Romelu Lukaku tem concedido diversas entrevistas em meio à paralisação do futebol devido à pandemia do novo Coronavírus e, na mais recente delas, falou um pouco mais do que seu clube desejaria. Em conversa com a emissora belga Vier, o atacante da Internazionale revelou que, em janeiro deste ano, “23 dos 25 jogadores” do elenco nerazzurro apresentaram febre e tosse, sugerindo que mais poderia ter sido feito por parte do clube para proteger seus atletas.

A entrevista franca colocou Lukaku em situação delicada, rapidamente corrigida com seus superiores. Segundo o jornal La Repubblica, o atleta logo se desculpou aos dirigentes da Inter, que teria decidido não punir o jogador, apesar da quebra do código de ética do clube.

“Tivemos uma semana de folga em dezembro e depois voltamos ao trabalho, e juro que 23 jogadores dos 25 estavam doentes, não estou brincando. No dia 26 de janeiro, jogamos contra o Cagliari, do Nainggolan, e, depois de 25 minutos, um de nossos zagueiros (Skriniar, substituído após 17 minutos de jogo, ‘gripado’ de acordo com o clube) teve que deixar o campo. Ele não conseguiu continuar e quase desmaiou. Todo mundo estava tossindo e com febre. Quando estava fazendo o aquecimento, eu senti muito mais calor do que o normal. Não havia sofrido de febre há anos”, relembrou o jogador na conversa com a emissora belga.

“Depois da partida, houve um jantar que estava previsto com convidados da Puma, mas eu os agradeci e fui direto pra cama. Não fomos testados para a Covid-19 na época, então não saberemos jamais se era isso”, completou.

A suspeita de contaminação em massa por Coronavírus não foi o único assunto abordado por Lukaku em sua entrevista. O atacante falou bastante sobre seleção belga, inclusive sobre sua preocupação com o futuro da equipe. Segundo ele, uma eventual saída do técnico Roberto Martínez após a Eurocopa, agora marcada para 2021, coloca incerteza na cabeça dos jogadores.

“Eu me pergunto o que acontecerá com os Diabos Vermelhos depois da Europa. E não sou o único da equipe a pensar assim. Imaginemos que o Roberto Martínez decida partir. Quem virá em seu lugar? E como iremos administrar essa mudança? Encontramos um bom equilíbrio, e isso se pode sentir quando jogamos”, avaliou Lukaku.

O atacante destacou sobretudo a união atual no grupo belga, finalizando com uma brincadeira que sugere o nível de proximidade que os jogadores têm. “Na seleção, somos amigos de verdade. Se eu precisasse ficar confinado com um deles, escolheria entre Axel Witsel, Nacer Chadli, Thomas Meunier, Dries Mertens, Jan Vertonghen ou Kevin de Bruyne. Eu os conheço de cor. Por outro lado, não o Yannick Carrasco. É um cara legal, mas também um senhor sabe-tudo, com uma opinião sobre todos os assuntos”, brincou.

Apesar de muito novo, com apenas 26 anos, Lukaku já faz planos para como gostaria de encerrar sua carreira – e já tem um destino preferido, assim como um momento: “Sou jogador profissional desde os 16 anos e gostaria de me aposentar aos 36 anos. Sonho parar no Anderlecht, para fazer o ciclo completo (foi lá que ele começou sua carreira)”.

Depois, só o futuro dirá, mas sua tendência está mais para treinar equipes do que comentar partidas na televisão. “Em seguida, vou viajar e deixar o futebol de lado. Jamais serei comentarista, mas sigo cursos de treinador e adoraria fazer isso mais tarde”, encerra.