O Atlético Nacional protagonizou o momento mais grandioso do futebol colombiano na Copa Libertadores. O time dos Verdolagas na virada dos anos 1980 para os 1990 é inesquecível – seja pelo título, pelos craques ou mesmo pelas controvérsias. Mais de duas décadas depois, o clube se distancia daqueles capítulos gloriosos. No entanto, voltou a se estabelecer como grande potência do Campeonato Colombiano. Desde 2011, os paisas conquistaram cinco taças da liga nacional em 10 possíveis. Estão em sua quarta Libertadores no período, mais uma vez como time a se observar de perto. E, desta vez, tentando cumprir as expectativas com uma grande campanha.

Nas três edições recentes, o Atlético Nacional esteve sob as ordens de Juan Carlos Osorio. O treinador assumiu a equipe durante a competição em 2012, e conquistou a classificação com o segundo lugar do grupo, atrás da Universidad de Chile de Jorge Sampaoli, mas apresentando as premissas de seu futebol ofensivo – os verdolagas tiveram o melhor ataque da fase, com 16 gols em seis jogos. Porém, caíram nas oitavas para o Vélez. Em 2014, o clube paisa voltou e, mesmo inconstante, sobreviveu em uma chave duríssima ao lado de Grêmio, Newell’s Old Boys e Nacional-URU. Caiu de maneira agônica, eliminado pelo Defensor nas quartas de final, quando pressionou o jogo todo e perdeu gols incríveis. Além disso, no fim do ano, o time ainda chegou à final da Copa Sul-Americana, derrotado pelo River Plate. Por fim, em 2015, apesar de perdas importantes no elenco, a equipe foi líder do grupo e caiu nas oitavas, para o Emelec.

Osorio deixou Medellín após a eliminação, mas o Atlético Nacional ganhou um substituto de peso. Reinaldo Rueda havia trabalhado apenas com seleções desde 2002. Levou Honduras à Copa de 2010 e fez uma das melhores campanhas rumo à Copa de 2014, com o Equador sendo imbatível em casa nas Eliminatórias. E o novo comandante teve total capacidade para comandar um processo de renovação interna no Atanasio Girardot. Rueda tem um estilo bastante distinto de seu antecessor, sem tanto ímpeto ofensivo. Ainda assim, os verdolagas seguem com um ataque potente, e muito mais consistentes na defesa. Equilíbrio que rendeu o título do Torneio Clausura no final de 2015.

O Atlético Nacional despontou logo na fase de classificação, com 45 pontos marcados, já quebrando o recorde em uma metade do Campeonato Colombiano – além de marcar 33 gols e sofrer apenas sete em 20 rodadas. Favoritismo confirmado nos mata-matas. Os verdolagas eliminaram Deportivo Cali e o rival Independiente Medellín, antes da decisão contra o Junior de Barranquilla. Depois de uma vitória e uma derrota, os paisas ergueram a taça graças ao triunfo na disputa de pênaltis. Já um início marcante para Rueda, elogiado pela imprensa colombiana diante da maneira como arquitetou o novo time de maneira tão rápida.

Diferentemente das famosas rotações de Osorio, Rueda montou uma base titular mais fixa no Atlético Nacional. E, assim, estabeleceu o seu estilo de jogo, de muita obediência tática e sem trocas de posições. Os verdolagas gastam mais tempo com a bola nos pés, perigosos especialmente nas jogadas pelas pontas, embora tenham mantido o perigoso contra-ataque. Uma alternância de ritmo primordial. Já em campo, os paisas contam com velhos conhecidos. Ao lado do goleiro Armani e do atacante Jonathan Copete, os regressos Alexander Mejía e Macnelly Torres estiveram entre as lideranças na conquista do Clausura. E se perdeu o artilheiro Jefferson Duque, transferido ao Atlas, o clube trouxe uma reposição de renome com Victor Ibarbo, que passou o último semestre de 2015 no Watford.

Nesta largada da Libertadores, contudo, os destaques são os garotos que passaram a ter mais espaço com Rueda. O Atlético Nacional estreou fora de casa batendo o Huracán por 2 a 0, enquanto conquistou uma imponente vitória nesta terça, com os 3 a 0 e o baile de bola sobre o Sporting Cristal em Medellín. Titular na zaga aos 19 anos, Davinson Sánchez marcou um dos gols diante dos peruanos. Ao lado de Mejía, Sebastián Pérez se firma entre os volantes, enquanto Andrés Ibargüen chegou do Tolima como boa opção ao ataque. Mas o nome a se observar é o de Marlos Moreno.

O atacante de 19 anos surgiu como grande revelação do Clausura, marcando cinco gols – incluindo o decisivo no jogo do título, contra o Junior. Já nesta Libertadores, foram dois tentos e duas assistências, desequilibrando especialmente contra o Huracán. Moreno pode jogar na ponta ou como segundo atacante. Bastante inteligente nas movimentações, incomoda as defesas adversárias com velocidade e dribles. E nem precisa dizer que não sente o peso das responsabilidades, se fazendo decisivo. Tanto que, no último mês de fevereiro, já conquistou a primeira convocação para a seleção principal, observado por José Pekerman em ciclo de treinamentos.

As duas vitórias do Atlético Nacional na Libertadores são os primeiros passos, mas possuem sua representatividade. Obviamente, por já aproximarem os colombianos da classificação, em um grupo de camisas pesadas que ainda conta com o Peñarol. Mas também por reforçar as credenciais dos verdolagas. Em uma competição tão parelha, a consistência se faz fundamental para ir longe. E o equilíbrio defensivo proposto neste novo ciclo pode ser a virtude extra para levar os paisas a uma grande campanha nos mata-matas. É o que se espera há alguns anos em Medellín.