O Cruz Azul ficou a poucos minutos de um vexame logo em sua estreia no Mundial de Clubes. Contra o Western Sydney Wanderers, de pouco mais de dois anos e meio de vida, os mexicanos foram buscar o empate no tempo regulamentar aos 44 minutos do segundo tempo. Apesar dos apuros pelos quais passou, a dificuldade não se deveu ao nível da atuação dos australianos, mas sim pelas péssimas condições do gramado do Estádio Príncipe Moulay Abdellah. Não fossem as placas de publicidade e a qualidade da transmissão, você poderia jurar que estava assistindo a um jogo da segunda ou terceira divisão brasileiras. Nessas condições, tendo o campo como grande adversário, os mexicanos suaram muito mais que esperavam para garantir o 3 a 1, apenas na prorrogação.

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Quase tão feio quanto o gramado foi o jogo. Do lado do Western Sydney, ninguém esperava muito mesmo. Para começo de conversa, nunca dá para criar grandes expectativas sobre equipes australianas, especialmente sobre uma que tem menos anos de existência que Raheem Sterling tem de carreira. Já o Cruz Azul decepcionou – e muito. Não se trata de um time forte, mas era amplamente favorito contra os campeões asiáticos.

Embora os mexicanos tenham uma parcela importante de culpa por não terem conseguido impor sua superioridade a ponto de garantir a vitória da maneira tranquila como deveria ter feito, tem que se reconhecer que a condição do gramado prejudicou demais a vida do Cruz Azul. Repleto de poças, o estádio em Rabat estava longe de ser digno de uma partida de Mundial de Clubes. Seria justificadamente alvo de muitas críticas mesmo em uma partida de terceira divisão. Se um confronto entre um time mexicano e um australiano já não é lá dos mais vistosos, imagine sobre uma superfície em que a bola quase não rolava?

Ao fundo da imagem da transmissão, as arquibancadas quase que completamente vazias eram o cenário perfeito para o clima modorrento do jogo. Durante o intervalo, mais uma cena que acrescentava como ingrediente para a receita trágica que foi o jogo. Funcionários do estádio tentavam diminuir as poças d’água com buchas, na forma mais bizarra e patética de drenagem que eu já vi em um jogo de futebol.

Em meio a esse cenário, o Cruz Azul levou o primeiro gol aos 20 minutos do segundo tempo. La Rocca aproveitou o estado do gramado para arriscar de longe, rasteiro. A estratégia funcionou, e Corona não conseguiu evitar que a bola balançasse a rede. O time mexicano não dava mostras de que conseguiria evitar a eliminação, mas a expulsão de Matthew Spiranovic, aos 29 da etapa complementar, tornou as coisas um pouco mais fáceis. Eventualmente, e de forma que pareceu até injusta com o ato de superação que o Western Sydney ia conseguindo, o Cruz Azul chegou ao empate, com Torrado, de pênalti, aos 44 do segundo tempo. Mesmo a inferioridade do adversário – numérica e técnica – não era suficiente para que o Cruz Azul tomasse a dianteira durante a prorrogação, e só a segunda expulsão australiana, de Topor-Stanley, no primeiro tempo extra, abriu caminho de fato para a vitória mexicana. No início do segundo tempo da prorrogação, Pavone colocou o time à frente, e Torrado, de novo de pênalti, definiu o 3 a 1.

O que era para ser apenas um jogo protocolar, de vitória fácil, por algum tempo foi um vexame e acabou terminando como 120 minutos de muito desgaste para o Cruz Azul, pelo tempo em campo e pelo gramado em si. Tendo agora pela frente o Real Madrid, na semifinal, os mexicanos terão como missão – até mesmo sonho – evitar o baile merengue. Algo já difícil se a equipe estivesse inteira, e agora inimaginável depois da atuação deste sábado.

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