Depois de sete anos de carreira em que esteve acostumado a enfrentar adversários mais abertos, Riyad Mahrez encarou um desafio completamente novo ao se juntar ao Manchester City em 2018. Sem os mesmos espaços para jogar que achara até então, custou a se adaptar, mas, entre o fim da primeira e o início da segunda temporada pelos Cityzens, se encontrou e passou a mostrar seu melhor futebol. Em entrevista à Sky Sports, o argelino comentou essa transição importante em seu jogo.

Destaque técnico de um Leicester que fez história na temporada 2015/16, Mahrez se sobressaía especialmente em jogadas rápidas de contra-ataque, no um contra um. Esse tipo de situação era comum em sua época nas Raposas, já que, como se tratava de um time de patamar mediano, os adversários não tinham a mesma preocupação em se fechar lá atrás como acontece quando enfrentam oponentes do calibre do Manchester City. Essa própria circunstância impôs ao argelino um desafio inédito.

“Você precisa lidar de maneira diferente com o adversário, e, no meu caso, com o lateral esquerdo, porque ele está sempre na minha frente. Eles também sempre têm ajuda em seu entorno, com um meia ou um ponta, então você precisa mudar a sua jogada e o seu movimento”, explicou à Sky Sports.

Para melhor ilustrar sua descrição, Mahrez fez um contraste com os tempos de Leicester. O argelino foi para o clube em janeiro de 2014, quando as Raposas estavam na Championship. Contribuiu para o acesso à Premier League ainda em 2014 e, já em 2015/16, se tornou campeão da elite do futebol inglês, em um processo de evolução rápido e constante.

“Em meu primeiro ano na Premier League com o Leicester, estávamos com algumas dificuldades, mas sempre senti que estava jogando bem e que podia fazer algo. No ano seguinte, começamos muito fortes, e o time era muito bom. Quando comecei a marcar, a confiança subiu. Quando cheguei ao City, notei como todo mundo (os adversários) ficava recuado, então você tem que pensar de maneira diferente.”

“É preciso se adaptar a isso. Levou um tempo, mas agora sinto que estou muito bem preparado”, completou.

Para essa adaptação, a confiança de Pep Guardiola em seu futebol foi fundamental. Ainda assim, não houve leniência por parte do catalão, e Mahrez teve também que ser resiliente com a dura briga por vagas no time titular. Seu início claudicante significou que ele passaria um bom tempo no banco de reservas.

“No ano passado, quando cheguei, o treinador confiou em mim, acreditou em mim, mas eu não fiz a diferença tão rápido quanto pensaram que eu faria. Em um clube como o City, eles não têm tempo para esperar.”

“São 20 jogadores de primeira classe, então eu estava no banco quando os outros estavam tendo um bom desempenho, e foi um pouco difícil voltar (ao time titular). Mas joguei bem no fim da temporada, e comecei esta temporada diferentemente. Quando joguei, fui bem, então estou com confiança”, contou o jogador, que em 2019/20 soma 37 jogos, com nove gols e 14 assistências.

Mahrez teve um percurso um tanto quanto alternativo no seu início de carreira. No verão de 2010, quando tinha 19 anos, esteve muito perto de realizar um sonho e se transferir para o Olympique de Marseille, seu clube de infância, mas os Phocéens preferiram apostar em um talento da base, Billel Omrani, que hoje atua pelo Cluj, da Romênia. Diante disso, viveu seus primeiros anos no futebol no Le Havre, da Ligue 2. Foram três anos e meio na modesta equipe francesa antes que a grande oportunidade no Leicester chegasse. Um período longo em um campeonato sem tanta visibilidade, mas nada para alguém tão apaixonado por futebol.

“Estou sempre buscando jogar. Tenho bolas por toda parte em minha casa, então sempre tento estar em contato com a bola. Meu amor começou quando eu era jovem, e obviamente meu pai me criou com essa paixão pela bola, e eu jogava todo dia. Eu simplesmente amava.”