Depois de duas temporadas, Romelu Lukaku deixou o Manchester United para jogar na Internazionale, na Itália. Os últimos momentos do belga no clube inglês não foram dos mais amigáveis, e agora uma participação de Lukaku no podcast “LightHarted”, do jogador da NBA Josh Hart, jogou mais luz sobre a relação interna do atacante com a equipe, ao menos na versão do atleta.

Apesar de ter sido gravado por volta do início de julho, considerando algumas falas do convidado, o episódio só foi divulgado nesta quarta-feira (21). Nele, o centroavante demonstra mágoa com a falta de proteção do clube em face das especulações de que vinha sendo alvo nas semanas que antecederam sua transferência para a Inter – naquele momento, o jogador ainda não havia acertado sua ida ao clube italiano.

“Muita coisa foi dita, e não me senti protegido. Senti que havia muitos rumores, ‘Rom indo para lá’, ‘eles não querem o Rom’, e ninguém apareceu para acabar com esses rumores. Isso durou umas boas três, quatro semanas. Estou esperando que alguém apareça e acabe com as especulações, mas isso não aconteceu”, queixou-se o belga.

Lukaku revela ter naquela época conversado com o Manchester United e reclamado do tratamento, sugerindo que seria melhor que cada um fosse para o seu lado. “Se você não quer proteger alguém, todos esses rumores aparecem. Eu só queria que dissessem: ‘O Rom vai lutar por seu espaço’, mas isso nunca em aconteceu em quatro, cinco meses.”

O centroavante cravou que nem ele e nem seu empresário haviam vazado essas histórias. “Eu disse a eles que não era bom para mim ficar em um lugar em que não me querem. Não somos burros. Eles acham que somos burros, mas não somos. Sabemos quem está fazendo os vazamentos e tudo o mais. Eu disse a eles que não dá para trabalhar assim, que é melhor eu ir embora”, contou.

Falando dos momentos de baixa do clube na temporada passada, Lukaku afirmou que fizeram dele, de Pogba e Alexis Sánchez os bodes expiatórios das derrotas. “Somos nós três o tempo todo. Para mim, eu vejo isso de várias maneiras.”

Para ele, no entanto, o desempenho com a camisa da seleção belga é prova de que, se no United o desempenho era abaixo do esperado, o problema não era ele.

“Quando eu vou jogar por meu país, jogamos o estilo de jogo que provavelmente queremos jogar no Manchester United, e me saio bem lá. Então o problema sou eu? Quatro gols na Copa do Mundo, três semanas atrás fiz três gols em dois jogos, e antes disso jogamos contra Suíça e Islândia em setembro, e eu marquei quatro gols em dois jogos. Fiz 48 gols por meu país.”

Sua entrevista, no entanto, não se resumiu a mágoas e cutucadas ao ex-clube. O jogador falou sobre a escolha de ir a Manchester em 2017 em vez de retornar ao Chelsea, que também negociava com o jogador.

“No Manchester United, eu sentia mais a confiança, todos me queriam lá, e essa é a verdade. Eles vieram e me disseram isso. Eu estava em Nova York, recebo um telefonema de um número desconhecido, e atendo: ‘Quem é?’ Do outro lado da linha, o José Mourinho. ‘Rom, como você está?’, e eu falei: ‘E aí, professor?’ Então, quando vi, tinha que voltar para o Everton em 7 de junho, e em 6 de junho acordo de manhã e vejo que eles fecharam o acordo, e eu fiquei: ‘Caramba, eles vieram com tudo’.”

No clube de Old Trafford, por mais que sua saída tenha sido conturbada, envolvendo até um atrito por causa da divulgação de dados de corridas dos colegas durante a pré-temporada, Lukaku teve bons números. Em dois anos, foram 42 gols e 13 assistências em 96 jogos. Ainda assim pouco em comparação com o que esperavam os Red Devils quando o contrataram do Everton por £ 75 milhões.