Já em seu segundo jogo pela Internazionale, Romelu Lukaku, recém-contratado do Manchester United, foi vítima de insultos raciais em partida fora de casa, contra o Cagliari, em estádio conhecido por episódios parecidos. No rescaldo do incidente, o jogador publicou um comunicado em sua conta no Instagram, condenando os torcedores que o ofenderam com gritos de macaco, e pediu que seus colegas jogadores se unam para combater o racismo no futebol.

Em referência aos casos que envolveram, entre outros, Tammy Abraham, do Chelsea, e Paul Pogba, do Manchester United, alvos de ataques racistas nas redes sociais após perderem pênaltis por suas equipes, Lukaku disse que “muitos jogadores no último mês sofreram abuso racial”. “Eu sofri ontem também. O futebol é um esporte para ser curtido por todos, e não deveríamos aceitar nenhuma forma de discriminação que envergonhe nosso esporte. Espero que as federações de futebol em todo o mundo reajam com firmeza em todos os casos de discriminação”, cobrou o atacante.

Recentemente, a organização antirracismo no futebol Kick It Out virou suas atenções para a responsabilidade das redes sociais no problema, falhando em combater os abusos em suas plataformas. Lukaku reforçou o coro, dizendo que as mídias sociais “precisam trabalhar melhor também com os clubes, porque todos os dias vemos pelo menos um comentário racista embaixo do post de uma pessoa de cor”.

“Temos dito há anos, e ainda assim nenhuma ação foi tomada. Senhoras e senhores, é 2019”, queixou-se.

Lukaku lamentou o cenário atual e fez um pedido para que seus colegas jogadores se unam para contra-atacar o problema. “Em vez de ir pra frente, estamos indo para trás, e acho que, como jogadores, precisamos nos unir e fazer uma declaração sobre esse assunto para manter o jogo limpo e agradável para todos.”

Após o episódio, apesar de ter dito não notar os insultos no estádio, o técnico da Internazionale, Antonio Conte, afirmou que a Itália precisa melhorar muito no quesito e “sermos mais respeitosos às pessoas que estão trabalhando, em geral”.

“Quando eu estava trabalhando no exterior, os torcedores empurravam seu próprio time, e não passavam seu tempo todo insultando o oponente”, relatou Conte.

Em declaração após a partida, o Cagliari ofereceu seu apoio a Lukaku e afirmou estar comprometido em “aniquilar uma das piores pragas que afeta o futebol e nosso mundo”. Mas pareceu igualmente preocupado em se distanciar do episódio e em defender sua torcida de uma suposta generalização.

“O Cagliari Calcio não quer minimizar o que ocorreu ontem à noite, endossa os valores morais respeitáveis de seu povo de todas as seções do estádio, mas rejeita firmemente as acusações ultrajantes e os estereótipos bobos dirigidos aos torcedores do Cagliari e ao povo sardo, que são completamente inaceitáveis.”

Entretanto, em casos mais repercutidos nos últimos anos, Moise Kean e Blaise Matuidi, nas últimas duas temporadas, por exemplo, foram alvos de racismo na casa do Cagliari, e pouco ou nada foi feito para mudar isso. A fama tem sido construída ao longo do tempo, e a falta de ação também diz muito.