Os duelos entre Borussia Mönchengladbach e Bayern de Munique remetem a uma época de ouro da Bundesliga. Durante os anos 1970, os dois esquadrões sustentavam uma rivalidade entre si, representada pelo domínio do campeonato e pelo sucesso nas competições continentais. Os Potros não conseguiram manter sua força nas décadas posteriores. No entanto, ressurgem de maneira contundente nesta temporada, sob as ordens de Marco Rose. Se ainda havia alguma desconfiança sobre os méritos da liderança do Gladbach, elas se pulverizaram neste sábado, dentro do Borussia Park. Com uma virada arrancada nos acréscimos do segundo tempo, a equipe se reafirmou no topo da tabela ao derrotar os bávaros por 2 a 1.

O Gladbach precisaria encarar um primeiro tempo desafiante diante de sua torcida. Apenas um time jogou durante os 45 minutos iniciais, e este foi o Bayern. Os bávaros tinham a atitude esperada para quem precisava se reerguer na tabela e empurravam os anfitriões contra a parede. Criaram várias finalizações, mas com um pouco mais de dificuldades em acertar o pé. Os chutes para fora também eram maioria.

Thomas Müller perdeu um lance excelente na pequena área e forçou uma defesa de Yann Sommer no cantinho, enquanto Robert Lewandowski mandou arremates caprichosos ao lado da trave. Já a melhor chance seria de Joshua Kimmich, e por culpa de Sommer. Aos 25, o alemão bateu de fora da área e o goleiro deveria fazer uma defesa fácil, mas deixou a bola passar sob o seu corpo. Muito melhor seria a reação espetacular para evitar que a pelota passasse. Com um só dedo, ele salvou no limite da linha. O VAR mostrou o cisco da bola que permanecia em jogo.

Somente nos minutos finais é que o Gladbach testou Manuel Neuer, sem muito perigo. O Bayern continuava em cima e a entrada de Ivan Perisic no lugar do lesionado Corentin Tolisso deixou o time mais ofensivo. Marco Rose só acertou sua equipe no segundo tempo, quando mudou a formação e passou a aproveitar mais a velocidade pelas pontas. Mesmo assim, precisou lidar com a desvantagem. Sommer não transmitia muita confiança e, aos quatro minutos, não estavam com a mão firme o suficiente para espalmar o arremate venenoso de Perisic.

A bola parada recolocou o Gladbach no jogo. Jonas Hofmann cobrou escanteio e Ramy Bensebaini apareceu na área para arrematar numa bonita cabeçada. O argelino faz uma temporada muito boa na Bundesliga e se tornaria o herói da virada. Numa noite em que Lewandowski estava incrivelmente apagado, o Bayern encontrava mais dificuldades para romper a defesa dos Potros. O duelo parecia pronto a terminar empatado.

Entretanto, o Gladbach sabia o valor da vitória. Vez ou outra, dava suas escapadas ao ataque, mesmo sem construir as jogadas da melhor forma. Breel Embolo não conseguiria completar um passe quase sob a trave. E o possante Marcus Thuram seria decisivo nos acréscimos, ao arrancar pela esquerda e sofrer pênalti bobo de Javi Martínez, que recebeu o segundo amarelo. Bensebaini assumiu a cobrança e Neuer até acertou o canto, mas o chute foi tão bom que nem se esticando todo o goleiro conseguiu alcançar a bola. No apagar das luzes, uma vitória monumental.

A festa do Gladbach era mais do que necessária. O time segue com apenas um ponto de vantagem, após a vitória do RB Leipzig sobre o Hoffenheim. No entanto, o valor do resultado estava mesmo em superar os heptacampeões nacionais. Os Potros não devem nada a ninguém, numa Bundesliga totalmente aberta. Já os bávaros veem o efeito inicial de Hansi Flick passar. É a segunda derrota consecutiva, que deixa a equipe na sexta posição, correndo o risco de perder mais um lugar ao fim do sábado. Já são sete pontos de diferença em relação ao incontestável líder.

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