Mata-mata é emoção, mas nem sempre. Algumas vezes, o duelo eliminatório se transforma em um passeio de uma das equipes, e a fórmula de disputa apenas ajuda a realçar o impacto de uma goleada. Elas não foram tão comuns na história do Brasileirão, mas aconteceram algumas vezes, seja em uma partida que desandou para um dos lados, seja na soma do placar dos dois encontros.

TEMA DA SEMANA: Saudades do mata-mata? Separamos os confrontos mais marcantes do Brasileirão

Para resgatar alguns desses confrontos, dedicamos a quarta parte do tema da semana para as goleadas, tanto em uma partida individual quanto na soma de resultados. Mas só vale em encontros de mata-mata. Confira.

Obs.: em asterisco, os placares que se referem à soma dos resultados de ida e volta (ou dos três jogos, no caso de 1999)

Guarani 6×0 Sport* – 1978

O Guarani começava a convencer a todos de que realmente teria condições de lutar pelo título brasileiro em 1978. Nas quartas de final, a equipe comandada por Zenon, Careca e Renato venceu o Sport duas vezes: 2 a 0 no Recife e 4 a 0 no Brinco de Ouro. No placar agregado, foi a maior diferença de gols em um mata-mata de Brasileirão.

Flamengo 6×3 Coritiba* – 1980

O Flamengo tinha um timaço, caminhava para conquistar o Brasil, a América do Sul e o mundo. Mas teve algum susto contra o Coritiba nas quartas de final do Brasileirão de 1980. O Rubro-Negro fez 2 a 0 no Alto da Glória e ficou perto da classificação. Mas começou mal a partida no Maracanã e rapidamente o Coxa devolveu os 2 a 0, ficando a um gol das semifinais. O susto passou, o Flamengo juntou os cacos e construiu uma grande virada, com 4 a 3 no Rio de Janeiro e 6 a 3 no placar somado.

São Paulo 4×0 Anapolina – 1982

O placar sugere um passeio são-paulino, mas não foi bem assim. A Anapolina em um de seus melhores momentos de sua história, conquistando o vice da Taça de Prata e do Campeonato Goiano (este após perder a final para o Goiás na Justiça) em 1981. No jogo de ida das quartas de final da Taça de Ouro de 1982, a Xata venceu por 3 a 1 (abaixo o vídeo desse jogo. Se alguém achar o vídeo dos 4 a 0, dá um toque que a gente troca) e ficou perto da classificação. Mas o São Paulo reagiu no Morumbi e conseguiu a goleada que lhe deu a classificação.

Fluminense 5×0 Coritiba – 1984

O empate por 2 a 2 no jogo de ida das quartas de final indicava uma série difícil para o Fluminense. Mesmo o jogo de volta, no Maracanã, esteve relativamente em aberto. Assis e Washington deixaram os cariocas em vantagem no primeiro tempo, mas o placar ficou nos 2 a 0 até os 30 minutos do segundo tempo. Aí, os paranaenses se abriram em busca de uma virada desesperada e tomaram três gols em contra-ataques, configurando a maior goleada em uma partida de mata-mata do Brasileirão.

Vasco 9×5 Portuguesa* – 1984

Foi o encontro eliminatório com mais gols da história do Brasileirão. Diante de um Pacaembu lotado pela torcida da Portuguesa, o Vasco fez 5 a 2 no jogo de ida e só seria desclassificado por uma derrota por quatro gols no Rio de Janeiro. A virada não aconteceu, mas foi outro jogo cheio de gols: 4 a 3 para os cruzmaltinos.

Guarani 5×0 Vasco* – 1986

Oitavas de final da Copa Brasil. O Guarani tinha a melhor campanha da competição e era favorito no duelo contra um cambaleante Vasco, que quase havia sido eliminado na primeira fase. As duas equipes já haviam se enfrentado e os bugrinos venceram por 1 a 0 no Rio de Janeiro. Portanto, não assustou ninguém ver o time de Campinas vencer duas vezes. Mas poucos esperavam placares tão contundentes: 3 a 0 no Maracanã e 2 a 0 no Brinco de Ouro.

Palmeiras 5×2 Guarani* – 1994

Aí um placar bem enganoso. Palmeiras e Guarani eram os dois times de melhor campanha naquele Brasileirão, mas uma tabela mal feita fez que se encontrassem nas semifinais. O clube paulistano tinha craques como Rivaldo, Evair, Zinho, Roberto Carlos e Edmundo, mas os campineiros vinham ainda melhor e tinham a vantagem do empate na soma dos dois jogos. O problema é que haviam perdido Amoroso, lesionado. Aí, o Palmeiras se impôs aos poucos. No Pacaembu, fez 3 a 1 de virada, com dois gols nos últimos 11 minutos. No Brinco de Ouro, um gol de Rivaldo no início do segundo tempo praticamente matou a decisão. Fábio Augusto empatou perto do final, mas Rivaldo teve tempo de fazer o segundo gol palmeirense e configurar um 5 a 2 até exagerado.

Atlético Mineiro 7×2 Vitória* – 1999

Uma série estranha, que teve placar inchado devido ao fato de ter três jogos. O Galo fez 3 a 0 no primeiro jogo, no Mineirão, mas perdeu por 2 a 1 no Barradão. Pelo regulamento daquele ano, o Vitória precisava vencer o terceiro jogo, também em Salvador, para ir à final do Campeonato Brasileiro. Marques e Guilherme aproveitaram a ansiedade rubro-negra e foram às redes em menos de 20 minutos. Depois, o Atlético apenas administrou a vantagem, aproveitando um contra-ataque nos minutos finais para fechar o 3 a 0.

São Caetano 6×2 Náutico – 2000

Um duelo que passou quase despercebido, pois era das quartas de final do Módulo Amarelo da Copa João Havelange. O Náutico venceu o jogo de ida, nos Aflitos, por 1 a 0, mas não resistiu no Parque Antarctica. Esquerdinha abriu o marcador para o São Caetano. Paulo César empatou para os pernambucanos, mas Adhemar, César, Wagner e Márcio Griggio praticamente garantiram a classificação do azulão. Luciano diminuiu para o Timbu, mas Márcio Griggio foi às redes pela segunda vez nos acréscimos.

Obs.: não achamos um vídeo desse jogo. Se alguém o encontrar, pode mandar o link que acrescentamos aqui.

Atlético Mineiro 2×6 Corinthians – 2002

Maior goleada que um mandante sofreu em mata-mata de Brasileirão. O Corinthians jogava pelo empate na soma dos resultados, o que obrigava o Atlético a vencer no Mineirão na partida de ida para ter tranquilidade no Morumbi. O Galo começou acelerado, mas não soube dosar seu ímpeto. Com um toque de bola bem afinado, o alvinegro paulista foi fazendo um gol atrás do outro em contra-ataques fáceis diante de uma defesa escancarada. A maior goleada que um mandante já sofreu em jogo de mata-mata do Brasileirão.