Madagascar já havia registrado um feito imenso ao se classificar à Copa Africana de Nações, a primeira de sua existência. O primeiro gol do país na competição, no empate contra Guiné, rendeu uma efusiva comemoração. A vitória sobre Burundi engrandecia ainda mais a participação dos estreantes. Pois a maior tarde dos Barea aconteceu neste domingo. Os malgaxes não apenas venceram a Nigéria por 1 a 0, como também terminaram na liderança do Grupo B. É o maior triunfo da história da seleção. Vão com moral às oitavas de final, tentando aprontar mais.

Já classificada, a Nigéria começou a partida buscando mais o ataque. Porém, uma falha gritante permitiu que Madagascar abrisse o placar aos 13 minutos. Leon Balogun recebeu uma inversão e errou totalmente o domínio, permitindo que Lalaïna Nomenjanahary batesse sua carteira dentro da área. O atacante malgaxe não perdoaria. Depois disso, os nigerianos mantiveram a posse de bola, mas criaram pouquíssimo para almejar o empate durante o primeiro tempo. Poupando os seus principais jogadores, as Super Águias não tinham muita incisividade.

Como se não bastasse, Madagascar conseguiu matar o jogo no início do segundo tempo. Aos oito minutos, Carolus Andriamahitsinoro cobrou uma falta na entrada da área. O chute desviou na barreira e entrou no ângulo, beijando a trave antes de balançar as redes. Com a vantagem estabelecida, ficou mais fácil para os Barea administrarem o resultado. Quase fizeram o terceiro, em bola salva em cima da linha pelo goleiro Ikechukwu Ezenwa. O técnico Gernot Rohr botou Alex Iwobi e Wilfred Ndidi no jogo, mas o ataque da Nigéria pouco fez contra a esforçada defesa malgaxe. Os azarões puderam comemorar a surpresa.

Com sete pontos, Madagascar terminou na primeira colocação do Grupo B. A Nigéria aparece logo atrás, com seis pontos. Guiné ainda tem esperanças de se meter entre os melhores terceiros colocados. A equipe pegou o já eliminado Burundi no mesmo horário e cumpriu sua parte, ganhando a partida por 2 a 0. Foi um jogo condicionado desde os primeiros minutos, já que os burundianos tiveram um jogador expulso logo de cara.

Burundi começou a partida jogando de igual contra Guiné e incomodando. Porém, o cenário da partida mudaria completamente diante do erro de Christophe Nduwarugira. O lateral recuou uma bola fraca ao goleiro e, para consertar a falha, cometeu outra maior: segurou Mohamed Yattara, que ia saindo de cara para o gol. Como a falta aconteceu fora da área, o camisa 22 recebeu o vermelho direto e escancarou sua frustração, amparado pelos companheiros. Os burundianos poderiam até ter aberto o placar, em bomba de Pierre Koné, parada com uma defesaça do goleiro Ibrahima Koné. Contudo, Guiné era mais ofensivo e se aproveitou de outro erro para abrir o placar, aos 26. Após chute cruzado, a zaga rebateu mal e Yattara fuzilou.

Durante a sequência da partida, Burundi não seria totalmente passivo, mas a inferioridade limitou muito sua atuação. E não demorou para Guiné matar a partida. O gol saiu aos sete minutos do segundo tempo, em passe de Ibrahima Traoré, para Yattara fazer mais um sem dificuldades. Depois disso, os malineses seguiram mais próximos do terceiro, mas sem forçar. A melhor oportunidade veio em chute de longe de Amadou Diawara, que o goleiro Jonathan Nahimana espalmou. O resultado já era suficiente, embora o saldo maior pudesse ajudar.

Guiné tem quatro pontos e um gol de saldo, mas a situação ainda é aberta, com outros cinco grupos rumo à rodada final. Precisa torcer contra os concorrentes. Já a Nigéria, com a segunda colocação, corre o risco de pegar Gana ou Camarões nas oitavas.

Ficha técnica: Madagascar 1×0 Nigéria

Local: Estádio de Alexandria
Árbitro: Bakary Gassama (Gâmbia)
Gols: Lalaïna Nomenjanahary, 13’/1T; Carolus Andriamahitsinoro, aos 8’/2T
Cartões amarelos: Marco Ilaimaharitra (Madagascar)
Cartões vermelhos: nenhum

Madagascar: Adrien Melvin, Romain Métanire, Pascal Razakanatenaina (Mamy Gervais Randrianarisoa), Thomas Fontaine, Jérôme Mombris, Marco Ilaimaharitra, Anicet Andrianatenaina, Ibrahim Amada (Rayan Raveloson); Lalaïna Nomenjanahary, Faneva Ima Andriatsima (William Gros), Carolus Andriamahitsinoro. Técnico: Nicolas Dupuis.

Nigéria: Ikechukwu Ezenwa, Chidozie Awaziem, William Troost-Ekong, Leon Balogun, Ola Aina; John Ogu (Wilfred Ndidi), Peter Etebo; Samuel Kalu (Moses Simon), John Obi Mikel (Alex Iwobi), Ahmed Musa; Odion Ighalo. Técnico: Gernot Rohr.

Ficha técnica: Guiné 2×0 Burundi

Local: Estádio Al Salam, no Cairo
Árbitro: Noureddine El Jaafari (Marrocos)
Gols: Mohamed Yattara, aos 25’/1T e aos 7’/2T
Cartões amarelos: Karim Nizigiyimana, Gaël Duhayindavyi (Burudi); Issiaga Sylla (Guiné)
Cartões vermelhos: Christophe Nduwarugira (Burundi)

Guiné: Ibrahim Kone, Mikael Dyrestam, Ernest Seka, Simon Falette, Issiaga Sylla; Ibrahima Cissé, Amadou Diawara; Mohamed Yattara (José Kanté), François Kamano (Lass), Ibrahima Traoré; Sory Kaba (Mohamed Kaba). Técnico: Paul Put.

Burundi: Jonathan Nahimana, Karim Nizigiyimana, Omar Ngandu, Frédéric Nsabiyumva, Christopher Nduwarugira; Gaël Bigirimana, Pierre Kwizera; Hussein Shabani, Francis Moustapha (Gael Duhanyindavyi), Mohamed Amissi (Cédric Amissi); Fiston Abdul Razak (Saido Berahino). Técnico: Olivier Niyungeko.