima fase na Azzurra. Há também Domenico Berardi, um jogador que há anos é visto como irregular, mas tem feito ótima temporada pelo Sassuolo e também tem ido bem com a Itália.

Alguns jogadores já fazem parte da espinha dorsal do time antes mesmo da chegada de Mancini. Jorginho, no meio-campo, é um jogador regular, experiente, e que dá ritmo a um time que funciona bem naquele setor. Lorenzo Insigne tem sido um dos maiores destaques desta Azzurra, sempre muito perigoso em suas investidas pelos lados do campo, com criatividade que o transforma também em um armador, a depender da necessidade do time. Alessandro Florenzi, na lateral direita, não é só um jogador importante, mas também um líder.

Alguns jogadores jovens têm ganhado espaço e são parte da renovação dos Azzurri. Manuel Locatelli é um deles. Em ótima temporada pelo Sassuolo, o meio-campista, ex-Milan, conquistou um lugar na seleção principal e, aos 22 anos, tem chamado a atenção pelo bom desempenho. Alessandro Bastoni, de 21 anos, é outro que ganhou minutos sob o comando de Mancini. Tem jogado com constância no seu clube, a Internazionale, com um técnico muito bom em montar defesas, Antonio Conte. Sandro Tonali, de 20 anos, que foi para o Milan, também tem jogado com frequência e se tornou uma boa opção.

Há até jogadores que nem estão bem nos seus clubes, mas vão bem com a camisa da Itália. É o caso de Federico Bernardeschi, por exemplo, que mal joga pela Juve, mas tem feito ótimas partidas pela Itália. Assim como Emerson Palmieri, lateral do Chelsea, que sequer joga no clube londrino, mas que foi titular e jogou bem pela seleção italiana.

É verdade que a Itália não tem um craque do nível de Cristiano Ronaldo, Lionel Messi ou Neymar, mas poucas seleções têm. Os italianos têm bons jogadores, que juntos podem formar um bom time. Ainda é cedo para se empolgar com os resultados, já que faltam os duelos com as seleções do mais alto nível, algo que certamente veremos na semifinal da Liga das Nações.

De qualquer forma, a seleção italiana é outra em relação àquela que fracassou nas Eliminatórias da Copa para 2018. Há motivos para querer ver este time da Itália contra grandes adversários e sabermos do que ela é capaz. O que vimos até aqui é um time competitivo e com boas alternativas. A Eurocopa, em 2021, será uma boa oportunidade para o grupo todo mostrar que o vexame de não ir à Copa 2018 está completamente superado.