Luca Toni é um atacante daqueles que quase todo mundo conhece. Aos 37 anos, se tornou um ícone do futebol italiano – o que não é necessariamente bom. O jogador defende o Verona e foi muito bem na temporada passada, 2013/14, marcando 21 gols e ajudando na boa campanha do time. Em entrevista, o jogador falou dos seus arrependimentos na carreira. O maior deles foi não ter conseguido o título italiano pela Roma, em 2010, quando jogou seis meses por empréstimo no clube da capital. Por pouco, o time acabou vendo scudetto ficar com a Inter.

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Centroavante alto, de 1,93 metro, Luca Toni explodiu tarde. Começou a carreira no Modena em 1994, mas perambulou por times pequenos por quase 10 anos. Só em 2003 ele se transferiu para o Palermo, onde conseguiu se destacar, ajudando o time a subir para a Serie A. Ele se destacaria também pela Fiorentina, que defendeu de 2005 a 2007, Bayern de Munique (2007 a 2010) e voltaria à Itália para jogar por Roma (2010), Genoa (2010-11), Juventus (2012) e acabou vendido ao Al Nassr, dos Emirados Áraves, onde jogou em 2012. Voltou à Fiorentina mais uma vez (2012-13) e desde 2013 está no Verona.

“Talvez eu tenha chegada muito tarde à Juventus”, afirmou o jogador. Eu poderia ter feito mais, mas o clube fez outras escolhas. Ele jogou só seis meses no clube de Turim e já era um veterano, aos 34 anos. “Antes do escândalo Calciopoli em 2006, eu estava perto da Inter. Então a Fiorentina foi punida com a perda de pontos e Della Valle (presidente da Fiorentina da época) declarou que eu não estava à venda”, revelou o jogador.

Ele acabaria jogando pela Roma em um empréstimo breve, em 2010. A Roma, na época, disputou o título com a Internazionale. Terminou a dois pontos da rival de Milão, com Toni marcando cinco gols e fazendo três assistências, em 16 jogos. “Um dos meus maiores arrependimentos foi não ter conseguido vencer o Scudetto na Roma, porque isso é algo verdadeiramente especial e se você veste aquela camisa, você pode respirar essa paixão. É por isso também que é tão difícil vencer por lá”, afirmou o jogador.

Outro arrependimento de Toni foi ter ido jogar nos Emirados Árabes. Ele ficou só seis meses no país antes de voltar à Itália para defender a Fiorentina. “Eu não gostei de jogar em Dubai pelo Al Nasr, era muito amador. Então eu encerrei o meu contrato cedo e voltei à Itália”, contou Toni.

Toni ainda contou que tinha esperanças de ir à Copa do Mundo. Afinal, foram 21 gols pelo Verona na temporada 2013/14. Além disso, Cesare Prandelli, técnico da Azzurra, o conhecia dos tempos de Fiorentina. “Eu acreditei nas minhas chances porque eu vi que no fim Cesare Prandelli estava convocando jogadores que nunca tinham vestido a camisa Azzurri antes. Talvez 21 gols não tenham sido o bastante…”, afirmou Toni. “Prandellli é um grande técnico e eu tive dois anos maravilhosos com ele em Florença. Eu não sei o que aconteceu, mas nós nunca mais conversamos”, declarou o jogador.

Perto do fim da carreira, Toni quer continuar no futebol depois de se aposentar. Ele criticou a estrutura do futebol italiano, apontada como um dos problemas para a crise do futebol do país e da seleção italiana, eliminada duas Copas do Mundo seguidas na fase de grupos.

“Eu ficarei no futebol, já que é a única coisa que eu sei fazer. Deveria haver mais foco nas categorias de base e jogadores formados em casa. Ciro Immobile foi artilheiro da Serie A, a Juventus era dona de metade do seu contrato, mas eles o venderam para o exterior e comprar Alvaro Morata no lugar”, analisou o atacante, campeão do mundo pela Itália em 2006.

“Mudanças realmente radicais são necessárias. Por exemplo, na Itália eles frequentemente punem torcedores nos jogos fora de casa. Não há nada mais embaraçoso para um jogador que ouvir a voz do gandula durante um jogo. Te coloca fora do esporte”, conta. “Sabe por que o Bayern trabalha tão bem? Porque Rummenigge e Hoeness estão no poder, dois homens que fizeram história naquele clube. Como alguém pode decidir o que é melhor para os jogadores se ele nunca jogou ou passou por uma categoria de base?”, disse ainda o jogador. “Há muitos que poderiam fazer o trabalho, como Vialli, Del Piero, Cannavaro ou Albertini. Quando se trata de política, é melhor ter alguém que realmente saiba sobre futebol também”, opinou Luca Toni.

Com contrato até o final da temporada, ainda não se sabe até quando Toni irá jogar. Nesta temporada, fez seis gols em 17 jogos.